Isabela Alves
Estou nessa delegacia há quase um ano. E tudo o que fiz até agora foi multar carro parado em lugar proibido. Meu chefe? Um pé no saco, machista do caralho. Minha vontade é meter um rojão no ** dele.
Me formei com as melhores notas — tanto nas provas quanto no campo. Eu estou preparada. Meu pai foi detetive de homicídios, meu avô foi delegado, e meu bisavô também. Eles contam comigo.
Passo a mão no rosto, frustrada.
— Ei, Isa! Rodrigo quer você na sala dele — avisa Pedro, um dos policiais que trabalha comigo.
Rodrigo é o chefe daqui. O mesmo que eu sonho mandar pelos ares. Bato na porta e entro.
— Oi, chefe. Queria falar comigo? Como o senhor está?
Estico a mão pra cumprimentá-lo, mas ele nem se mexe. Me sinto uma idiota.
— Tô ótimo. Vamos direto ao ponto.
Ele se recosta na cadeira com aquele ar de dono do mundo.
— Tivemos uma reunião hoje pra montar um plano e capturar o dono do morro do Alemão. O último policial infiltrado morreu. Mas, antes disso, o infeliz conseguiu uma foto dele.
Rodrigo joga a foto na minha frente. Um homem alto, branco. O rosto tá meio borrado, mas dá pra ver uma tatuagem no braço esquerdo com um nome. Ao lado dele, uma mulher, provavelmente em algum baile.
— Depois de muita discussão, decidi colocar você no caso — diz ele, com um tom debochado.
Dou um gritinho de felicidade, mas disfarço quando vejo o olhar dele.
— Você vai se infiltrar como professora, procurando uma casa pra alugar. Mas, se tiver medo, ainda dá tempo de desistir.
Machista escroto. Ele queria que eu recuasse.
— Eu aceito! Só achei estranho não terem me chamado pra reunião.
— Fui eu quem pediu pra não te avisarem. Só estavam os mais experientes. Ninguém quis essa missão. Quem melhor que a filha do detetive Alves, né?
Fuzilo ele com os olhos, mas mantenho a postura.
— Quando eu começo?
— Daqui dois dias. Prepara suas coisas, você vai ficar lá o tempo que for necessário. Seu nome continua o mesmo, pra facilitar: 25 anos, solteira, nascida em Minas Gerais. Veio pra São Paulo criança, criada pela avó depois da morte dos pais. Ela morreu quando você tinha 18. Desde então, você tá sozinha no mundo. Decora sua nova história.
Gravo cada detalhe.
Saio da sala ansiosa. Finalmente vou fazer o que amo: caçar bandido.
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Em Casa
Levo 30 minutos até chegar em casa. Moro com meu pai. Minha mãe está longe, foi estudar moda em Milão e nos deixou por um tempo.
— Pai! Pai! — grito pela casa.
Ele tá no sofá, deitado, e eu pulo em cima dele.
— O senhor não vai acreditar! Consegui meu primeiro caso!
Ele me abraça forte.
— Eu disse que você ia conseguir, minha pequena. Você é o maior orgulho do seu pai. Eu te amo, minha abobrinha.
— Para, pai! Assim eu choro.
— O que você vai fazer?
— Informação confidencial.
Ele me dá um cascudo.
— Tá bom! Vou me infiltrar no morro do Alemão como professora.
Vejo o semblante dele mudar na hora.
Conto tudo sobre o caso...
— Isa... só dois dias pra se preparar? Isso é irresponsabilidade! Vou ligar pro Rodrigo.
— Não, pai! Essa é a minha chance. Não me tira isso, por favor.
Ele suspira, derrotado.
— Tudo bem... mas se acontecer alguma coisa, me liga.
— Não posso, pai. Eles têm rastreador de chamadas igual ao da polícia. Se eu ligar, eles descobrem pra quem foi e puxam a ficha inteira. Mas vou dar um jeito, mando SMS... quase época da pedra. — Dou risada e beijo a careca dele.
Meu pai abaixa a cabeça, vencido.
Subo pro meu quarto. Começo a fazer as malas e percebo que só tenho roupa de grife. Se eu aparecer no morro com essas roupas, vão sacar na hora. Vou fuçar no sótão.
Acho umas roupas da minha mãe, da época que ela tinha um bazar beneficente. Quase um tesouro escondido. Jogo tudo na cama e encontro uns blazers e saias, bem estilo “secretária gostosa”. Também acho blusas do Brasil e uns shorts jeans surrados. Perfeito. Separo o que vou levar, mas tá tudo cheio de poeira. Capaz dos bandidos acharem que eu também sou traficante, com tanto pó nessas roupas.
Coloco um pagodinho na caixa de som, jogo as roupas na máquina e vou preparar o almoço: macarrão com salsicha. Se minha mãe visse isso, teria um troço. Ela contratou até chef particular, mas eu prefiro um bom cachorro-quente do que qualquer comida gourmet. Sou rica, mas meu paladar é pobre.
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Oi, xuxus!
Esse é o meu primeiro livro. Me perdoem pelos erros ortográficos. Não sei muitas gírias e não entendo nada sobre morro. Tudo aqui é pura ficção!
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Talvez eu te ame
FanfictionIsabela não sabia quem ele era. Só sabia que o jeito como Jorge a olhava fazia seu corpo esquecer que ela estava ali a trabalho. Enviada como policial disfarçada, sua missão era clara: descobrir quem liderava o tráfico no morro. Mas quando a verdade...
