Prólogo.

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Hanami Uchiha.

Algumas crianças têm a sorte de nascerem em épocas de paz, as chamam de crianças dos olhos de Deus, por serem vistas e abençoadas, enviadas para nascer em séculos de alianças e prosperidade.

Hanami nasceu da guerra.

Nascida da união de dois Uchihas. A segunda filha, primeira menina, adorada e amada. Veio ao mundo em meio ao embate contra o clã Senju, com seus cabelos escuros ainda ralos e um choro doído, como se o oxigênio que lhe trazia a vida pela primeira vez, também cortasse seus pulmões em respirações dolorosas. O médico que lhe tirou de dentro de sua mãe a envolveu em suas mãos, a segurando pela cabeça e quadris, levantou-se indo em direção à porta.

— É uma menina, meu lorde. — Ele anunciou para o chefe da casa, segurando a pequena com firmeza em suas mãos sujas de sangue.

Seu pai a estudou, observando suas primeiras expressões, escutando seu choro dolorido que buscava desesperadamente por conforto, suas mãos fechadas em punhos em pequenos espasmos que seu corpo, pequeno demais, não controlava; sua testa franzida ainda com o sangue de sua mãe. Ele sorriu um sorriso contido, com carinho em seus olhos que costumamvam ser severos.

— Uchiha Hanami, a primeira de seu nome, minha filha, assim será chamada. — Encheu de sua boca para apresentar a mais nova de sua linhagem. — Cuide de minha filha. — Continuou para o médico, não como um pedido, mas como uma ordem.

Seu pai partiu para fora, a deixando para ser entregue à sua mãe. Em meio a grande guerra, o líder daria de sua vida para proteger aos seus.

Sua mãe sorriu na cama, suada e ofegante, abriu os braços para receber sua filha. As mãos trêmulas buscavam firmeza para segurar a frágil bebê. Sua dama de companhia envolveu a pequena Hanami em um manto branco, bordado com o símbolo Uchiha, entregando-a para sua mãe.

— Minha filha... — Soltou em um sorriso embargado pelo choro travado em sua garganta. — Ela é linda. — Passou seus dedos delicadamente sobre a cabeça da bebê, que aos poucos acalmava-se com o toque de sua mãe.

☯︎

Os anos passaram, marcando cada fase de transição na vida da jovem Hanami. O clã Uchiha não conseguia definir em uma só frase o fenômeno que era a garota. Inteligente, sábia e de bom coração, cativava e fixava a atenção dos outros em si. Por onde passava deixava sua marca, sua voz ressoava pelos ouvidos de desconhecidos como uma canção quase infantil, que hipnotizava e fazia prestar atenção. As pessoas buscavam por ela, tinham curiosidade, a tratavam como algo quase divino, mesmo que ainda fosse apenas uma criança. Hanami cresceu doce, o amor não deu brechas para que o ódio semeado na guerra chegasse até ela.

A barreira de segurança criada por seus pais era impenetrável, sempre rodeada de guardas, sempre protegida como o tesouro mais valioso de Konoha.

Porém, os anos não paravam para que ela pudesse aproveitá-los um pouco mais, logo sua mocidade chegou, e com ela o peso de ser filha de quem era pousou em seus ombros como uma pedra quebrando a tensão da água, afundando. Já não passava os seus dias brincando no grande jardim de sua casa com outras crianças, nem mesmo passeando com sua mãe nas ruas do Distrito Uchiha, enquanto o seu povo lhe tratava com tanta afeição.

Seus dias tornaram-se rigorosos, com intensas aulas de etiqueta, idiomas, música e dança. Sua rotina tornou-se como a de uma verdadeira lady, estava sendo treinada para descobrir o que existe além da perfeição, e tornar-se ela.

Sua mãe a moldava com rigor, lhe corrigindo a postura e ensinando quando deve falar ou permanecer em silêncio, como sorrir e como se portar. Seu tom de voz fora treinado para ser suave, nunca intimidador, para que nunca soasse desrespeitosa; os cabelos longos e escuros sempre presos em um coque, para mostrar sua mocidade, quase um gesto sutil de submissão.

As mãos delicadas e polidas, pernas torneadas e corpo muito bem distribuído, moldado pelo modelo do corset que usava desde sua infãncia. Sempre com vestidos longos que cobriam dos ombros aos joelhos.

Fora programada para transparecer a imagem de uma futura esposa perfeita, para despertar em lordes e reis a vontade de fazer dela sua esposa. Cresceu e fora treinada para agradar um homem que sequer conhece.

Enquanto sua vida era tomada por deveres quase superficiais, o resto da população de seu clã enfrentava a guerra em busca de reconhecimento e sobrevivência. Escutava às escondidas, por trás de portas e paredes finas, as conversas de seu pai com o conselho Uchiha. A densa maioria girava em torno de soluções para os malefícios causados pela guerra ao clã. A quantidade dos combatentes havia diminuído drasticamente, a comida tornava-se escassa e a água precisava ser racionada para que todos pudessem sobreviver.

O inverno havia chegado há pouco tempo, e o que estava difícil parecia ter sido apenas um teste de mal gosto para algo muito pior. A liderança estava em agonia, caminhando para um beco sem saída, temendo ter que declarar derrota diante dos Senju's, uma derrota de honra e combate. Era impensável.

Sinais de fogo.Stories to obsess over. Discover now