Noite Difícil

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      Deitado em seu sofá, sentia um aperto no peito ao observar seu companheiro de apartamento descer as escadas acompanhado de uma mulher alta e esbelta. Absolutamente não sabia porque, mas não era uma boa sensação.
Passaram-se algumas horas desde que John saira para seu encontro, Shelock permaneceu no mesmo sofá, quase inerte, completamente focado em seus pensamentos e no nó que se formava em sua garganta cada vez que pensava nele. Talvez estivesse sofrendo por amor. So não sabia. Tentava voltar seus pensamentos ao caso que estava resolvendo, sobre um assasinato de um açougueiro. Não era um dos melhores, definitivamente, mas ja lhe tirara algumas horas pela falta de provas e suspeitos. Olhou para o relógio em cima da lareira e percebeu que ja passava de meia noite. Não sentia sono. Ouviu o portão ser aberto e passos crescentes na escada. Ele havia voltado do encontro. Sherlock não conseguiu conter um leve sorriso quando seu parceiro adentrou a porta da sala. Respirou fundo e voltou os olhos a John que colocava a carteira e o celular na mesinha enquanto sentava em sua poltrona.
          -Como foi? Pensei que não voltaria mais hoje.- Perguntava Sherlock, em um tom sarcástico.
          -Foi apenas o primeiro encontro.- Respondeu John sério, havia entendido o sarcasmo do detetive.
    
           Sherlock volta a encarar o teto com as mãos no rosto como em uma oração.
          
          -Conseguiu descobrir quem matou o açougueiro?
          -Não gosto de admitir isso mas, não. Não faz sentido, sem suspeitos, sem provas no local, câmeras de segurança desligadas a semanas e ninguém percebeu -diz Sherlock desanimado. -Ele foi envenenado, mas havia uma chave fenda cravada em sua nuca, com suas próprias digitais, que foi posta ali horas depois da morte por envenenamento.
        -Alguém estava muito certo de que queria mata-lo, tanto que o fez uma vez e voltou pra se certificar. -complementou John.
        -Por que só o envenenamento não foi o suficiente? Ele já estava morto, não precisava da chave. Talvez quisesse dar um recado, em nome de quem? Pra quem?
      -Vai dormir, Sherl. Amanhã iremos a agência de segurança novamente atrás dos relatos dos funcionários responsáveis pelas câmeras do condomínio.
         
        Sherlock acabou sorrindo com o apelido e assentiu com a cabeça, se levantou do sofá indo em direção as grandes janelas, abriu uma pequena brecha para sentir o ambiente lá fora, observou aquela noite clara, a Lua cheia iluminava toda a rua em seu auge, não estava um dia gelado, mas havia pequenas árvores sendo balançadas de leve por um vento frio, que traria nuvens de chuva em alguns minutos. Conteve a vontade de tocar seu violino pois já era madrugada e não queria acordar ninguém. Não parava de pensar no assasinato e no quanto ele não fazia sentido.
          John acabara de tomar um banho e passava pelo corredor em direção a sala, o sopro frio vindo da janela lhe alcançou e ele sentiu um arrepio pela espinha.
          -Fecha a janela, acabei de sair do banho.
          -Oh, perdão. -disse Sherlock fechando a janela e se virando.

          Os olhos do cacheado estavam azuis tão claros que pareciam transparentes, suas pupilas quase completamente dilatadas pela escuridão da sala (ou pelo 'erro químico encontrado no lado perdedor') deixava o olhar meio sombrio. John tentava, desajeitado, colocar um suéter escuro de lã. Sherlock passou pelo loiro a caminho de seu quarto rindo da sua pequena dificuldade ao vestir suéteres um pouco apertados.
          -Você é brilhante. -Ele diz rindo.
         
          -Eu levei um tiro no ombro! -John diz descontraído, finalmente terminando de ajustar a roupa.
         
          Sherlock sai sorrindo e olhando pra trás, abre a porta de seu quarto e deita na cama. Mas não consegue se concentrar pra dormir. Passam-se minutos e mais minutos. Resolveu até alguns casos que pegara essa semana e nada do sono vir. Pensou em ir caminhar, se a chuva ainda não estivesse caindo, preferia fazer isso com uma compania as vezes então saiu do quarto na esperança de que seu companheiro ainda estivesse acordado. A sala estava vazia. Subiu as escadas até seu quarto, estava aberta mas ele dormia como um anjo, nas palavras dele. Saiu de perto da porta e desceu as escadas, chegando na sala ouviu um estouro muito alto e um clarão. Um raio acabava de cair e o temporal havia começado, o que estragou um pouco os planos de Sherlock. O barulho da chuva no telhado e nos carros estacionados na rua era tão alto que mal podia ouvir seus pensamentos. Sherlock permanecia em silêncio observando a grande tempestade que havia lá fora. As luzes desligaram após outro trovão e ele se sentou na poltrona ainda observando a chuva bater na janela e o alto som que fazia. A Lua não iluminava mais como antes, e a falta de energia causada por uma provável árvore que caira sobre um poste tornava a Baker Street um pouco macabra. Ele ouviu passos na escada, John havia acordado com os barulhos e estava indo até o encontro de Sherlock com a lanterna do celular.

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