Capítulo Único

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"Ao belo frio e seu vento para unir casais"

Cachecol

A noite fria batia em sua porta.

O garoto de fios loiros como o sol se revirava na cama, inconformado pelo sono que se esvaiu. Era engraçado como ele estava com tanta vontade de dormir há poucos segundos.

Então Naruto Uzumaki se levantou, sentando-se no macio colchão; passou a mão pelo rosto cansado, murmurando palavras que não podiam ser entendidas. Trancou-se dentro do banheiro do curto corredor, no pequeno apartamento no centro da capital — Konoha.

Ligou a luz e se olhou no espelho, estava acabado. Ali ele fez o que precisava, lavou o rosto, a mão e depois saiu do pequeno cômodo. Suspirou.

Mordendo o lábio inferior, pensou que talvez pudesse achar algo legal para observar de sua sacada; então para lá ele foi. Parou encostado no parapeito gelado pela noite, encarando a praça em frente à sua casa. Por seu apartamento ainda ser no segundo andar, ele pôde observar quando a mesma mulher de todas as outras noites se aproximava.

Cabelos longos, pretos e lisos voavam com o vento; sua pele pálida, tão branca, ficava meio rosada pelo ar frio. Ele nunca conseguiu ver seus olhos ou seu rosto, mas julgava ela como bela. Talvez tivesse criado em sua mente como seria encontrá-la, sua voz, suas feições, sua personalidade... Ele a observava sentar-se no banco de pedra e tirar o belo cachecol vermelho de um pacote de papel. Naruto a viu começar a tricotar, ela sempre fazia isso e ele se perguntava há quantas noites ele a via fazer este mesmo ritual.

Ele pensou, pensou, pensou e se deu conta que já estava para completar um mês e um pouquinho. Bastante tempo se considerarmos que são mais de trinta dias e mais de setecentas e vinte horas desde a primeira noite.

Naruto pensou mais um pouco, o que já era um milagre, e decidiu que deveria descer, dar uma volta pela praça e chegar para conversar com aquela mulher. Então ele parou de pensar antes de raciocinar que poderia assustá-la.

Esse era Naruto Uzumaki, pensava até certa parte e depois parava. Sakura, sua melhor amiga, já estava cheia de alertá-lo sobre como essa sua mania acabaria o colocando em perigo, mas ele nunca ouvia ela.

O garoto de cabelos loiros e olhos azuis caminhou até o seu guarda-roupas e pegou um casaco laranja com preto, junto a uma calça jeans. Depois de vestir a roupa, caminhou até a área de entrada e pegou suas chaves, essas que sempre ficavam penduradas em um pequeno ganchinho ao lado da porta. Abriu a porta de madeira escura e passou, fechando ela logo depois.

A luz do corredor se acendeu automaticamente e ele caminhou até as escadas, descendo os degraus em uma velocidade considerável. Passou pela porta azul com o número 1, descendo mais uma sequência de escadas, chegando em um porta igual a outra, só que com a letra T marcada nela. Ele a empurrou, sentindo o enorme peso contra seu corpo; ele nunca entendeu o motivo dessas portas serem tão pesadas.

Assim, ele passou pelo saguão de entrada, onde o senhor Hiruzen sempre ficava, e depois pela porta de vidro na entrada do prédio. Ele se arrepiou com o vento frio da noite batendo contra seu rosto, respirando fundo, esperou o sinal verde para atravessar. Em passos largos chegou ao outro lado da rua, na tão famosa praça dos Hokages, localizada bem no centro da capital do país.

Ele encarou a iluminação de natal, as árvores todas brilhantes com piscas-piscas, algumas indo de uma árvore para outra. A decoração também contava com uma árvore gigante no centro da praça, que também brilhava incrivelmente forte. A praça estava linda, como sempre ficava naquela época do ano.

Apesar da decoração turística, a praça estava quase vazia, quem a olhasse agora não imaginaria o quão movimentada aquele lugar ficava de dia, principalmente quando o natal chegava e quase todas as famílias se reuniam no local, tornando-se impossível andar ali.

CachecolWhere stories live. Discover now