One

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Podem se passar décadas e Sam tem quase certeza de que ainda se lembrará com detalhes sobre o dia em que encontrou Figaro.

No caminho para casa, ao lado de uma lata de lixo, três gatinhos rajados miavam enquanto reviravam o lixo em busca de comida. Todos eram filhotes e estavam tão sujos que era difícil distinguir a cor de seus pelos. A cena fez com que o coração de Sam se apertasse em seu peito e ele não hesitou em pegar os três, enfiando um em sua mala e levando desajeitadamente os outros dois na mão.

Sua mãe foi firme ao dizer que ele não podia ficar com eles e Sam logo tratou de contatar amigos e pessoas de confiança tentando achar um novo dono para os filhotes. Dois deles, uma fêmea e um macho, foram adotados rapidamente por Natasha e Scott, mas o terceiro filhote ainda precisava de um dono.

O gatinho era muito mais reservado do que seus irmãos e passava quase o dia todo no quarto de Sam, mesmo quando ele deixava a porta aberta para que o filhote pudesse circular pela casa. O animal também não era muito afetuoso, gostava de ficar próximo de Sam, mas não ficava miando e demandando atenção, esperando o dono tomar a iniciativa para receber carinho.

Naquela época, ele voltava da faculdade todos os finais de semana para ficar em casa e cuidar de seu hóspede.

Depois de ver o quão apegado o filho havia se tornado do gato, Darlene Wilson enfim permitiu que ele mantivesse Figaro com eles, desde que Sam limpasse a caixinha de areia e alimentasse o gato sempre que estivesse em casa.

Quando Sam se mudou para uma República próxima a faculdade poucos meses depois, ele levou Figaro e durante dois anos a relação de ambos foi muito pacífica.

Até Sam começar a sair com Bucky Barnes.

Era um mistério como Figaro parecia sempre perceber quando Sam estava falando com Bucky por telefone, ou apenas trocando mensagens com o mesmo e nestes momentos o gato não parava de miar até que Sam lhe desse toda a atenção. E era ainda pior quando Bucky vinha visitar. Mas ao que Sam considera apenas uma série de coincidências geradas por um súbito mau humor de seu gato, Barnes considera como uma conspiração felina contra sua vida.

-Ele não gosta de mim- declara Bucky com um suspiro resignado.

Os dois estão sentados no sofá da sala onde Sam mora e Figaro praticamente subiu em sua cara na tentativa de impedir que ele e Bucky se beijassem. Depois de deixar o gato em seu quarto com a porta fechada, ele tenta defender o gato.

-Não é verdade, Figaro só está um pouco carente nos últimos dias...

-Eu acho que nós precisamos aceitar que seu gato agora me odeia. Ele costumava gostar de mim... ou pelo menos não tentava me arranhar quando eu fazia carinho nele. Foi só a gente começar a sair que o desprezo começou. Acho que ele está tentando nos separar.

Com esta declaração, Sam não consegue mais segurar a risada, recebendo um olhar inconformado de sua companhia.

-Você não acredita em mim? Seu gato está claramente te dando um ultimato: ou você escolhe um ou escolhe o outro.

- Você está exagerando- diz rindo levemente, mas sem acreditar muito nas próprias palavras de conforto.

- Vocês dois não estão em sintonia, porque quando você me odiava ele gostava de mim, mas agora que você gosta de mim ele me odeia- Barnes diz dramaticamente enquanto se encosta no sofá.

-Eu não te odiava, só achava você muito irritante- e tentando amenizar o clima, ele brinca- E quem disse que eu gosto de você agora?

Bucky ri e o encara com os olhos brilhando.

- Você não precisa dizer nada, o simples fato de não conseguir ficar longe de mim já é prova o bastante.

-Eu acho que você está confundindo as coisas aqui. É você quem não sai do meu pé.

The One Where Figaro Hates SamStories to obsess over. Discover now