Marcos e Nathaniel
"Às vezes sinto que estou sempre vendo a vida através de uma janela... Mas nunca me vejo na rua vivendo de verdade." - disse o mais novo depois de tossir engasgado com a fumaça em seus pulmões, olhando para o clarão que surgia além do vidro. O alvorecer do décimo sexto aniversário de Nathaniel foi curto em comparação com os anteriores. Ele e seu primo bebiam do mesmo copo e compartilhavam o mesmo cigarro aos risos. Sob o balcão da cozinha, eles se sentaram, e contaram histórias dos catastróficos natais em família - e suas versões dessas histórias. Questionado sobre seu pedido ao soprar as velas, Nathaniel desconversou, respondendo apenas que era um desejo bobo como sua vontade de pintar as unhas que contara mais cedo, cuja nunca tinha tido coragem. Descendo do mármore, Marcos pegou o outro pela cintura e o colocou no chão, segurou-o na mão "Vem." e o levou para o quarto: "Eu devo ter um esmalte perdido em algum lugar no meu armário." - encontrou o frasco entre as gravatas amarrotadas na segunda gaveta de cima para baixo. Nate observava os arredores quando não o rosto atento de seu primo, tingindo as pontas dos dedos em azul fosco; era um lugar ainda desconhecido para ele; imaginava que cheirasse a meias sujas com esperma e que teriam roupas íntimas espalhadas pelo chão, mas se surpreendera, o cheiro era amadeirado e fresco, enquanto o chão era lustroso e estava limpo.
O mais velho acompanhou o mais novo até seu quarto depois. O garoto de cabelos castanhos ondulados voltou até o de cabelos castanhos lisos, que estava com os braços cruzados e escorado na entrada e o puxou para dentro "Você não precisa ir se não quiser... Pode ficar aqui comigo essa noite.". Já com a porta fechada, Marcos lembrou-lhe que era manhã a pelo menos quarenta minutos "E você está bêbado. Vai acordar amanhã de manhã me odiando se eu ficar.". Não houveram mais palavras depois daquelas...
Diante o amanhecer, suas roupas foram deixadas ao chão. Rente a cama, o mais alto dos primos distribuiu carícias ao outro do pescoço até os ombros. O mesmo cobiçou tê-lo nos lábios durante toda a noite que passara ao lado dele no balcão da cozinha bebendo, dividindo o cigarro e admirando timidamente os sorrisos do mais novo. Desejavam-se com a mesma devoção com que se odiavam nas horas livres. O de boxer vinho escuro se virou. Percebendo a cautela nos movimentos do outro, teve o cuidado de entrelaçar os dedos e guiá-lo até a cama. E a chuva borrou toda a visão da janela depois disso.
Os sinos da igreja badalaram naquele mesmo dia mais tarde. Os raios do sol atravessaram as nuvens durante todo o longo dia, até que uma noite gelada e uma neblina desceu sobre as ruas. Acompanhavam Alina, que insistiu fortemente para que fossem, chegando até a usar de ameaças e do drama para convencê-los. Marcos usou uma roupa social totalmente negra, sentou-se entre seu primo e sua mãe, ocasionalmente sentindo o toque de Nathaniel em sua mão no banco.
Falou-se muito no almoço de Ano Novo sobre "como os meninos estavam mais próximos", a mãe de Marcos afirmou ser mérito seu. No decorrer dos meses que se passaram até o final do ano, a "proximidade" entre eles de fato não poderia mais passar desapercebida; o mais novo vivia perambulando pela casa dentro das camisas cumpridas do primo, os dois passavam dias sozinhos em casa durante as viagens de Alina e dormiram juntos todas as noites vendo filmes e séries enquanto trocavam carícias e beijos. Qualquer um que ouvisse que os dois são um casal, conhecendo como o mais velho era adepto de todo e qualquer ato que desse a ele prazer, diria que alguém tão apaixonado como ele estava já estaria se forçando entre as pernas do primo desde a primeira noite em que dividiram os mesmos lençóis; algo que demandou tempo e não aconteceu até que os dois sentissem que estavam prontos, o que não os impediu de explorarem outras formas de dar e receber prazer um ao outro.
Marcos tinha uma língua hábil, coordenava-a delicadamente quando queria pelos mamilos e por entre as nádegas de Nathaniel, para o atiçar, e com firmeza quando queria ouvi-lo estremecer e gemer. As mãos também trabalhavam. Elas apertavam e asfixiavam, masturbavam e marcavam... E o mais novo não se mostrou tão inexperiente quanto parecia, gastava tempo entre as pernas grossas do primo estimulando-o da glande aos testículos com a boca, engasgando para tê-lo todo entre os lábios. Algumas vezes descia um pouco mais... brincando com como aquilo deixava Marcos "melado", e o mordia levemente no pescoço assim que retornava satisfeito para beijá-lo.
Nada falaram sobre anunciar publicamente, nem mesmo o assunto foi pautado por eles em seis meses. Era entendível que não queriam mais atenção do que já recebiam dos familiares, temiam como podiam interpretar. Nathaniel tinha recém-feito 16 e Marcos 22 anos. Talvez Alina fosse a única a não se assustar com a notícia, mas daí a apoiar... Deixaram que as interpretações e os sussurros surgissem e desaparecessem sozinhos.
Dois de Janeiro de 2022. A sós mais uma vez, os cintos foram retirados e os botões foram abertos às pressas. Suas línguas tinham gosto de menta, seus quadris se esfregavam com força - Nate trancou a porta do quarto ofegante. As marcas em seu traseiro levaram quase uma semana para desaparecer por completo, os arranhões em Marcos, quase duas. Foram gentis na primeira vez que transaram naquela noite, da segunda em diante, nem tanto. Só de ouvir seu primo grunhir, o mais novo já quase tinha um orgasmo.
Haviam manchas vermelhas e manchas amarelas no lençol que Alina levara para lavar, ela tratou de checar como a cama no outro quarto estava, para trocar a roupa de cama também, mas ela estava arrumada. Fechava a porta quando percebeu o que de fato estava acontecendo.
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O Moletom Azul
Teen FictionNathaniel vive o luto após perder a mãe enquanto Marcos lida com seus sentimentos em relação ao primo. Tom e Alexa começam a perceber a realidade enquanto tentam salvar seu relacionamento.
