Tenho certos lampejos ocasionais de quando era criança. Lembrava da minha mãe que sempre dizia para continuar a ser um bom menino que o destino me iria ajudar. Mas parece que nada é assim tão fácil.
Eu comecei a questionar essas palavras, essa ideia de destino. Talvez seja apenas uma desculpa, uma justificativa para não assumir a responsabilidade por nossas próprias escolhas e ações. Escolhas? Sim, no começo eu tinha, mas hoje já as perdi.
Talvez seja uma forma de evitar a incerteza e a incerteza da vida, de evitar a responsabilidade de criar o nosso próprio destino.
Entendi que, em vez de esperar que o destino me ajude, eu tenho que ser o protagonista da minha própria história. Eu tenho que tomar as rédeas da minha vida e criar o meu próprio caminho. Eu preciso ser corajoso e fazer as escolhas difíceis, mesmo que isso signifique enfrentar a incerteza e o medo. Como eu era tão ingénuo por pensar assim. Até que então ela apareceu e quebrou todos os modelos de vida que eu já tinha pensado.
Abri os olhos e a única coisa que via era o teto. Tinha saído de um pesadelo, uma verdade extrauniversal criada por toda a maluquice da minha mente. Aquele maldito teto de todos os dias estava sob mim. Já estou cansado disso, cansado de acordar todos os dias com a mesma rotina e a mesma monotonia. Eu quero mais, quero algo novo, algo emocionante. Eu preciso mudar alguma coisa na minha vida, mas não sei ao certo o que fazer. Talvez seja hora de começar a tomar algumas decisões e fazer algumas mudanças, talvez seja hora de sair da minha zona de conforto e seguir. Eu preciso encontrar algo que me dê propósito e faça-me acordar todos os dias com um sorriso no rosto.
Suplicar agora não fará a mínima diferença, pensei enquanto levantava da cama. Eu preciso agir e não apenas ficar sentado esperando que as coisas aconteçam. Eu preciso tomar as rédeas da minha vida e fazer algo para mudá-la. Eu vou começar a fazer algumas pesquisas, falar com pessoas e ver o que posso fazer para melhorar a minha situação. Vou me esforçar para encontrar algo que me dê alegria e propósito, algo que eu possa-me dedicar e sinta-me realizado. Sei que não será fácil, mas eu estou disposto a lutar pelo que quero.
Pelo menos era isso o que eu pensava até me lembrar de tudo... Eu não podia sair daquela cidade, daquela vida, estou eternamente preso naquele destino fútil. Sou apenas um boneco que precisa de alguém a controlar, sem escolha, sem liberdade. Eu sinto-me como se a minha vida não fosse minha, como se eu estivesse preso numa rotina sem fim, sem esperança de escapar. Sinto que não tenho controle sobre a minha vida, que estou preso a um destino já traçado. Isso deixa-me desesperado, impotente e sem esperança. Eu queria poder mudar as coisas, mas parece não haver saída. Eu sinto-me como um fantoche, sem liberdade para tomar as minhas próprias decisões e sem escolha a não ser seguir o caminho que me foi traçado.
Tudo por causa dela... A sua inveja tirou tudo o que eu tinha, minha liberdade, minha felicidade, minha esperança. Ela plantou uma semente de ódio no seu coração e destruiu-me, prendeu-me a essa vida sem sentido. Eu tentei resistir, mas seus espinhos cortam-me todos os dias, me impedindo de sair dessa cidade, dessa vida. Sei que ela é a responsável por tudo isso, mas eu não consigo provar, ela é poderosa demais e controla-me como quiser. Eu odeio-a, mas também me sinto impotente diante da sua maldade.
Eu estou preso, preso ao passado. Não consigo sair dele, não consigo esquecer. Ele prende-me, controla-me, destrói-me. Eu sinto-me como se estivesse preso num labirinto sem saída, sem esperança de escapar. Eu estou preso a um amor possessivo e invejoso, um amor que me destruiu, consumiu-me, sufocou-me. Não consigo ver um futuro, só vejo o passado, o passado que me destrói a cada dia. Sinto-me sozinho, perdido, com medo. Eu sinto a dor, a dor que ele me causou, a dor que ele me causará para sempre. Sinto-me fraco, impotente, sem esperança. Eu não tenho forças para lutar, para escapar. Eu só sinto a dor, a dor de amar alguém que me destrói. Sinto-me preso, preso a um passado que me consumirá para sempre.
Tentei libertar-me, tentei esquecer, mas ele ainda está aqui, ainda está no meu coração, ainda me controla. Não me consigo livrar dele, não me consigo livrar dessa dor, dessa tristeza. Eu tentei tudo, mas nada funciona. Tentei-me distrair, tentei encontrar outra pessoa, mas não consigo esquecer. Tentei-me concentrar no trabalho, mas a dor é tão forte que me impede de avançar. Eu sinto que estou preso, preso a esse passado, a esse amor possessivo e invejoso. Eu sinto que nunca me vou libertar, nunca vou encontrar a paz, nunca vou ser feliz novamente. Só posso sentar, chorar e pensar no antigo amor que um dia tive. Eu sinto tão sozinho, tão perdido. Não sei o que fazer, não sei como sair dessa situação. Eu só me posso perguntar: Como eu vou viver assim?.
Pergunto-me sobre o início das coisas. De onde tudo veio? Se há um propósito, se há um plano. Pergunto-me sobre o fim das coisas. Para onde tudo vai? Pergunto-me se há algo além desse mundo. Pergunto-me se essa vida é tudo o que há, se essa é a única hipótese que temos.
Eu penso sobre como tudo começou, sobre como tudo está interconectado, como tudo está relacionado. Eu penso sobre como tudo é passageiro, como tudo é efêmero. Nada dura para sempre, tudo muda, tudo evolui. Mas eu não. Continuo aqui mesmo passados esses anos. Intacto, sem movimento, sem força para causar a inércia.
Não. Pergunto-me se tudo tem um propósito, se tudo tem um significado. Pergunto-me se há algo além da realidade física, se há algo além do que podemos ver e tocar. Pergunto-me se há algo além da vida, se há algo além da morte.
Talvez todas essas dúvidas nunca sejam respondidas. Talvez ninguém apareça para me ajudar a seguir em frente. Talvez nunca supere aquele coração que me feriu. Eu não sei de mais nada....Minto. Só sei que continuarei aqui à espera do que o destino tem para me oferecer, mas eu também me pergunto se o destino é realmente algo que nos é dado ou se é algo que criamos. O início e o fim, são esses conceitos reais ou simplesmente convenções criadas pela humanidade? E se o início e o fim não existissem, o que seria de nós? Como encontraríamos significado nas nossas vidas?
Eu penso que talvez o início e o fim sejam apenas ideias, conceitos criados para dar sentido ao caos da vida. Talvez não haja um início e um fim, talvez apenas haja uma continuação. E essa continuação é o que importa, é o que nos dá esperança e nos faz seguir em frente. Essa continuação eu já perdi há muito tempo, desde aquela noite chuvosa, desde quando os nossos corpos tocaram-se.
Talvez o destino seja mesmo esse destino que eles dizem. Ao sentar na minha mesa, abria o caderno e sob ele escrevia os meus pensamentos daquela manhã.
O presente que eu vivo já não é mais o mesmo do presente que eu deveria viver. Sim, está mais atrás. Talvez apenas precise de um café... Possa ser que volte à minha sanidade habitual e pare de me armar em filósofo.
Enfim, mundo, o que você me trará de mais sofrimento neste dia de hoje?
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Uma Coletânea de Pensamentos
Teen FictionColetânea de capítulos sobre os pensamentos de um narrador adolescente
