Abro meus olhos com dificuldade, está tudo embaçado e escuro, minha cabeça dói tanto que parece que levei uma pancada bem forte. Por mais que eu abra mais os olhos não consigo ver nada.
CABRUUUUUM- o estrondo de um trovão me faz pular e perceber que não consigo me mover, tem algo errado, por quê não consigo levantar meus braços nem minhas pernas, o clarão de um raio ilumina a escuridão que antes me cegava e finalmente pude ver.
ESTOU PRESA- isso não faz sentido eu estava na rua e de repente eu tô aqui presa em uma sala totalmente vazia exceto pela espécie de maca em que eu estou deitada e presa, amarrada com cintos de couro, um no pescoço, que me impede de levantar a cabeça para olhar melhor, outra nos ombros e outra nas pernas. - "Eu preciso sair daqui eu não sei quem fez isso, mas com certeza não é uma pessoa amigável!!"
Começo a debater-me ao máximo para que eu consiga soltar pelo menos o cinto dos meus braços, porem ele nem se move, mas não posso desistir tão fácil assim, talvez ele não seja tão forte quanto parece, se eu fizer uma forcinha pra cima talvez ele arrebente.
Huuuh- tentei empurrar o máximo pra cima até que pensei em ter ouvido um ranger de madeira.
Meu Deus,isso não pode estar acontecendo comigo, enquanto as lágrimas escorrem pelo meu rosto vejo alguém se aproximando, mas não consigo me virar pra ver quem, o cinto em meu pescoço me impede.
-ei, eu vou te ajudar a se soltar- uma voz de criança fala ao meu ouvido e eu só posso agradecer por ela estar aqui.
-Ah Meu Deus, por favor, meu ajuda, me ajuda- implorei enquanto ela tirava o cinto do meu pescoço, depois dos meus braços e por último dos meus pés.
-Pronto, agora você só precisa sair da casa e estará livre por completo, venha.- a menininha disse pegando na minha mão direita e me puxando em direção a porta que ela entrou.
-Obrig.......
-shhhh- ela me interrompeu antes de eu terminar de agradecer.
-Silêncio ou vamos ser pegas- ela disse parando e se virando para me encarar e virando-se novamente para continuar o caminho.
Subimos dois lances de escadas em completo silêncio até chegarmos em uma porta metálica com um painel de led ao lado, aparentemente chumbado na parede, a menina se inclinou e começou a apertar alguns botões e pude perceber que era uma senha ......06 consegui ver apenas os últimos dois números ,que a garotinha de camisola até os pés e cabelos soltos digitou.
Assim que ela abre a porta um raio ilumina o caminho em que iremos passar. É um escritório,pude ver duas janelas enormes que iam quase até o teto, que deveria ter quase uns 4 metros de altura, uma mesa longa que aparentava ser de madeira antiga porém bem conservada, ao seu redor havia mais de dez cadeiras feitas da mesma madeira, mas pareciam ser acolchoadas com um tecido escuro que não consegui ver direito.
Enquanto eu observava a estante de livros que tampava a porta em que passamos a menina de cabelos ondulados e compridos estava mexendo em uma das gavetas da escrivaninha posicionada no canto da parede, de lá ela tirou uma chave e veio até mim esticando o braço pequeno para me entregar um chaveiro com apenas uma chave.
-Essa é a chave do barco, o resto do caminho você vai terá que ir sozinha, eu não posso ir lá fora- uma sensação de alívio e desespero tomam conta de mim. fitei a chave na minha mão, -como uma coisa tão pequena poderia mudar uma vida?
-Você só precisa seguir por essa porta.- ela disse apontando para a porta de madeira clara com batente marrom e puxador prata.
-Continue direto até o fim do corredor, vire a esquerda, suba a escada de madeira, assim que você chegar na parte de cima, verá a porta, e aí você estará livre- ela não me deu tempo de tirar dúvidas ou até mesmo agradecer, ela se virou e correu para outra porta que eu nem havia reparado que está ali.
Abri a porta que antes a menina havia me mostrado, respirei fundo e corri pelo longo corredor enfeitado com cortinas brancas que cobriam toda a parede direita, e no final do corredor uma que se destacava por ser a única se movendo, enquanto as outras estavam estáticas, meu corpo congelou, parecia que algo estava me esperando, enquanto me aproximava um vento frio afastou a cortina da parede e eu pude ver a janela de vidro aberta, isso me deu um alívio, não era nada, pelo menos era o que eu pensei até reparar bem o que estava lá fora.
-Meu Deus, isso é água!! - Isso não pode estar acontecendo, me recordei rapidamente do que a menina havia me falado, eu não tinha me percebido, até ver o que me esperava.
Meus movimentos parecem estar em câmera lenta, isso não poderia estar acontecendo comigo, que pessoa doente faria isso, me prender em uma ilha, não faço ideia do motivo e nem de quem foi que fez isso, mas não vou ficar aqui para descobrir.
Me recompus e continuei seguindo o caminho que ela tinha me descrito, e assim que entrei numa espécie de sala nem precisei procurar a escada, ela estava ali como se dissesse "suba por mim" e assim eu fiz, eu nunca tinha subido uma escada tão rápido, chegando no último degrau, ali estava, a minha liberdade, as lágrimas escorrem no meu rosto enquanto eu corro como o resto de força que eu ainda tinha em direção a saída.
-Ela fugiu corre vai atrás dela- uma voz feminina diz gritando no andar de baixo, o que só me faz correr mais rápido
- Está lá em cima,vamos - a mesma voz disse e pude ouvir os passos pesados na escada.
eu estava cada vez mais perto, quase que pudia sentir a chuva cair sobre mim, até que
POOOOOOOOOW.
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Fire
Teen Fiction-MAMÃE ELA ACORDOU, ELA ACORDOU- Meu Deus, será que alguém de bom coração me viu na rua e me pegou com pena? eu estou segura agora ? Ou talvez eu nunca fui sequestrada, como meu cérebro pode criar essa ilusão assustadora para mim?, ainda bem que não...
