Um homem indiferente

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Notas: 

Essa fanfic tá guardada há um tempo no ao3, em inglês para o festival baeconandeggs, e tá completinha pra quem quiser ler. Então, nada de termos (mais uma...) fanfic incompleta por aqui. Caso vocês queiram, deixarei o link abaixo para a fanfic.
Aqui no spirit irei postar capítulo por capítulo, talvez com a diferença de duas semanas cada um. Fica difícil, pela minha rotina, manter um cronograma, mas eu vou postar ela completinha aqui para vocês, não se preocupem!

Essa capa linda é por sancwo (wattpad), e a betagem pela @pcyooda (spirit)! Vocês são demais.

BOAS NOVAS: A fanfic além de estar completa, vai contar com um extra exclusivo em português <3

Playlist & outros links nas notas finais.

Eu não teria conseguido fazer essa fanfic senão fosse a Kory, a Vic, a Lari e a Camila! Muito muito obrigada por todo o apoio e motivação.

Sem mais delongas, é isso! Espero que vocês gostem, eu tava morrendo de saudades de postar as coisas aqui, um beijo e até o próximo.

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1 — Um homem indiferente

"O que são homens comparados a rochas e montanhas?"

— Orgulho e Preconceito, Jane Austen

Olhando de longe, a uma distância considerável das outras pessoas, estava o dono daquela imensurável festa. Mantinha o corpo ereto e o queixo empinado, bebericando de uma taça tão clara quanto seus olhos. Seu espectador, que havia completado alguns longos segundos o assistindo, não conseguiu conjecturar melhor piada para que começasse a rir, a não ser a postura do homem. As abas pretas do terno caindo atrás de seu corpo, como um pinguim prestes a pular em uma bacia gelada, eram o suficiente para que o rapaz esboçasse um riso longo. Baekhyun era quem fitava o homem, e com uma mão discreta na frente do rosto, tentava não demonstrar que achava tanta graça de sua pompa. Os ricos eram tão divertidos. Não estava sendo mal, estava?

Uma moça que cruzava o caminho de Baekhyun achava que sim, certamente eram. A forma como os olhos dela passearam por aquela mão que cobria sua face, dizia que ele estava sendo tão mal-educado, tão desrespeitoso e tão desleal ao seu anfitrião quanto um cão que mijasse no tapete de entrada. Baekhyun continha todos aqueles pensamentos — prévios pensamentos — bem guardados em sua cabeça, mordendo a parte interna da boca, acabando por guardar a mão abaixo dos papéis pesados na lateral do corpo.

Não fez mesura quando a mesma mulher julgadora atravessou seu corpo, segurando o leque em mãos e cutucando uma pinta enorme na testa com a unha grossa; a pinta era claramente desenhada com maquiagem, e as bochechas tão rosadas dela, com o aspecto mais artificial possível, davam indícios de que a dama tinha ido retocar há pouquíssimo tempo. Mesmo conhecendo e convivendo periodicamente com ricos, Baekhyun tinha tantas dúvidas sobre quão bregas eram e, porque seus gostos eram tão ridículos, mas, mais uma vez, decidiu guardar só para si.

O salão havia sido perfeitamente esculpido para caber mais de cem pessoas pelas cadeiras vermelhas, que continham costuras douradas espalhadas em todos os cantos de maneira estratégica. O teto era abobadado, mas o único detalhe que irritava Baekhyun, e irritava de verdade, era a entrada que permanecia única.

Desde a última vez que ele e sua família tinham pisado naquele casarão, nutriu um descomunal incômodo pela ausência de duas entradas. Afinal, ter que ficar em uma fila, aguardando, em temperaturas muitas vezes mais quentes do que poderia imaginar — porque os Williams não gostavam de outra época do ano para fazer festas senão o verão —, fazia sua cabeça doer de enxaqueca.

The Cry of a Caged SoulHistórias para pegar e não largar. Descubra agora