Capítulo 1

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Ana Beatriz provavelmente não deveria ter saído correndo da festa do jeito que fizera. Porém no momento que seu cérebro processou o que estava acontecendo, seu primeiro pensamento fora o de fugir, e seu corpo apenas atendeu. Ela estava assustada, aquilo parecia demais, precipitado demais. Não sabia o que Luís tinha na cabeça para fazer aquilo. Pedi-la em casamento, por Deus! Tudo bem que já estavam namorando há quatro anos e pensamentos e discussões sobre a ideia eram normais naquela etapa, porém um pedido? Não, definitivamente aquilo não era normal. 

Tudo bem que Ana estava vestida de noiva, porém era apenas para a brincadeira de festa junina, ela não esperava que aquilo fosse ser, na cabeça de Luís, uma confirmação de que ela realmente queria casar com ele. Os dois nem mesmo estavam em um bom momento do relacionamento para pensarem em casar, vinham brigando quase todos os dias no último mês e agora o namorado vinha lhe pedir em casamento? 

Presa em seus pensamentos, quase não viu o carro na hora de atravessar. Por sorte, o motorista conseguira frear a tempo. Claro não sem antes xingar a mulher um pouco. Pedro logo desceu do carro, tendo em vista que a negra parecia um pouco desorientada (e não era todo dia que quase se atropelava uma noiva).

— Está tudo bem com você? — Ele perguntou, se aproximando.

Notou que mulher era uma cabeça mais baixa que eles, os cachos escuros estavam presos em um coque desleixado e ela vestia um vestido de branco que ia até o meio de suas coxas com alguns detalhes em rosa e amarelo, meias transparentes 3/4 e um salto, também branco. Ela o encarava ainda confusa.

Ana não conseguia acreditar no seu dia. Respirou fundo antes de responder ao homem que estava tudo bem sim. 

— Tem certeza? Foi um belo susto — Ana apenas assentiu novamente. —Está indo para alguma festa junina? Posso te dar uma carona.

Pedro ainda se sentia mal pelo quase acidente. Definitivamente não deveria ter tentado mudar a música aquela hora, detestava tirar os olhos do trânsito a sua frente exatamente a fim de evitar esse tipo de situação.

Só então Ana parou para olhar o homem. Os cabelos cacheados um pouco bagunçados, vestia uma camisa de botões vermelha e preta, jeans surrados e uma bota de cano curto marrom. Notou que um de seus dentes estava pintado de preto. Ele provavelmente estava indo para alguma festa de São João também. Pensou na pergunta dele pela primeira vez. Não sabia para onde estava indo. Não poderia ir para seu apartamento, não agora, pelo menos. Seria o primeiro lugar em que a procurariam e ela definitivamente não tinha cabeça para lidar com as perguntas.

— Na verdade... Eu não sei.

Ana não culpava o olhar confuso do rapaz. Ela mesma estava se sentindo assim naquele momento. A expressão do outro, no entanto, logo se transformou em preocupação. Será que ele havia atropelado a garota e não percebera?

— Eu realmente bati com o carro em você? — Decidiu perguntar.

— O quê? Não! — Ana suspirou — Eu estou fugindo de um lugar, porém não sei para onde estou indo.

Pedro apenas assentiu, ainda não entendendo a situação da negra. Ele iria falar algo, porém seu celular começou a tocar no carro e se deu conta que ainda estavam no trânsito. 

— Entra aí, então — disse, já seguindo para o veículo. — Sei de um lugar onde você pode ir.

Ana pensou em contestar. Ela não seria doida de entrar no carro de um estranho, principalmente quando não sabia para onde ele estaria levando-a. Porém, naquele momento, não pareceu tão ruim. Era um desconhecido afinal e iria levá-la para um lugar que sua família não conhecia. 

— É uma festa junina — Pedro disse, notando a hesitação da mulher.

Não parecia tão ruim para ela, por isso, apenas se sentou no banco do carona e esperou o outro dar partida.

— Me chamo Ana Beatriz, aliás — disse.

— Pedro — o homem respondeu.

O sorriso que Ana estampou no rosto foi logo retribuído pelo outro, sem tirar os olhos da rua a sua frente. Não correria o risco de atropelar um noivo em fuga também.

Olha o noivado... É mentira!Stories to obsess over. Discover now