Capítulo 1 - A Carta-Convite

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5 de setembro de 2016

7h30
    Mal dormi. A ansiedade não me deixou pregar os olhos. Foram muitos meses de trabalhos, frustrações, pesquisas e mudanças. Tudo culminaria naquele momento, naquelas horas. Alguns colegas definiram esse sentimento como "ansiedade pré-defesa". Se tudo der certo, em algumas horas me tornarei um Mestre em Relações Internacionais. O tema da cooperação internacional pela segurança do Espaço Sideral sempre me fascinou. Ainda deitado na cama, olho para as minhas paredes e lá vejo os cartazes dos filmes de Spielberg, na estante vejo os livros de Azimov, Phillip K. Dick dentre outros e lembro que sempre tive um pé na Terra e outro fora dela. Hoje vou concluir uma fase bem importante da minha formação pessoal e profissional.

12h45
    A defesa vai ser daqui há duas horas. Sentei um pouco para comer algo e dar uma revisada no texto do trabalho. Sei que não posso fazer mais nada, já que a versão que vai ser avaliada hoje já foi entregue há um mês atrás. Mas acho sempre bom estar preparado e não depender muito da memória. Agora que percebi que não estou lendo e estou aqui escrevendo em meu diário. Aliás, acho bom explicar o porquê disto aqui existir. A pesquisa acadêmica pode ser um pouco solitária às vezes e, por isso mesmo, fui aconselhado por um grande amigo a fazer isso aqui, assim estaria vendo as coisas de um modo mais concreto, o que me facilitaria entender melhor e encaixar as peças. Deveria estar me preparando agora.

14h30
    15 minutos. Falta ainda uma professora chegar. Não demorou muito até que as vozes tomassem conta da cabeça. 'ela não vem!', 'fraude', repetiam elas. Vim ao banheiro. Precisava respirar. Escrever me acalma. Não estou confiante, mas também não sei o que poderia ter feito diferente e melhor, espero que as professoras me falem. Bom, acho que não posso mais fazer nada por aqui, melhor eu voltar para a sala. Ah, esqueci de mencionar, alguns amigos queridos vieram e fiquei muito feliz por eles compartilharem esse momento. Por causa do meu tema, eles me chamam de Paul, igual aquele filme com o alienígena cinzento. O que não desgostei, porque geralmente é difícil achar um apelido para Paolo...mas enfim, vou lá e depois volto para contar como foi! Me deseje sorte!!

23h12
    Ufa...só consegui vir pra cá agora. A causa foi ótima, afinal vos escreve agora um Mestre em Relações Internacionais. Brincadeiras a parte, fica a pergunta 'ok, e daí?'. Acho que essa resposta vou encontrar nos próximos meses quando der os próximos passos, mas isso é assunto para amanhã. Vim aqui para escrever sobre hoje. As professoras foram fantásticas na defesa, até me deram dicas de como desenvolver esse meu tema para uma tese de doutorado (deixo para amanhã também). Com a aprovação em mãos, convidei todos os que lá estavam para irmos a um bar próximo da Universidade e brindarmos a conquista. O brinde até que foi rápido, o pessoal não quis ficar muito ali. Fui com um amigo para o centro de São Paulo, na maravilhosa Avenida Paulista. Sabe quando você está em um dia tão bom que não quer que ele acabe? Pois então, estava em um dia assim. Fomos tomar café em um dos meus cafés preferidos da cidade, o UFO (justamente pela piada com o tema do trabalho, pela decoração fantástica do lugar e por um pudim de Hortelã muito bom). Mas ali, de todos os lugares de SP, era um ponto de encontro de ufólogos e pessoas que tiveram alguma experiência de encontros extraterrestres. A partir das 18h, toda segunda-feira, acontece no bar o que eles chamam de "Relatos UFOmicos". Pelo que eu entendi, as pessoas subiam num pequeno palco que lá tinha, muito semelhante àqueles eventos de microfone aberto em bares, e contavam suas histórias de encontros e abduções com um tom cômico. Eu sempre achei uma criatividade tamanha, nunca os tratei como verdades. Mas fiquei entretido, demos boas risadas, tomamos mais alguns drinks e fomos jantar. Estava sedento por uma macarronada que só o restaurante do irmão do meu avô sabe fazer. Convidei meu amigo e lá fomos. O zio Salvio foi pessoalmente me receber, contei a ele sobre a defesa e ele mesmo, caro como ele é, decidiu por nos oferecer o jantar. Um belo prato de buccatini com um molho de fiori di zucca, acompanhados de pães fresquinhos e uma garrafa de vinho tinto. Tudo o que eu precisava para acabar o dia!! Enfim, acho que contei tudo e é isso mesmo que vou fazer agora, acabar o dia.

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