O carro para em frente a um casarão enorme com um brasão prata de uma borboleta azul e detalhes em espiral, por trás de um grande portão de ferro que é aberto de forma tão lenta que ele mesmo reclamou, rangendo alto em protesto. De pé, ao lado, havia uma senhora com cara de poucos amigos, que tentou, com um estrondoso fracasso, lançar um sorriso amigável à garota que estava saindo do carro, uma menina negra, com um cabelo cacheado extremamente volumoso e imponente, com uma mochila lilás e uma mala grande de rodinhas na cor azul pastel, usando uma calça frouxa comprida e marrom, e um moletom amarelo.
As duas se movem para o interior do casarão, ao chegarem no que aparenta ser a sala de estar, ambas se vêem cercadas por um quarteto. O garoto com suéter de losangos de cor vinho e azul que é de longe a pessoa mais deslumbrante do lugar, dá um passo à frente, e é notável a atenção com que ele é assistido por um outro rapaz que traja uma regata vermelha e laranja com um número nove estampado.
ㅡ Olá, eu sou o Karl, e em nome de todos do orfanato Borboleta Azul, seja muito bem vinda! É uma honra para nós tê-la conosco.
ㅡ Apresente-se a eles também. ㅡ Falou de forma calma, porém ríspida, a diretora do orfanato. A matriarca era uma figura rígida, com um longo vestido preto solto, e um coque que prendia seu cabelo de fios grisalhos no topo de sua cabeça.
ㅡ Bom, eu sou a Patrícia, e o prazer é todo meu.
Viu-se então, um sorriso em ambos os rostos, e ele se ofereceu para ajudá-la com as malas e o outro menino os acompanhou, sendo seguido pelas demais crianças do lugar, que são duas garotas praticamente opostas em suas aparências. Uma delas veste um vestido com a saia rodada em tons pastéis de rosa, lilás, azul e verde, uma parte do longo cabelo castanho claro preso numa presilha de lacinho no topo da cabeça e o restante solto sobre as costas. A outra tem um estilo gótico, com um delineado por todo o contorno do olho, o cabelo preto curto com uma mecha roxa, suas pernas de pele quadriculada pela meia arrastão por baixo do shorts preto e na parte de cima, há um top preto com detalhes prateados que combina com o piercing em um dos lados do nariz e na sobrancelha do mesmo lado do rosto, mas o que chama a atenção é seu batom roxo que se destaca como a cor mais viva neste mar de pele pálida e tecidos pretos. Pelo modo de agir acuado e a julgar pelo estilo da menina, ela certamente é muito tímida e prefere passar desapercebida, por mais que o efeito seja justamente o extremo oposto, já que a novata não parava de olhá-la desde que chegou.
O grupo de adolescentes sobem as escadas e passam pelo corredor até chegarem no dormitório feminino, e todos se mobilizam para ajudá-la a escolher uma cama e a desfazer as malas.
ㅡ Pessoal, que tal nos apresentarmos pra ela, acho que ainda não fizemos isso. ㅡ Disse a menina de vestido.
ㅡ Eu já fiz. ㅡ Diz Karl, dando uma risadinha em seguida.
Ignorando totalmente o comentário do engomadinho, o garoto de regata responde: ㅡ Eu sou o Brian, irmão do Karl.
ㅡ Isso não precisava nem falar, vocês são muito parecidos.
ㅡMas eu sou o mais bonito.ㅡ Acrescentou Brian.
ㅡ Como algum de vocês pode ser mais bonito se voces são gêmeos? ㅡ Falou a jovem gótica.
ㅡ Olha, particularmente, eu acho o Karl mais bonito, e todo mundo na escola concorda comigo! ㅡ Disse a de lacinho no cabelo, recebendo um revirar de olhos tanto de Brian quanto da maquiada. ㅡ E a propósito, eu sou a Mel. Quero dizer, meu nome é Melissa, mas pode me chamar só de Mel mesmo.
Após um trocar de acenos com a cabeça, todos encaram a única que faltava a se apresentar, o que a fez se encolher e corar um pouco: ㅡ Meu nome é Caroline.
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Borboleta Azul
Mysteriózní / ThrillerUm segredo guardado à sete chaves, um assassinato dado como acidente, um trauma, intolerância, e uma tentativa falha de suicídio que resultou em uma perda de memória. Tudo isso são dramas dos internos do orfanato Borboleta Azul, que dividem suas vi...
