Prólogo

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Há um tempo, não importa o quanto exatamente, não se ouvia um ruído sequer vindo daquela casa, nem o vento ousara assobiar suas canções por ali, tudo estava completamente imóvel, nem o velho salgueiro na entrada da propriedade balançava-se sob a brisa suave que vez ou outra era trazida pelo mar, a grama jamais ousara crescer e o barro seco da estrada que cortava os limites da propriedade não vira chuva há tanto tempo quanto se podia contar, o casarão de estilo clássico e refinado mantinha-se de pé, suas portas de madeira e janelas com detalhes de vidro mantinham-se inteiras e estranhamente bem conservadas assim como a pintura da parede e o jardim externo por entre as cercas vivas que formavam um labirinto ao lado da enorme casa. Tudo ali estava em perfeita ordem como se aguardasse ansiosamente pelos próximos hóspedes do local. Parecia um domingo como todos os outros, porém, de súbito assobiou-se o vento, mexeu-se o salgueiro e uma leve garoa humedeceu a estrada como se tudo ali despertasse simultaneamente para finalmente receber a quem tanto esperara.

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