WELCOME TO MY WORLD

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Eu sou muito, muito para nós duas, muito mais do que mim mesma, muito mais que nosso conjunto, embora o que toque meu coração não seja suficiente para você, queria ser mais que eu mesma para você.

(alerta gatilho abuso infantil, se você nãos se sente confortável com esse tema coloquei um resumo no final do capitulo)

pov sue

Ouvia os barulhos de portas quebrando e cheiro enjoativo de bebida, sabia que ele havia chegado, sabia que Agatha teria que vê-lo, era a pior parte do dia, ter que ouvir seus gritos e no dia seguinte ver as colorações roxas como os tons da aquarela que havia ganhado do conselho no ano anterior, as cores se contrastavam com a vermelhidão do seu rosto por tentar mais uma vez correr para fugir dele, nunca conseguia na verdade.

Ela chega calmamente perto de mim, me pega no colo e pega a mão do meu irmão, me coloca no pequeno colchão amarelado no canto do quarto junto com ele, como quase todos os dias, me dá meu ursinho de pelúcia na mão e encosta na parede esperando pelo primeiro chamado. A minha tosse rouca ainda persistia, estava assim a semanas e meu peito ardia enquanto o solavanco do meu pulmão acontecia, minha irmã sempre me olhava assustada a cada ruído que eu fazia, mas não era nada demais para mim, não se ela ficasse essa noite com a gente.

- AGATHA, VOCÊ TEM DEZ MINUTOS, A PORTA ESTÁ DESTRANCADA – a voz lenta dele chama por ela, provavelmente mais uma vez bêbado depois do trabalho - como sempre começo a chorar pedindo para que ela ficasse aquela noite, para que não atendesse seu chamado, era só uma criança naquela época, a esperança era a única que permanecia comigo era a única que restava.

- Silencio Susie, preciso que você fique quietinha, cuide do baby bear ok? garanta que ele esteja quentinho – ela pega uma coberta azul meio destruída e rasgada em uma das pontas e me dá para que eu cubra meu ursinho de pelúcia que tinha ganhado ainda bebê pelo meu pai – use isso – concordo com a cabeça e agora ela olha para meu irmão mais velho atrás de mim – Ben, prometa para mim que não vai esquecer do remédio, é rápido eu vou lá você pega ele na cozinha em cima da bancada, não faça barulho, eu vou tentar distrair ele. – Ela me pega no colo mais uma vez me aconchegando no seu torso e começa a cantar a minha canção de ninar para que eu conseguisse dormir sem ela, nunca conseguia, fechava os olhos para que ela pudesse sair sem ficar com preocupação que eu escutaria algo, mas eu sempre escutei. – Ela inicia

How the Bird would be forbidden to fly

He had to rise

Like the moon meet the sun

Like my love meet you Hun

Come here into my arms the place where you

Will be found, right there in the green field the

Magpies' heaven.

FLASHBACK OFF

- Sue – a tia Chloé bate na minha porta

Ela tinha por volta dos 45 anos, a sua pele negra contrastava com a tiara clássica branca do uniforme, a roupa com a bata branca sempre suja com alguma tinta ou lama das crianças menores, ela foi quem me recebeu ainda criança no orfanato, Chloé cuidou de mim por anos e sempre me tratou como sua filha desde que cheguei, o meu único suporte nesse mundo por muito tempo.

– Oi – respondo já com lágrimas nos olhos – ela senta à minha frente e me dá um abraço.

- Minha querida, preparada para essa nova fase da sua vida? –as lagrimas caem de seu rosto assim como no meu enquanto assinto com a cabeça – espero que você seja feliz meu anjo, que todos os seus sonhos se tornem realidade e que você possa ser a incrível mulher que eu sei que você é

– Aqui – ela me entrega um pacote de papel marrom – não é muito, mas é de coração – abro o pacote e vejo um medalhão dourado em formato de flor, minha mão treme um pouco e os soluços de choro me tomam quando vejo a foto que ele continha, era eu e meu irmão antes de sermos separados pelo sistema. e o outro lado estava vazio – obrigado – a abraço agradecendo.

– Lembre-se do que eu sempre falei para você, que só se encontrará se conseguir abdicar do seu coração e viver por outro, esse espaço vazio era pra isso, crie memórias meu amor, eu vou sempre estar aqui por você – ela faz uma pausa, se separando do abraço, olha nos meus olhos e diz - Agora sem choro, não aguento ver sua carinha assim, prometa que vai me ligar todos os dias sem falta – prometo – digo enxugando as lágrimas. – Eu te amo meu anjinho – ela me abraça mais uma vez – ficamos mais um tempo abraçadas e depois ela sai para se falar com Sophie, minha colega de quarto.

A mala velha azul tinha uma roda quebrada e alça já não funcionava, as minhas roupas eram poucas e o pouco dinheiro que tinha não daria para comprar novas, as agrupava junto com as memórias, as fotos, retratos do meu então passado sobressaiam naquele conjunto da minha atual vida. Ouço o barulho de toque de telefone e logo depois Chloé se direciona para a porta, saindo do quarto.

- Sue precisa de ajuda para a sua mala? Chloé falou que o taxi que ela chamou já tinha chegado – Sophie diz olhando para mim com um sorriso, ela tinha 12 anos, os cabelos castanhos encaracolados e a sua pele caramelo, os olhos quase negros davam um aspecto de profundidade no seu rosto, como se a sua alma fosse transmitida para os outros, e o seu sorriso parecia iluminar o mundo, parecia que a alegria não largava sua face.

Diferindo completamente de mim, a pele pálida me habitava assim como os cabelos loiros escuro como se não tivessem vida caiam pelos meus ombros, a única coisa que me agradava eram meus olhos castanhos, me lembravam os olhos de Agatha, o espelho me agradava nessa hora, as lembranças e a saudade me ajudavam.

- Já estou acabando obrigada – ela assente saindo do quarto

Fecho a mala e um suspiro profundo me apossa, olho para as paredes salmão e as camas brancas velhas me despedindo internamente, me direcionando a porta levando a minha vida na mala e na alma. No foyer esperavam Chloé, as freiras que cuidavam de mim e o motorista, as abraço me despedindo de cada uma recebendo as boas mensagens para que leve positividade e a esperança delas no meu caminho.

Sou levada para a estação, as pessoas se amontoavam por todo o lugar, nunca vi tanta gente em tão pouco espaço, compro a minha passagem e consigo pegar o trem na hora da partida, os vagões estavam lotados assim como a estação, a ansiedade era palpável, não só a deles pelo estresse diário, a superlotação e a correria diária, mas a minha também, meu coração palpitava enquanto guardava a mala, os meus sonhos tomavam lugar, ao sentar vi as arvores voarem pelas janelas e a cada túnel que atravessávamos me sentia mais próxima de uma lembrança distante.

- Com licença, esse lugar está ocupado? – Uma moça que aparentava não passar dos 20 pergunta, os seus cabelos loiros se agrupavam em um coque, estava muito bem vestida e trazia o panfleto da estação na mão. – Não, está livre – me afasto dando espaço para que ela pudesse sentar ao meu lado.

- Obrigada, me chamo Jane, Jane Humphrey – ela estende a mão para um aperto e logo eu pego me apresentando – Susan, mas pode me chamar de Sue.

Passamos a conversar durante a viagem inteira, descubro que ela também era aluna de Oxford e cursava arquitetura estava no seu segundo ano de faculdade, trocamos telefone e ela promete me apresentar a faculdade depois que nos estabelecemos no dormitório.

-PLATAFORMA 10, OXFORD – avisam pela primeira vez, pego a minha mala no vagão superior e desço, o ar invade meu pulmão com uma brisa refrescante e o leve cheiro de baunilha preenche meu nariz, logo seguido da fumaça dos carros da rua principal – bem vinda a cidade Susan – digo para mim mesma.

Resumo: mostro a história da Sue nesse capitulo, onde sua irmã a ajuda e ao seu irmão a escapar de uma situação abusiva, depois ela e seu irmão são separados pelo sistema de adoção, ela entra para a universidade de Oxford e conhece Jane Humpfrey (estudante de arquitetura no 2 ano de faculdade) no metro a caminho de lá.

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