MIDNIGHT CONFESSION

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É uma daquelas noites novamente.

Jeongyeon virou de um lado para o outro na cama pelas últimas três horas, mas sem sucesso. Tentou fazer o exercício de respiração ensinado por seu conselheiro, mas sem resultado. Chegou até a contar carneiros — perdeu a concentração no número 129.

Seu último recurso foi tomar um de seus remédios para dormir, mas nada parecia funcionar: o sono simplesmente não vinha.

Pensou em ir ao quarto de Jihyo, mas sabia que a amiga estava exausta depois da sessão de fotos para a Cosmopolitan. Com certeza seria recebida de braços abertos, porém não queria que Jihyo se preocupasse quando precisava descansar.

Então, pensou em Mina.

Certamente ela não se importaria com uma visita inesperada, mas da última vez que dividiu o quarto com a amiga, as duas acabaram passando a noite acordadas.

Se havia alguém que entendia o que estava sentindo, era Mina — que já havia passado pelo mesmo. Naquela ocasião, conversaram a noite toda: compartilharam medos, experiências, ataques de pânico, ansiedade e tudo o que envolvia sua saúde.

Não era que Jeongyeon não quisesse repetir aquela conversa; sentia-se bem e confortável ao se abrir com ela. Mas, naquela noite, tudo o que desejava era apenas dormir. Planejava trabalhar horas extras no dia seguinte, praticando a coreografia para o novo single japonês.

Pensou também em ir para casa.

Lá, sem dúvida, adormeceria em segurança. Mas levaria uma hora para chegar e outra para voltar ao dormitório, onde seriam buscadas pelos managers logo pela manhã. Perderia duas horas preciosas, além do tempo com a família e da preparação para o dia seguinte. Assim, não era uma boa opção.

Restava sua melhor escolha: Nayeon.

Ir ao dormitório NaMoSa levaria apenas cinco minutos. Provavelmente seria repreendida por aparecer àquela hora da noite — talvez até tivesse a porta fechada na cara, por estragar o “sono de beleza” da amiga.

Mesmo assim, Nayeon certamente a culparia por não tê-la escolhido como companheira de dormitório quando a empresa permitiu a escolha dos pares. Ela até se ofereceu na época, mas foi recusada por Jeongyeon.

Não que não quisesse dividir o quarto com ela.
Pelo amor de Deus, estava apaixonada por Nayeon há muito tempo — e seria feliz passando o resto da vida ao seu lado. Mas sabia que um envolvimento romântico entre duas integrantes e melhores amigas poderia prejudicar ambas e a carreira do grupo.

Além disso, nem tinha certeza se Nayeon falava sério todas as vezes em que confessava seus sentimentos.

Mesmo que a amiga demonstrasse carinho e agisse com doçura, Jeongyeon lutava contra o que sentia e fazia o possível para esconder. Essa era sua prática há muito tempo: afastá-la com firmeza. Mas às vezes as emoções escapavam — e ela retribuía, ou até iniciava gestos de afeto.

Ultimamente, controlar isso vinha se tornando impossível. Especialmente depois que recebeu a carta sincera de Nayeon no amigo oculto.

Como resistir? Estava irrevogavelmente apaixonada.

A caligrafia delicada que preenchia quase todo o papel, as palavras que pareciam dizer exatamente o que ela precisava ouvir, o som da voz de Nayeon ecoando em sua mente cada vez que relia a carta…

Leu-a um milhão de vezes — já sabia de cor cada linha.

Sentada na cama, sentiu o coração prestes a explodir.

Então, pegou suas chaves e dirigiu seu Jaguar branco.

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Ao chegar ao dormitório, estacionou o carro e desligou o motor após uma última aceleração. Abriu a porta e foi recebida pela brisa fria da noite. Abraçou a si mesma até parar diante da imensa porta de madeira.

Digitou o código e entrou. Observou rapidamente a cozinha, a sala e o corredor que levava ao quarto de Nayeon.

Caminhou em silêncio pelo corredor escuro — já conhecia o caminho.

Parou diante da porta e quase bateu, mas desistiu: não queria acordar sua melhor amiga. Abriu a porta com cuidado.

Uma luz vermelha suave se espalhava pelo quarto. Lá estava Nayeon, dormindo profundamente — o amor de sua vida.

Jeongyeon tirou os chinelos e se deitou ao lado dela, de costas, encaixando-se como uma concha. Descansou a cabeça sob o braço de Nayeon e se acomodou.

Os braços da outra a envolveram instintivamente. A mão livre deslizou até encontrar a de Jeongyeon, entrelaçando os dedos. Nayeon aproximou o rosto, respirando o perfume de seus cabelos.

— Você quis dizer aquilo, Nayeon? — sussurrou.

— Hum? — a voz sonolenta respondeu.

— O que escreveu na carta.

Nayeon se moveu para mais perto, apertando ainda mais a mão entrelaçada.

— É claro. Cada palavra. Por quê?

A respiração dela roçava a nuca de Jeongyeon.

— Porque… eu também estou apaixonada por você — confessou, baixinho. — Quero passar o resto da minha vida ao seu lado: amando você, brigando, irritando, sendo repreendida… qualquer coisa, desde que seja com você.

Nayeon riu suavemente.

— É bom ouvir isso, Jeongyeon.

Ela beijou de leve o ombro da amada, sentindo o corpo dela relaxar.

Então, Jeongyeon se virou e a encarou.

Colocou a mão sob a bochecha de Nayeon e inclinou-se até que seus lábios se encontrassem.

O beijo foi na medida certa — nem curto demais, nem longo o bastante para levar a algo mais. O primeiro beijo perfeito, no momento perfeito.

Naquele instante, Jeongyeon foi mais sincera do que jamais havia sido, sem precisar dizer palavra alguma.

Quando se separaram, ela passou o braço sob o pescoço de Nayeon e a puxou contra o peito, apoiando sua cabeça ali. Beijou-lhe o topo da cabeça antes de descansar o queixo sobre ela.

Fechou os olhos. Ambas relaxaram, adormecendo com a sensação mais pacífica do mundo.

E Jeongyeon caiu no sono repetindo as palavras mais preciosas da carta:

“Há uma coisa que nunca vai mudar: eu sempre vou continuar me apaixonando por você, Yoo Jeongyeon.”

Midnight Confession - 2yeonWhere stories live. Discover now