Meus dedos pressionavam a palma de minha mão. Estavam gelados. Meus olhos ainda tentavam se acostumar com a claridade do lado de fora, embora o dia estivesse nublado – a maioria dos dias eram assim por aqui.
Eu podia ouvir dois homens conversando. Lukas era meu advogado, eu podia ouvir sua voz imponente de qualquer lugar. Ele parecia bravo. Ao lado dele, alguém com uma voz arranhada reclamava que "a decisão não é nossa".
Pisquei mais algumas vezes até que meus olhos parassem de arder. Os homens discutiam do lado de fora do carro de polícia. Lukas era alto, de pele escura e um sorriso assustador. Seus olhos castanhos normalmente eram ofuscados pelos óculos chatos e o terno cinza claro. Seu cabelo era raspado, assim como sua barba. Talvez fosse o perfeito retrato do advogado médio que qualquer cliente sonharia em pagar.
O outro homem, que eu só podia ver metade do rosto, era bem mais baixo e vestia o uniforme azul e sem graça da polícia. O cabelo era curto e o rosto parecia cansado. Provavelmente pegava mais turnos do que deveria.
Eles continuavam a brigar. Tentei tatear meu bolso atrás de uma bala ou, quem sabe, meu celular, mas estavam vazios. Depois do que pareceu uma eternidade, a briga acabou e o policial entrou no carro, comentando sobre odiar advogados. Ouvi duas batidinhas na janela e me virei para ver o rosto do meu advogado ali. Abri um pouco.
- Não escute o que eles digam, Alice. – ele lançou um olhar irritado ao policial, que suspirou – E não abra a boca! Você tem o direito de permanecer em silencio.
- Uau, nunca pensei que ouviria isso na vida real. – abri um breve sorriso – Até mais tarde, Luke.
O policial ligou o carro e partimos em direção ao norte. Eu não me lembrava da decisão da juíza, não importava, na verdade, mas seria interessante deixar a cidade por um tempo.
Quatro horas depois, ele parou o carro em frente a um prédio branco, provavelmente um hospital, e desceu. O segui com os olhos enquanto dava a volta no carro e abria minha porta.
- Senhorita Brooks, vai passar a noite aqui e amanhã será transferida para St. Lumine.
Concordei com a cabeça, ele estava apenas repetindo o que a juíza havia dito. Ele suspirou, segurando meu braço com força e me levando para dentro. Era um hospital. Uma mulher loira de olhos azuis e longos cílios nos esperava em seu uniforme impecável e azul.
- A senhorita deve ser a Alice, certo?
O policial concordou com a cabeça.
- Preciso preencher alguma coisa?
Ela voltou os olhos para a prancheta lotada de adesivos que tinha nas mãos.
- Quantos anos tem mesmo, querida?
- Quatorze. – resmunguei
Ela concordou com a cabeça, me entregando alguns papeis e uma caneta.
- Certo, agora é conosco.
O policial parecia aliviado quando se afastou e deixou o prédio. A enfermeira me guiou para uma pequena mesa de escritório que havia em um canto.
- Eu me chamo Dalia, querida – ela abriu um sorriso exagerado. – A senhorita pode me chamar se precisar de algo.
- Obrigada. – comecei a preencher os papeis assim que ela se virou. Eram informações básicas, nome, idade, data de nascimento.
Não levei muito tempo para escrever o que precisava, ou, no caso, o que eu sabia. A enfermeira veio quando a chamei e retirou os papéis, abrindo um breve sorriso ao ler.
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Lua e Sangue
RomanceHá os que creem em justiça divina, os que creem que os bons serão recompensados. Mas quem é verdadeiramente bom? Alice Brooks acaba de completar dezesseis anos e sua vida não poderia ser mais comum. Ela acorda todos os dias, estuda, reza e pede perd...
