Neste mundo cinza, todos sonham em viver uma vida colorida.
Os pingos gelados caiam sobre mim enquanto o vento balançava as poucas árvores que havia ali ao redor da escola.
Com passos apressados caminhava escutando o barulho dos meus calçados e o barulho dos adolescentes rindo e correndo na chuva, que logo começou a engrossar e a cada vez mais ficar forte.
O sol já tinha ido embora e a noite caía sobre o céu.
Adentrei o pequeno portão da casa e logo encontrei a porta entreaberta.
Na pequena sala a televisão estava ligada sozinha em um programa qualquer que eu nem me dei o trabalho de saber qual era especificamente.
Subi a velha escada de madeira que rangia ao ser pisada. Dei de cara com o pequeno corredor escuro, não muito, pois, a porta do meu quarto estava aberta e certamente a janela também o que fazia a luz da lua adentrar o ambiente e fazia o corredor ser apenas iluminado por alguns fechos de luzes.
Antes que eu entrasse e fechasse a porta do meu quarto eu não pude deixar de escutar os gemidos que vinham do quarto de frente ao meu.
Bati a porta e joguei minha mochila no chão ao pé da minha cama.
_ Droga! - Murmurei ao ver que minha cama e o chão de madeira estavam molhados e a janela aberta.
Puxei o lençol molhado da cama e o joguei no chão também molhado.
_ Deixou a janela aberta de novo?
Eu apenas a olhei com desdém sem me importar muito com a presença dela que estava encostada no batente da porta.
_ Você certamente não aprende né? - Ela soltou fumaça pela boca e narina ao terminar de falar comigo. _ Ainda bem que não sou eu que terei que dormir novamente no colchão puro. - Saiu dando uma tragada em seu cigarro deixando a fumaça do mesmo pelo ambiente.
Em uma tentativa falha tentei enxugar o chão com o lençol, mas suspirei frustrada ao ver que não havia dado certo.
Desci até a pequena cozinha e levei meu lençol até o tanque da área de serviço aonde eu teria que lava-lo.
Assim que terminei percebi o quão meu uniforme estava molhado, então o tirei ficando apenas de 'top'. Lavei a blusa e coloquei a mesma para secar junto ao meu lençol.
Abri a geladeira não esperando por muito. Eu estava certa, havia três latas de cervejas, uma garrafa de água e gelo no congelador.
Não liguei muito, pois, havia dias que eu via as mesmas coisas ali.
Da cozinha eu conseguia ver a sala e a porta da mesma estava escancarada. Provavelmente minha madrasta teria ido atrás de mais algum cliente.
Me direcionei até a porta e a fechei. Tão grande foi o meu susto quando senti alguém me segurar pelo braço, me virei rapidamente assustada e me dei de cara com um homem alto, pálido de olhos azuis que lembrava perfeitamente os olhos de um gato. De terno ele estava e dava a impressão de ser um empresário talvez.
Ele não se deu o trabalho de me dirigir as palavras e apenas me puxou com sua força bruta.
_ ME SOLTA! - Exclamei me tentando soltar de suas mãos.
Sua força era abundante. Então eu não tive sorte em tentar me soltar.
_ Vou pagar pelo serviço. - Sorriu maliciosamente me fazendo entender.
_ EU NÃO FAÇO NADA, AGORA ME SOLTA! - Implorei novamente.
_ Posso pagar o dobro se quiser. - Ele envolveu seus braços em minha cintura apertando minhas costas contra seu abdômen.
_ ME SOLTA! - Comecei a gritar e a debater enquanto ele me segurava.
Me desesperei mais quando uma de suas mãos que segurava minha cintura, passou a bloquear meus gritos e minha única tentativa de ajuda naquele momento em que eu me encontrava totalmente fragilizada.
Subimos a velha escada com ele me arrastando enquanto eu tentava escapar de seus braços.
Logo estávamos enfrente ao quarto da minha madrasta. Foi lá que ele me empurrou forçando minha entrada naquele ambiente.
Eu caída no chão gelado fui capaz de ouvir o som da porta sendo trancada com as batidas frenéticas do meu coração.
Eu não tinha mais forças para lutar contra ele.
Por ser um homem do dobro do meu tamanho e ter o dobro da minha força eu não tinha chances nenhuma contra. Mas eu iria tentar me defender até às minhas forças se esgotarem.
Me levantei rapidamente e tentei desviar da silhueta dele e alcançar a maçaneta da porta, mas o homem alto e robusto que estava em minha frente não permitiu me arremessando desta vez sobre a cama, que estralou assim que meu corpo chocou com o móvel velho.
Minhas costelas passaram a ficarem doloridas com o baque que eu havia acabado de sofrer. Meus olhos se encheram de lágrimas com a horrenda dor que passei a sentir.
O robusto homem me fitava com seus pares de olhos azuis enquanto eu me contorcia de dor. Meu sofrimento parecia ser sua felicidade naquele momento.
Durou pouco aqueles segundos em que ele apenas me olhava urrando de dor em cima da cama.
Retirando seu terno ele ordenou com que eu tirasse meu top.
_ ANDA TIRA! - Ordenou com fúria.
Eu apenas permaneci calada.
_ MANDEI TIRAR! - Me puxou pelos cabelos me trazendo até ele.
Ao ouvir passos vindo do corredor ele me soltou e correu indo vestir seu terno. Se ajeitou rapidamente dando passadas de mãos sobre seu cabelo e batidinhas sobre seu terno para que a poeira saísse.
_ Alexandre? - A voz da minha madrasta soou do outro lado da porta com batidas.
Alexandre então não disse nada e apenas me empurrou para que eu abrisse a porta.
_ Abre. - Ele sussurrou e então obedeci.
_ O que você está fazendo com ele? - Me olhou repreendo. _ Ele é meu cliente, O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? - Gritou.
_ Ele...- Não pude terminar de me explicar, pois, fui interrompida por um, tapa forte que foi dado em meu rosto.
_ ANDA, SOME DAQUI GAROTA! - Ela gritou ordenando.
Dei dois passos para frente e adentrei o meu quarto que ficava de frente para o dela. Antes de fechar a porta pude ver Alexandre sorrir debochado para mim.
______________________________________
Caso tenha algum tipo de erro me informe para que eu possa arrumar, desde já agradeço.
Votem e comentem❤️
YOU ARE READING
Vingança por liberdade (Concluída)
Mystery / Thriller⚠️ AVISO Essa obra aborda assuntos que possam trazer um certo tipo de gatilho, como por exemplo: abuso sexual, violência, dentre outras coisas. Caso seja sensível a esses tipos de assuntos recomendo que não leia. SINOPSE ↓ Um empresário muito bem s...
