Parte 6

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Houve uma comoção dentro da "prisão" de magia. Ouvi a mãe dele gritar que fosse embora rapidamente.

As fadas o observaram com desprezo, até que uma delas sorriu maliciosamente.

— Você escapou de mim ontem, mas não fugirá hoje. Peguem-no!

As duas que estavam de guarda começaram a cercá-lo para que não fugisse, mas ele saiu correndo na direção da "prisão" de magia e a acertou com um golpe forte de magia. Todas as fadas se levantaram surpresas com a força do golpe desferido pelo jovem bruxo. Até eu me surpreendi, ele era muito forte.

Yuri sorriu e correu mata adentro. Não deu outra, todas as fadas correram atrás dele. Esperei que a última fada sumisse e saí de trás da samambaia.

— Ane! — minha mãe disse, colocando-se de pé. — Depressa, minha querida!

Fechei meus olhos, concentrando-me nas lembranças de como desfazer um campo de força de magia. Não era fácil, era como romper uma barreira de proteção de alguém. Minha sorte era que aquele era fraco e se quebrou no segundo golpe que desferi, mas assim que o campo se desfez, as fadas voltaram. Acho que sentiram algo, elas nos cercaram e Yuri não apareceu. Eu temia que elas o tivessem matado.

— Você lembra-se do que contamos, do que treinamos, não se lembra, minha filha? — minha mãe perguntou receosa. Ela sabia que precisávamos batalhar. Concordei com a cabeça, esperando que ela entendesse que eu tinha definido meus sentimentos para aqueles seres. Já não eram mais as belas fadas como Sininho do Peter Pan, muito menos fadas madrinhas como nos contos da Disney. Até a Malévola parecia uma opção melhor naquele momento. Aquelas criaturas eram desprovidas de sentimentos bons, eram guiadas apenas por seus instintos de sobrevivência.

Dez, no total. Todas com as asas abertas, os pés descalços, pele branca ao extremo, orelhas profundas e olhos vermelhos. A pele delas brilhava colorido, seria lindo se não fosse tão mortal, se elas não quisessem nos matar.

Atacaram, formando novamente um campo de magia em cima de nós, mas revidamos e estouramos a bolha que se formava. Então a batalha começou de fato. "Tiros" de magia eram desferidos por todos os lados e as fadas caíam simultaneamente. Quando a última fada caiu morta no chão, Yuri apontou no meio das árvores, ele correu na direção da mãe e a abraçou forte.

Achamos que tinha terminado, achamos que tínhamos nos livrado das fadas da lua, mas nos enganamos. Elas não estavam sozinhas, realmente havia um bruxo do lado delas, ele surgiu das sombras e se materializou em nossa frente. Junto dele, um batalhão de fadas da lua. Ele riu e a tensão tomou conta de todos ali. Eu senti minha mãe ficar rígida e minha avó me puxar para o centro da roda. Os mais velhos ficaram na beirada, deixando os mais novos no centro e protegidos.

— Filho! — a mãe de Yuri estava pálida e com os olhos arregalados, ela tentava chamar sua atenção, mas ele olhava fixamente para o bruxo como se não acreditasse no que estava vendo. Vi que seus olhos estavam enchendo de lágrimas e ele parecia apavorado. — Você precisa fugir. Entendeu? Pegue Ane e saia daqui.

— Não vamos fugir — ele murmurou sacudindo a cabeça. As lágrimas escorriam por sua face.

— Por favor, me ouça. Ele não é mais seu pai, ele foi dominado pelas sombras, você precisa fugir, se não ele matará a você também.

Mas não tivemos tempo. As fadas nos cercaram e não tinha como passar por elas. O bruxo ordenou e elas atacaram. Dentes e unhas lutavam contra golpes de magia que fazia com que elas voassem longe.

— Chega de brincar! — minha avó gritou, e todos, como se entendessem o grito, começaram a atacar as fadas com golpes fortes que fazia com que elas, se acertadas em cheio, pegassem fogo e explodissem.

A sorte estava ao nosso lado, pois o Sol brilhava forte e elas evitavam a luz. Infelizmente não foram apenas as fadas que conseguiram um pouco de sorte e um dos bruxos foi atacado, não conseguiu se defender, foi arrastado para dentro da floresta. Não era possível ver, mas ouvimos os gritos de dor.

Minha avó lutava diretamente com o pai de Yuri. Minha mãe e a mãe dele nos defendiam dos ataques constantes das fadas e elas perdiam a batalha, pois estavam tão sedentas por sangue, que várias pararam de nos atacar para brigar entre si pelo sangue do bruxo.

Desviei meus olhos de minha avó, por um instante, e olhei em volta, várias fadas com a boca suja de sangue nos atacavam furiosamente e fechavam o cerco. Outro grito estridente chegou aos meus ouvidos, minha avó estava ajoelhada no chão com a mão no peito.

— Não! — minha mãe gritou e minha avó caiu no chão. Seu corpo não se movimentou mais. Vi dois bruxos protegendo-a das fadas que tentavam se aproveitar da falta de vida para sugarem seu sangue.

— Ele é meu! — Yuri soltou-se das mãos da mãe e andou em direção ao pai que, com os olhos negros, parecia olhar para tudo ao mesmo tempo.

O bruxo pareceu não reconhecer o filho e começou a atacá-lo sem piedade. Yuri se defendia com maestria e o atacava com força. Ele estava decidido a parar o pai.

Outro bruxo foi pego pelas fadas e arrastado para dentro da floresta, mas dessa vez vários outros o seguiram e o trouxeram de volta muito machucado, mas vivo. Pude ver as marcas de unha e dente pelos seus braços, rosto e pescoço.

O bruxo de olhos negros mostrava-se exausto, seus feitiços pareciam fracos. Yuri que conjurava feitiços fortes e decididos, então, desferiu um golpe que fez com que o homem se curvasse no chão. Sentindo dor e sem consciência de quem fora um dia, o bruxo murmurava algo que não conseguíamos entender.

— Menino, não precisa fazer isso. Nós podemos terminar — um homem de mãos grossas disse, segurando nos ombros de Yuri.

Ele fechou os olhos e buscou apoio nos braços da mãe.

— Venha! Não tem jeito, você sabe? Não sabe, meu filho?

Ele apenas sacudiu a cabeça em sinal de positivo e saíram de lá abraçados. Minha mãe pegou em minha mão e saímos atrás deles. Outros também não ficaram para ver, mas, quando aconteceu, todos ouvimos... Um grito sombrio e funesto soou por toda a colina, fazendo com que eu me arrepiasse e tivesse pesadelos por dias seguidos. 

Fadas da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora