Esse é o início do meu diário e de minhas revelações.
8 de setembro, 3 meses antes do fim do ensino médio
Tudo que cresci acreditando aos poucos foi mudando. Por exemplo, sempre acreditei em amor à primeira vista. Mas com 11 anos meu primeiro namorado me trocou pela minha melhor amiga. Ele disse que estava apaixonado e que só esteve comigo para ficar perto dela de forma mais fácil. Acho que a partir dali o amor morreu pra mim e nunca mais consegui me apaixonar ou conectar com alguém. Como uma coisa pode afetar tanto a gente, né?
Desde então tive crise de autoestima, ansiedade, desenvolvi depressão ( já estou melhorando) e bloqueio emocional.
Droga, acabei falando e falando e esqueci de me apresentar.
Oi, eu sou a Lua. Tenho quase 18 anos, nasci nos Estados Unidos, mas desde que minha mãe faleceu vítima de depressão, quando eu tinha 9 anos, eu moro com o meu pai aqui no Brasil, em São Paulo.
Acho que nem tudo foi sempre tão caótico assim. Lembro de quando eu tinha 6 anos e ainda vivíamos nos Estados Unidos e eu amava correr e dançar. Tudo bem que eu dançava e corria pela casa como uma forma de fugir da gritaria entre meus pais, que por sinal era bem recorrente, mas, enfim, acho que eu gostava de dançar. Era como se o mundo ao redor tivesse parado e só eu estivesse ali. Era como se tudo fosse paz, ao invés desse caos que é a vida real.
Sinceramente? Acho que não tenho muitas memórias com a minha mãe, embora antes de morrer ela tenha feito várias cartas dizendo o quanto me amava e desejando que eu fosse feliz e nunca desistisse dos meus sonhos. Obrigada, mãe. Mas seria um pouco mais convincente se você não tivesse me deixado aqui, sozinha, com o meu pai.
Falando assim parece que eu odeio ele, mas não. Não toda hora pelo menos.
Meu pai não é lá um dos melhores pais do mundo e com certeza também não foi um dos melhores maridos.
Entretanto, acho que o que restava nele de amor e carinho por mim morreu junto com a minha mãe, tendo em vista que eu sou a cara dela e ele meio que foi um dos motivos para ela ter cometido suicidio (ou pelo menos, é isso que eu acho). No início, quando eu era bem pequena meus pais eram o amor um da vida do outro. Era como se fossem um casal de conto de fadas, mas, aos poucos tudo foi esfriando e quando eu vi meu pai já estava se relacionando com outras mulheres e minha mãe estava diagnosticada com depressão após descobrir às traições.
Por fim, ela cometeu suicídio no nosso banheiro e desde então minha vida foi de mal a pior.
Não deve ser fácil olhar para a minha cara todo santo dia e ver o reflexo da minha mãe. Nem eu aguentaria.
Meu pai não para com uma namorada, toda semana eu conheço uma mulher diferente e escuto baboseiras de amor. Coitadas. Mal sabem elas que elas são só formas de diminuir a culpa que meu pai sente pela morte da mamãe.
Agora me diz como acreditar que o amor é real quando seu próprio pai te faz desacreditar disso?
Falando ainda de mim, faltam 2 meses para o término do meu ensino médio e o início da faculdade. Eu estudo em umas das melhores escolas de São Paulo. Sabe aquele pessoal nariz em pé, que nem filme Hollywoodiano? São os meus amigos.
Meu pai é coronel da polícia militar. Temos uma boa condição financeira ( mental eu já não posso dizer o mesmo) e eu vivo em uma área nobre da cidade, então meus amigos fazem parte da elite brasileira e de certa forma, eu também.
Aproveitando esse clima de final de ano e final de escola, meus amigos vivem me chamando para sair para as baladas, embora não seja muito a minha vibe e eu sempre recuse.
Mas, minha melhor amiga Alice, a qual vai morar no exterior daqui a 3 meses me convenceu, no último dia aula a ir para a uma balada aqui na cidade, onde segundo ela todo mundo vai e vai ser bom pra minha cabeça sair um pouco de casa e socializar com algumas pessoas e talvez até ficar com alguém e abrir meu coração. ( ela é louca em pensar que eu realmente faria isso).
Alice sempre foi o meu oposto em tudo. Ela ama socializar, é super romântica e seus pais são super unidos e melhores amigos dela. Alice sempre foi sonhadora e eu sempre fui pessimista em relação a tudo.
Não sei o que vai ser de mim quando ela for embora.
Alice me convenceu a ir na bendita balada no último dia de aula, mas mal sabia ela que aquele dia mudaria pra sempre a minha vida inteira.
YOU ARE READING
Azul é a cor da lágrima e do amor
RomanceSerá que acreditar no amor é válido? Será que se entregar de corpo inteiro vai de fato preencher? Às vezes o amor cura, mas às vezes o amor destrói. Lua, de quase 18 anos, nascida nos Estados Unidos, mas criada desde os 8 anos no Brasil, na área n...
