Capítulo Único

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escrita ouvindo vienna do billy joel. reescrita de uma one-shot minha de 2019.





Ela nunca fez a Marca. 

O pai dela, apesar de todas as falhas que tinha, nunca deixaria a menininha dele a fazer.

Ser a filha preciosa de Lucius não o impediu de a deixar morando na mesma casa que o Lord das Trevas, andando com os outros Comensais, recebendo ordens junto com eles e cumprindo missões das quais a vida de sua família dependia. Por alguma razão, deixar que o homem realmente a marcasse foi onde ele hesitou e, no fim, foi isso que salvou ela.

Cassiopeia Malfoy passou os três anos depois da vitória de Potter presa em uma casa temporária com aurores observando cada passo e respirada que ela dava, arrastada e exaustada por investigações, júris, interrogatórios onde qualquer pensamento que ela um dia teve ou quase chegou a ter foram tirados de si a força e à base da magia, anunciados para que o mundo todo pudesse os analisar e opinar como bem entendessem. No fim, com dezenove anos e o que parecia ser uma juventude inteira arrancada de si, eles a absolveram: decidiram que, apesar de não ter estado sob um imperius, havia ameaça física o suficiente, e ela era jovem o suficiente na época, que o ataque em Hogwarts que levou a morte de Dumbledore não podia ser culpado nela. Foi mais polêmico, mas já que não tinha a Marca Negra, eles também decidiram não a sentenciar como se fosse uma Comensal.

Ela estava livre (mas não em seu lar, porque a mansão Malfoy tinha sido tirada deles e, mesmo se não tivesse, ela nunca seria um lar de novo, muito menos sem o pai) fazia uma semana quando a primeira oferta chegou.

Chá com Corban Yaxley para que eles pudessem dividir os traumas e as dores causados pelos crimes de seus pais, como se Yaxley não tivesse participado das torturas em Hogwarts com prontidão e muita diversão. Café com Dmitri Dolohov para que ele a atualizasse no estado da sociedade puro-sangue agora que mais de dois terços deles estavam presos ou mortos, apesar de Dolohov ter passado a conversa inteira jogando comentários sobre como pelo menos eles tinham matado a mesma quantidade de trouxas e nascidos-trouxas. Jantar com Evan Rosier Jr., que tão educada e delicadamente elogiou o peso que ela tinha perdido, mostrou pena perante as olheiras dela, acariciou seu pulso delicadamente enquanto a oferecia para passar a noite na mansão dos Rosier, que com certeza era mais confortável que lugar onde ela estava ficando.

Um encontro na Travessa do Tranco com Thorfinn Rowle, para que ele pudesse a oferecer as mais sinceras condolências e ajuda nesse momento tão difícil, independente de que Rowle, como amigo de escola de Lucius, a conhecesse desde que ela tinha três anos e a ajuda dele fosse tudo menos inocente. Nada na forma como ele a olhava tinha sido inocente desde a época em que ela fez quatorze anos.

Com o escárnio daqueles que lutaram pelo lado da luz ela conseguia lidar. O ódio, e o julgamento, e a mal reprimida violência, isso tudo sabia que merecia pelos crimes que cometeu e o ódio que por tantos anos tinha espalhado.

Os supremacistas que sobraram se fechando ao redor dela, abutres tentando arrancar pedaços de uma história que desde a primeira guerra já vinha definhando e apodrecendo, cadáver arrastado pela pura teimosia daqueles que não conseguiam admitir que aquele estilo de vida já não conseguia sobreviver nos tempos modernos – os herdeiros das antigas que queriam a encher de bebês para ver se faziam um futuro com mais soldados dispostos a lutar por pureza, com eles Cassiopeia não tinha a mínima ideia de como lidar.

vienna,  DRARRY ✔️Stories to obsess over. Discover now