O Acidente

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    - Anda Mel! A gente vai se atrasar!

    - Já vou mãe! 

    - Você já tá aí dentro a meia hora. Tem gente aqui que precisa usar o banheiro!

    - A culpa não é minha se essa casa só tem um banheiro!

    - Tá, só... anda logo.                                 

  (Melissa abre a porta)

   - Nossa... Você...

   - Tá, tá. Não foi você quem disse que a gente ia se atrasar?! 

  - Ah, sim claro. Vai indo pro carro que eu já vou.

  - Tá.

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    (Julya abre a porta do carro)  

 - Pronto, vamos?!

 - E você pergunta pra mim? É você quem tá dirigindo!  

 - Era só uma brincadeira.

- Ok, vamos.

  Era outono, as ruas estavam repletas de folhas alaranjadas, Mel e Julya já haviam buscado Fred no aeroporto e estavam voltando para casa. Eram mais ou menos 19:20 , quando, de uma hora para a outra, começou a chover. A chuva ainda era leve, quase como uma garoa que, aos poucos, foi virando uma tempestade. O vento havia ficado muito forte, e acabou jogando o carro contra um poste.

  Aquela noite estava escura, mais escura do que o normal, mas, ainda assim dava pra ver o medo no olhar da família.

   Após o acidente, a família ficou inconsciente por alguma horas. Melissa não continha ferimentos muito graves, pois estava no banco traseiro, porém, não dava para dizer o mesmo de seus pais, que estavam no banco de carona e no banco de motorista.

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   Mel foi a primeira a acordar, e ao seu lado, a enfermeira. 

   - Ah, q-quem é você? Onde eu estou?

    - Calma, calma! Tá tudo bem! Eu sou a Enfermeira Luiza, e você está no hospital.

   - H-hospital? O que aconteceu?

  - Você e seus pais sofreram um acidente de carro e... 

  - Péra! Acidente? Onde estão meus pais? Eles estão bem?

   - Por enquanto eles ainda não acordaram mas, não precisa se preocupar com isso agora.

  - Não me preocupar? A gente tá falando dos meus pais que estão inconscientes! INCONSCIENTES!

  - Eu entendo flor, mas voc...

 - Não me chama de "Flor" ! Eu nem te conheço e...

    (Luíza injeta calmante em Melissa e ela desmaia)

  - Aff! que garota chata! -Cochichou Luíza para o médico que estava ao lado de fora da sala. 

  - Deixa comigo -Disse o homem - Ela não parece tão chata como você disse. Ela, só deve estar assustada, com, bem, tudo isso. Mas também, quem não ficaria?!

   - Talvez você tenha razão. Mas de qualquer forma, eu não vou cuidar dela. Já tenho meus pacientes, ela vai ficar por sua conta,não me responsabilizo a não ser que algo aconteça.

  - Fica tranquila Luluzinha -Ele diz em tom de deboche.

  - Não me chama de Luluzinha! Você sabe que eu não gosto! 

   - É que esse apelido me trás boas memórias. Você sabe, na época em que a gente... 

  - Xiuuu! Cala a boca!

  - Por que você esconde? O que tem de mais? 

  - O que tem demais? Você sabe! Todos aqui acham que eu sou uma mulher séria! Que nunca tive ninguém! Se soubessem que eu já tive um casinho com você, minha reputação iria por água abaixo!      

   - Péra, péra, péra! Casinho? Tem certeza que a gente está falando da mesma coisa? Porque você amava quando eu te dava beijinho de boa noite. E quando... 

  - Aqui não é o lugar mais apropriado pra gente falar disso!

  - Então aonde?

  -... Bar do seu Zé! Amanhã 19 horas em ponto.

  - Ok. Estou ansioso para nosso encontro!

  - Não é um... ah, esquece, não valê a pena brigar por isso.

 -  Então, até amanhã? 

  - É, mas não conta isso pra ninguém, entendeu? Ninguém! Se não eu te mato!

  - Pode deixar, Luluzinha.

   - Vai trabalhar! 

  -Tá.

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   No dia seguinte, Melissa acordou, e, dessa vez, estava mais calma. Luíza, já não estava mais no quarto, no seu lugar estava Carlos. Assim que ele viu a garota acordando, lhe deu um copo d'água e uma fatia de bolo. Eles conversaram um pouco enquanto ela, que já não comia a um dia, devorava seu café da manhã, e depois que conversaram, Mel voltou a dormir.

  Naquele mesmo dia, aconteceu o ''ENCONTRO'' de Luísa e Carlos. Carlos, estava parado em frente ao Bar do Seu Zé olhando para o relógio que dizia ''18:53''. A essa altura ele já estava quase desistindo, quando, exatamente as ''19:00 horas'' Luísa chegou.

  - Já estava achando que a senhorita não viria mais.

 -  E por acaso eu já fugi de alguma promessa?

 - É, acho que não...

  Depois de um tempo conversando, Luísa recebe uma ligação. 

  - Ah, espera um pouco Carlos.

  - Tá.

 (Na Ligação)

  - Olá. Quem fala?-perguntou ela.

  - Olá, sentimos muito em lhe informar mas, os pais da paciente do quarto 11 faleceram nessa noite. E gostaríamos que você e o Dr. Carlos viessem consolar a menina.

  - Ok. Estou a caminho. -disse Luísa desligando o seu celular.

  - O que aconteceu? -perguntou Carlos.

  - Os pais daquela Garota morreram!

  - Qual garota? Aquela quem você chamou de chata?

  - É! E estão chamando a gente.

  - Então vamos! - disse ele.

  Pagaram as contas no bar, e foram  para o hospital. Lá, eles entraram no quarto 11 ver como Mel estava. Ao passarem pela porta, puderam ver uma jovem com aparência  de quatorze anos, cabelo escuro e curto, aos prantos em cima da cama. Assim que ela os viu, chorando e gaguejando ela falou:

  - Por que eles? Eles eram tão jovens, não mereciam isso!

  Carlos e Luíza se entreolharam e então foram abraçar Melissa.

  - Sentimos muito. - disse ele.

  - Vai ficar tudo bem. - disse Lu - Vai ficar tudo bem...

MomentosWhere stories live. Discover now