Ela me olhou.
Consegue ver a dúvida em meus olhos?
Deixei de vir aqui, muitas vezes pra te ver, afinal, estou perdido; como saberia o caminho?
Quando venho aqui, é de forma repentina.
Afinal, estou perdido; eu já vim aqui?
Com sua deixa, eu corria a cantos, lugares antigos, paisagens distorcidas onde sei que já estive; sim. eu me lembro de estar aqui.
Mas friamente sento, e fico.
Estou em casa.
A mesma casa que tudo que me serve são alguns sapatos apertados, surrados e tristes, umas comidas frias, que não me tocam o paladar, pois as engulo.
Com a mesma veracidade e controle que seguro minhas lágrimas.
(E mesmo que as soltasse, poderia me ouvir?)
Minhas mãos, desajeitadas e empolgadas agora tudo que toca é de fato áspero.
(não como eu, aqui passando, sinto em sua pele.)
O paladar que me restou, após tantos cigarros rapidamente carburados, já não me levam a cativar tanto o quanto ainda sinto, sabor em meio de suas pernas.
(Aqui, onde novamente, talvez e apenas talvez, estivesse perdido.)
Sempre tão linda, eu a vejo tão claramente, quase como se ainda a estivesse olhando, e me perguntando o que seria eu capaz de fazer pra que você visse pelos meus olhos o quanto seu cabelo estava perfeitamente arrumado
(Com grande certeza, esse não é um caminho, é apenas mais uma lembrança)
Hoje ando nas ruas, são cinzas, não brilham como brilhou o sol, naquela caneca nossa vermelha, tocando sua boca macia, segurada pelos seus longos e finos dedos, enquanto ouviamos a música calma e acolhedora, que compartilhavamos gostar, bebendo seu chá, desbravando seu olhar pela janela, enquanto eu admirava toda a sua linda curva...
devo correr para casa?
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O caminhar
Poetrypassos e passos todos os dias. ando por minhas memórias ou pelas ruas cinzas? talvez os dois. tenho que seguir.
