Quando acordei naquele dia, às 5:50 da manhã, não imaginei que a cor do céu seria cinza e o tempo nublado. Começava ali o segundo ano do ensino médio. E as coisas já não iniciaram bem.
Dias antes, enviavam uma bandana cuja função era envolver a testa durante todo o período escolar. Este tinha sido outro problema. Havia-a perdido em algum canto do quarto - ou quem sabe, pensei, Hima escondera-a para me enervar.
Fui até lá. Sem rodeios, abri a porta do quarto dela - o que a acordou instantaneamente - e gritei:
- Sei que foi você, Hima!
- Eu? - perguntou com cara de sono - Eu o que, louca?
- Você escondeu minha bandana. Hoje é meu primeiro dia, e você sabe que é impossível entrar sem ela.
- Hana, se eu levantar daqui, nem a mãe vai me impedir de fazer o que por enquanto existe somente como desejo. Aconselho-a a fechar essa porta e voltar a dormir.
- Tenho de ir à escola! - continuei gritando. - Já são 6:10!
- Sério?!
- Sério!!
- Nossa! Quase perco o horário! Obrigada, Hana! - Seguiu para o banho, rindo de canto.
- HIMAAA!! DEVOLVA!
Enfim, o berro extenuou a paciêndia de mamãe, que levantou.
- O que há com você, Hana? Não vê que estou tentando dormir?
- Desculpe, mãe... É a Hima! Ela escondeu minha bandana...!
- Ai, meu Rikudou! Vocês duas! Só por Ele!
Mamãe se dirigiu ao banheiro e, em tom imperativo e suave, ordenou:
- Hima, assim que sair desse banho - o que espero que seja logo -, vai devolver a bandana de sua irmã. Não me deixe ter de repetir isso. - E voltou a sua cama.
Merda. Hima fizera-me esperar até 6:25! A maldita saiu do banheiro, segurando todos os seus produtos capilares, entre outras coisas, e tive de esquecer o problema por alguns instantes para adiantar minha ducha.
Às 6:40, Hima já tinha ido. Segurando a toalha, fui até meu quarto e lá estava a desgraça da bandana, em cima da cama.
A chuva, implacável, ainda caía.
Joguei a toalha no chão e me vesti rapidamente. Apressei-me ainda mais. Tomei um leve e prático café da manhã (não queria sair de barriga vazia) e, de repente, estava à porta. Ao abri-la, o vento forte carregado de água fria fez-me dar um passo para trás. Procurei pelo meu guarda-chuva e presenciei outra infeliz brincadeira de Hima: levara os dois, com certeza, para me ferrar!
Minha mãe ficaria uma fera caso eu faltasse. Não teria jeito: apanhei a antiga bicicleta do papai e corri contra o tempo, sendo castigada pela impetuosidade da natureza.
Hima me pagaria.
Um trio de garotas presenciou-me, pelo lado de dentro, sequinhas e limpinhas, jogando negligentemente a bicicleta na escada e entrando desesperada.
Mas o sinal ainda não havia batido. Estavam todos no pátio, de modo que refleti se aquilo também fazia parte das brincadeiras de Hima: teria ela adiantado propositalmente meu relógio? Não... Estava ficando paranoica - e cedo demais...
- Menina - disse uma das três -, que banho você tomou! Bateu uma peninha agora!
Dizia isso na maior ironia. Não sei para que toda essa maldade com uma desconhecida, em pleno primeiro dia de aula. Mas, sendo ela mais alta, entendi imediatamente em que sua zombaria se sustentava.
Ignorei, por segurança. Ela, no entanto - e seu coro, em tom menos audível -, insistiu em caçoar de mim, ao passo que eu me encaminhava para o banheiro.
Lá, encontrei uma garota de cabelo rosado que se dispôs a me ajudar. Chamava-se Yumi.
- Tome. Tente adaptar minha blusa de frio. Logo, logo faz calor mesmo.
Agradeci, tremendo, e em seguida, irremediavelmente, retirei a calça, tranquei-me em uma porta e a enxuguei tanto quanto pude. Agora tinha um aspecto rugoso, pobre...
O dia não começara fácil.
O sinal bateu. Todos subimos.
Escolheriam os times. Eu não estava nada animada para a ocasião. Passei as férias como qualquer adolescente da minha idade: curti prazerosa e despretensiosamente, ou seja, sem importar-me com obrigações extras. (Eram férias!) E, agora, esses times exigiriam um esforço abissal de mim, que me abstive dos exercícios no tempo livre.
Dispunha de um bilhete que indicava a sala em que eu deveria passar meses de tédio e ódio. Enquanto procurava, vi minha irmã entrar na dela. Tinha 17 anos e estava no terceiro. Sorte a sua.
Avistei, minutos depois, o enfadonho local; suspirei e pus os pés para dentro da sala. Uma mesa comportava três pessoas, como de praxe; as fileiras eram como escadas; as mesas detrás iam ficando em degraus cada vez maiores. Algumas pessoas lutavam pelo famigerado "fundão".
Eu ainda não tinha visto de tudo nesta vida - mas, após badalar do último sinal, veria a amplitude das coisas em síntese. O mundo, no seu geral, está condensado onde vivemos - seja um lugar desenvolvido, seja subdesenvolvido; seja escasso de informações, seja o contrário. O Sol são todas as estrelas, e o universo se resume em um dia cálido.
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Naruto - Geração Perdida
FanfictionEm um futuro remoto, a nova geração de "ninjas" da Aldeia da Folha, cujos problemas do dia a dia vão relatando, desenterram gradativamente, sob certas circunstâncias, o passado e sua origem, que jazia no "esquecimento". À medida que os anos passavam...
