O Dono do Bunker

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Conto escrito por Ella Ferreira, @intrografando no instagram

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Conto escrito por Ella Ferreira, @intrografando no instagram

Revisado por Marina Guerra, @escrevemarina no instagram

Classificação indicativa: +16

Alerta de gatilho: Sangue, violência e apocalipse

***

Parte I

Já haviam se passado tantos meses desde o Dia Inesperado que Jenifer mal se lembrava como era a vida antes. Não que ela tivesse muito tempo de sobra para viver de fato, mas entre antes e agora, ela preferia, sem hesitar, sua vida corrida e atolada de antes. Desde que o inesperado aconteceu, tudo o que ela conseguia fazer, — ou melhor, podia — era ficar em seu quarto e tentar achar uma solução para aquilo.

Um barulho na parte de baixo da casa fez com que ela largasse o microscópio e corresse a mão no revólver que estava logo ao lado. Ela não se orgulhava de tê-lo e muito menos de como o conseguiu, mas também não tinha opção. Seu coração batia forte, quase como se quisesse distraí-la da sua missão de sobreviver.

Um estrondo, e o vidro de sua porta de entrada se quebrou, fazendo suas pernas fraquejarem. Outro estrondo, e a porta de entrada estava escancarada, bem como seus poros que expeliam suor. Com o que lhe restou de bravura no peito, ela caminhou até a porta do quarto o mais furtiva possível, lutando para manter o ar entrando e saindo de seus pulmões, ao mesmo tempo que precisava conter o som da respiração acelerada. Aproximou um olho da fechadura na tentativa frustrada de ver algo no corredor. Os passos lá fora agora pareciam estar ali, bem ao lado dela. Ela conhecia perfeitamente o som e ritmo daquelas passadas, era como o som da fome desesperada. Um terceiro estrondo bem na parede vizinha a fez pular num susto com uma mão na boca contendo o grito na garganta.

O que antes eram apenas sons de passos, tornaram-se ruídos de móveis arrastados entre uma briga, uma voz masculina se esforçando numa luta por sua vida e, por fim, um tiro que a despertou do congelamento que até então não havia notado, conscientemente, que estava. Correu e pegou sua bolsa repleta de utensílios de primeiros socorros, suas últimas anotações e avanços na pesquisa e o essencial para continuá-la. A mulher negra com cabelos raspados já havia entendido que ali não era mais seguro. Respirou fundo uma e outra vez, criou coragem para sair. Ouviu uma voz do outro lado da porta, fazendo-a sentir alívio por não ser um canibal mas também um estranho arrepio.

— Se tiver alguém aí, saia de trás, vou arrombar! — o homem gritava como se nada estivesse acontecendo ao redor.

— Vou abrir — Jenifer murmurou.

O homem branco, corpudo e de barba longa que se revelou parecia um lenhador. E a garotinha ao seu lado carregava a postura de um cão acuado mas, naquela situação, quem não carregaria?

— Preciso achar roupas e medicamentos para estoque. Você é médica? — disparou ele, esticando o pescoço para bisbilhotar dentro do quarto.

— Pesquisadora.

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