Dois mundos.

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1.

Na calada de uma noite tempestuosa, com trovões e gotas pesadas de chuva caindo dos céus, quando todos os cidadãos de bem estavam dormindo... e alguns com falta de sorte trabalhando sem vontade alguma, pode ser ouvido gritos vindo de um beco, gritos finos e estridentes, cheios de desespero e dor.

Uma garotinha por volta do auge de seus 8 anos tinha seus gritos abafados por mãos masculinas, mãos cheias de malícia e força.
O homem tapava a boca da menina, enquanto com sua palma livre começava a procurar pela abertura de sua saia rosa claro...

Nenhuma alma viva passava por lá, a rua deserta com apenas um gato preto passando, mas o bichano não ajudaria a menina. A mesma já estava sem forças, esgotada pelas agressões anteriores, sem esperança, apenas desejando sair desse momento sombrio.

Uma voz masculina grave invade o beco, ecoando pelas paredes cheias de grafites mau feitos e algum musgo. O homem olhou para trás, não deixando a garota ir. A criança se contorcia embaixo do aperto do monstro, mas sem sucesso de conseguir sair.

— vermes como você não aprendem mesmo não é?

Uma voz grave e rouca disse com um sorriso sínico e mãos para trás, era um homem alto com pele morena e cabelo curto ondulado. Uma barba rasa em sua mandíbula definida... Seu olhar irradiava irritação, mesmo com seu sorriso aparente. O outro ficou confuso com a presença repentina, logo disse-lhe, com a voz hostil.

— cara, não se intromete no que não te interessa.

O visitante olha para a menina, por um momento, seu olhar transmitiu segurança e um sorriso genuíno, também cheio de simpatia pela menina. A criança que o  olhar  estampava pânico e medo, agora tinha uma ... Esperança?

— ah mil perdões, seu pedido foi entregue e negado com sucesso!

O outro Homem não teve tempo de protestar, que foi surpreendido pelo barulho de passos pesados atrás dele mesmo. Eram duas mulheres, uma loira, com olhar cor de esmeralda, sua expressão suave e fixa na garota... Um sorriso doce apareceu nós lábios da loira. E a outra, uma morena, seu óculos redondo refletia a baixa luz dos postes de luz do outro lado do beco, sardas em seu rosto, porém, diferente da loira, seu olhar fixo no homem... e na sua destra segurava um punhal.

A morena se aproximou, seus saltos fazendo barulho no chão irregular.
Rapidamente socou o queixo do homem com força, o movimento fez a garotinha ser livre do aperto, a mesma ofegava e chorava, com uma mistura de dor e alívio, logo a loira pegou a menina em seus braços e foi rapidamente para para lado do homem de voz grave, enquanto balançava a menina em seus braços e com a mão livre tapava sua visão.

— shh... Está tudo bem agora. Não vamos machucar você.

A loira disse com um tom calmo, quase hipnotizante,  sua voz aveludada, calmante para qualquer um.

E quanto ao homem e a mulher morena... Bem, ela estava encima dele, esfaqueando sua jugular com golpes certeiros e sangrentos, a mulher já estava com as roupas e mãos coberta de sangue alheio.
O estuprador gritava em horror e dor, seu pescoço queimando em ardência, sentindo seu sangue queimar a área machucada, implorando para parar, mas a mulher continuou fazendo o ato, com um sorriso tortuoso no rosto - como se estivesse se divertindo.
O homem - já morto - dá seu último suspiro de vida, que faz a sardenta dar um suspiro de aborrecimento.
O homem de voz grave coloca a mão no ombro da companheira e fala baixo, com a voz calma apesar das cena de horrores que acabara de acontecer.

— devemos ir, Sarai. Deixe que os heróis encontrem o corpo. Temos que deixar a menina em algum hospital local.
Ele disse olhando para a garota, que ainda estava nos braços da loira, chorando baixinho e muito provavelmente apavorada.
— consegue segurar ela até chegarmos em algum hospital?

JusticeWhere stories live. Discover now