Capítulo 1

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Summer City

Introdução

O ano era 2058, foi nesse ano que a maior pergunta da história da humanidade foi respondida, quando os Handarianos chegaram à terra. Foi uma surpresa global porque de alguma forma só notamos sua presença quando estavam perto da lua, quando ela ainda era só a lua. De algum jeito eles se mantiveram resguardados e incógnitos aos nossos sistemas de monitoramento e satélites, mas isso nem levantou suspeitas ou questionamentos.

Eles foram extremamente solícitos nas suas primeiras mensagens, quase como aqueles de filme dizendo que vinham em paz. Diziam que estavam aqui em missões de exploração, de levar o conhecimento para o universo, curar doenças, acabar com a fome e a miséria dos planetas. Esse discurso messiânico foi questionado por longos meses, de abril de 58 até agosto, quando então a maioria dos países que compunham uma cúpula emergencial para discutir como iriam lidar com essa descoberta, votaram a favor e receberam a visita que batia a porta. Os Handarianos sofreram quando chegaram na terra, não foram todos que os aceitaram de braços abertos. E mesmo em meio à uma desconfiança global, e até mesmo ódio de umas pequenas parcelas da humanidade, nossa visita fez aquilo que prometera. De fato, as doenças diminuíram, ninguém mais morreria de câncer, ninguém mais iria contrair HIV.

Eles nos ensinaram a respeito do nosso próprio DNA, poderíamos viver mais e melhor, eles nos ensinaram a respeito do nosso próprio planeta. Até 2061 trabalharam na humanidade. Então começaram a trabalhar na terra, ensinaram a plantar em maior quantidade e de forma sustentável, como balizar as necessidades da fome e o tempo de recuperação do planeta. Nos apresentaram novas espécies de plantas que serviam de alimento, ricos em proteína, assim poderíamos reduzir a criação de gado que tanto impactava o planeta. A partir de 2066 nos apresentaram novas tecnologias, nossa comunicação ficou mais ágil, não dependia mais de carregar um aparelho no bolso, podíamos simplesmente colocá-los no olho como lentes de contato e tínhamos a visão daqueles que nos chamava. Escutávamos o que diziam pelas vibrações que emitiam, éramos notificados do aniversário do vizinho em nossos olhos, consultávamos o saldo bancário e víamos os números ao ar, registrávamos os momentos que vivíamos sem a necessidade de desviar nossa atenção deles. Mudaram nossa perspectiva de como nos transportar. Nossos carros passaram a flutuar e em alguns casos voavam pelos céus de forma autônoma ou por quem quisesse pilotá-los. Não tínhamos mais inúmeros indivíduos que ficariam sem andar ou pegar objetos, nos ensinaram a simbiose do homem e da máquina. Pernas, braços, dedos, olhos, corações, tudo poderia ser sobressalente. Em 2077, após tantos anos de interação humana e handariana, soubesse do primeiro híbrido entre as espécies. Os Handarianos, assim como nós, humanoides, cabelos na cabeça e dedos nas mãos poderiam até se passar por humanos, se não fosse sua pele esverdeada e os olhos negros em sua totalidade. Seus olhos eram o antônimo da lua e essa característica foi herdada pelo primeiro híbrido, hora sim, hora não. Sua pele ainda era como a da mãe humana, mas para a humanidade não importava, eles passaram de salvadores e líderes da vanguarda para contaminadores e invasores interessados somente em se aproveitar da luxúria humana.

Antes os Handarianos lidavam apenas com uma pequena parcela da humanidade os repudiando e torcendo para que fossem embora, mas com o nascimento daquele híbrido eles resolveram revelar que não estavam aqui somente em uma missão filantrópica pelo cosmos, mas sim buscando espécies compatíveis para continuar a deles. Entre eles não era mais possível o nascimento, natural ou artificial, uma sociedade tão evoluída tecnologicamente iria perder seu maior bem por um acaso genético. Por isso avançavam de planeta em planeta buscando um que comportasse quem os pudessem ajudar. Mas apesar do nascimento da primeira criança, não podíamos, ou não queríamos, retribuir todo o avanço que nos proveram. Primeiramente porque agora a maioria da população era contra os visitantes, devido aos discursos preconceituosos de governantes e personas midiáticas mascarados de proteção da espécie humana, sem mais mestiçagem, que converteram uma grande parte daqueles que apoiavam os Handarianos. Em segundo plano, a primeira criança híbrida nasceu com uma fisionomia de um humano, diferenciando-se através os olhos que dançavam entre humano e Handariano e na grande deformação óssea que se desenvolveu desde a gestação. Conclusão: não éramos 100% compatíveis. A cada 10 crianças nascidas, 5 sobreviviam mais de 2 semanas e 3 dentre cem nascidas tinha uma fisionomia que pudesse torná-la um indivíduo funcional.

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