A porta de ferro se abriu lentamente, Elora se virou para olhar nos olhos do algoz, já aceitava seu fim. Mas a porta se abriu lentamente, uma névoa dourada pairava no ar, ninguém estava diante da entrada.
Ela ficou ali, parada, apenas o som de sua respiração oscilante podia ser ouvido enquanto ela aguardava, trêmula, pela pessoa que viria arrastá-la para seu julgamento.
Ela só podia enxergar a luz baixa das tochas do corredor e a estranha névoa dourada que pairava na soleira. Suas pernas tremiam com a adrenalina, sentia que seus joelhos iam colapsar a qualquer instante.
"Me encontre." Centenas de sussurros pareceram pairar pela névoa, ecoando na mente de Elora, um arrepio violento tomou conta de seu corpo, seus olhos se arregalaram. "Venha até mim."
Ela deu um passo cauteloso para frente, no momento que seu pé tocou o chão, as correntes em seus tornozelos se arrebentaram, com um espasmo ela estremeceu, sua respiração se acelerou, ela ousou testar a sorte, erguendo as mãos, as correntes em seus pulsos também se arrebentaram quando ela as movimentou. Elora arquejou e cambaleou para fora da cela.
-Onde... Para onde eu...? -Seu sussurro saiu cortado, urgente.
"Siga minha luz." Ecoaram os sussurros pelo corredor.
Elora tentou andar pelo corredor sem fazer barulho, seguiu o rastro dourado que pairava no ar, subindo as escadas, correu pelos corredores até encontrar uma grande porta que estava reluzindo, onde a névoa era mais espessa.
Só podia ser ali.
Elora estendeu as mãos trêmulas para girar a maçaneta, com cuidado para não fazer barulho, abriu a porta e entrou sem pensar duas vezes.
Um mês antes...
O meio dia se aproximava, mas nem mesmo o sol no meio do céu era capaz de espantar o frio intenso dos últimos dias.
Era o inverno mais difícil dos últimos anos, as colheitas já estavam escassas, as cabras estavam extremamente magras mesmo depois de Elora trabalhar no campo durante todo o outono para abastecer os mantimentos para os animais.
A cabana onde Elora e a irmã moravam ficava dentro da floresta, afastada do restante da civilização, afastada da enorme igreja que apenas prosperava no centro da cidade.
Tempos de trevas, tempos onde a hipocrisia dos homens estava em um de seus ápices.
A cabana das irmãs não era grande coisa, mas era mais que suficiente para ambas, havia um pequeno celeiro para um cavalo e quatro cabras nos fundos da propriedade, a cabana possuía dois quartos, um pertencia ao pai delas, e o outro que era compartilhado entre ambas.
Seu pai foi lenhador e vendia lenha na cidade mais próxima, ele era uma das poucas pessoas que sabia ler e escrever na região, mas mantinha aquilo em segredo, o homem que o ensinou a ler e escrever era alguém de dentro da igreja, antes de morrer, o homem passou este conhecimento à filha mais velha, Elora, que tentou ensinar a irmã mais nova anos mais tarde, mas esta não se interessou no aprendizado. Elora aprendeu latim com seu pai, lia as escrituras sagradas, não por acreditar nelas, mas por sentir que havia algo ali que pudesse lhe ser útil algum dia.
Não eram cristãos, mas fingiam ser.
Elora abominava a igreja, evitava andar pela cidade, principalmente nos arredores da grande catedral, já Brianna era popular na cidade e passava o dia nos mercados.
Com o passar dos anos, Brianna se tornou uma jovem sem rédeas, nem mesmo Elora era capaz de colocar juízo em sua cabeça.
-Você vai acabar num bordel, Brianna. -Elora alertou.
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A Canção dos Mortos
FantasyEsta é a terceira parte da saga "Dança da Morte" Aqui vamos explorar o Submundo. Aqui vamos ver se nossos vínculos são resistentes o suficiente para suportar a vida e como ela pode assumir uma face cruel. Você cantaria para os mortos?
