Máscaras (Girafa)

Oleh pinkblairbr

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Rafa, Agente Federal com sede de vingança que se mete em uma trama envolvendo uma família poderosa de Brasil... Lebih Banyak

1 - Memórias
2 - Memórias II
3 - Dra. Furacão
4 - Eu Sei de Cor
5 - Titchela
6 - RANU
7 - Preparativos
8 - Operação Hydra
9 - Back To Black
10 - Just Like Fire
11- Abismo Girafa
12 - Anacrônico
13 - Outro Nível
14 - O que ta acontecendo????
15 - Imperfeição
16 - Corrente Alternada
17 - Run
18 - Caminhos
19 - OUTBREAK GIRAFFE
20 - Let's be Friends
21 - Gatas Extraordinárias
22 - Medusa
23 - Origem da vida
24 - AKA Jessy Nelson
25 - Bonança
26 - Mãos atadas
27 - I'm into you, barely breathe
28 - IMPASSE
29 - Physical
30 - Ainda Bem
31 - Apreensão
32 - Revelações - Parte 1
33 - Revelações Parte 2
34 - Quem diria?
35 - Teoria do Caos
36 - Malu Gabatti
37 - Em Minhas Veias (In My Blood)
38 - GINU
39 - Por um Minuto (Part I)
40 - Deve ser Horrível dormir sem mim (II)
41 - The Feeling (A sensação)
42 - Underdogs
43 - Em cima da Moto??
44 - Mudanças
45 - Acaso
46 - Á La Mary Jane
47 - há quanto tempo?
48 - Bobo, falso abobado!
49 - Like a River
50 - Mais que o amor
51 - Um Desejo dois irmãos
52 - Hurt
53 - LyLLa Bicalimann
54 - Please Don't Leave Me
55 - Luxúria
56 - Caos
57 - Inimigo
58 - SETEVIDAS
59 - Fuga
60 - Três lados
61 - Karaoke
62 - Obrigada por me escolher
64 - Head Over Feet
65 - Sufoco
66 - Inesquecível
67 - Enquanto eu respirar vou me lembrar de você
68 - Feliz dia dos namorados Meu Amor
69 - Feliz Aniversário

63 - Dois furacões

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Oleh pinkblairbr

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Gizelly estava no escritório de advocacia trabalhando e Rafa em seu apartamento. A mais alta vestia um short jeans, uma blusa bege surrada e estava descalça, seu cabelo preso em um coque atrapalhado. O apartamento que ficou a sua disposição durante a operação deveria ser entregue essa semana,  mas devido a chegada de sua mãe, achou por bem adiar a entrega para hospeda-la. Já havia despachado alguns de seus pertences para o apartamento de Gizelly.

Enquanto ensacava algumas de suas roupas, sorria com a lembrança de algumas de suas conversas com Manoela, onde a mais baixa dissera em uma das ocasiões , que leu algumas coisas na internet a respeito de se relacionar com mulheres e que uma das páginas dizia que "No segundo encontro de um casal de mulheres, uma delas levava o caminhão de mudanças" "Eram muito emocionadas". Lembrou como tanto sua vida quanto de sua melhor amiga tinham dado uma guinada e pareciam estar encaminhando para o mesmo lugar, um local mais feliz e realizado.

Enquanto terminava seus afazeres o celular tocou. Pegou o aparelho, sorriu e sentou-se no sofá para atender, levando as pernas para cima.

- Você não morre tão cedo!

- Estava falando de mim é, com quem?

- Estava pensando em você e como você me disse sobre o segundo encontro de uma lésbica ser a mudança e cá estou eu, arrumando minhas malas. – Manu gargalhava do outro lado da linha.

- Amiga, a internet não falha! Mas me diz, como você está com tudo isso? Rafaella Kalimann vai se casar com um furacão, enfrentar outro e vai mudar de cidade.

- Eu estou mais nervosa em contar para minha mãe que me caso em algumas semanas com uma mulher do que contar para ela que estava trabalhando infiltrada e que vou mudar definitivamente para cá.

- Entendo seu pensamento mas é um pensamento burro. Sua mãe é um espirito livre Rafa, a mente dela é mais aberta que a nossas juntas, ela vai lidar super bem e ainda vai adorar a Gizelly, você vai ver.

- Vamos ver ... Mas e você, para de focar em mim viu Maria Manoela, sei muito bem que você anda tão emocionada quanto eu, to achando que você aparece casada antes de mim – ouviu-se Manu engasgando do outro lado da linha

- Que isso menina, ainda é cedo demais, vamos ver como vamos levar daqui para frente quando voltarmos, eu volto para o Rio e ela para São Paulo, não conversamos ainda sobre isso ...

- Eu te conheço muito bem Manu, você vai sabotar isso antes de tomar uma decisão mais séria a respeito de vocês – Rafa usou de um tom mais sério repreendendo a amiga por não tomar uma atitude.

- Então eu deveria, tipo, pedi-la em casamento ou minha transferência para outro estado?

- Não vou levar para o coração seu tom, por que sinto sua briga interna, e não to te falando para fazer o que eu fiz por que obviamente nem tudo que dá certo para uma vai dar para outra pessoa e nem sei se o que eu fiz vai dar certo, espero que dê. Só estou te falando para não estragar o que vejo que tem, você gosta dela não gosta?

- Desculpa Rafa, é que comparações são inevitáveis e eu me coloco na defensiva. Nossas dinâmicas são diferentes, os objetivos também e sim, eu gosto muito, cada vez mais.

- Vejo isso nas duas. – Manu suspirou pesado do outro lado.

- Sim, vamos ver. Mas me diz sua mãe chega quando? Estou com saudades também.

- Ela chega no sábado, Eii, que tal almoçarmos todas juntas? Você e Mari presentes não tem como ela surtar né – Manu riu do outro lado.

- Vou falar com Mari, Aceito por que estou com saudades da sua mãe e ela não vai surtar viu.

- Tudo Bem, vou falar com a Gi para fazermos aqui.

- Não Rafa, Vamos fazer aqui, Ai Gizelly Vai querer cozinhar, o Almoço vai sair na hora do jantar e com 10 kg de comida, aqui pedimos e ninguém se dá ao trabalho.

- Sim, Tem razão. Manu, Obrigada.

- Rafa, obrigada você pela conversa e desculpas, eu sei de tudo que disse, eu só estou um pouco, confusa.

- Eu sei que sabe.

(....)

Os dias seguintes para as duas foram como uma lua de mel, regados a comemorações, juras de amor e promessas para um futuro incrível, mas o final de semana chegou e com ele um estresse antes não visto em Rafaella, ela estava um pouco apreensiva pela chegada de sua mãe. Gizelly apresentava um pouco de nervosismo por finalmente conhecer alguém da família da sua futura esposa. Conversaram brevemente sobre a cerimônia, Rafa queria algo apenas entre elas, simples. Gizelly queria chamar todos os amigos, o que consistia em metade de Brasília e metade de Goiânia. Decidiram por não esperar o desenrolar dos acontecimentos relacionados as investigações já que várias pessoas já tinham sido presas, alguns esquemas desmembrados, Rafa e Manu já não trabalhava mais nas diligências e além do tempo ser curto, queriam dar início a seus planos de vida. Rafa não tinha mais muito tempo e apesar de poder ir para o Rio trabalhar e manter, por pelo menos um tempo, um namoro a distância, não era o que ansiava, queriam morar juntas, Rafa queria casar e poder exercer sua profissão ali, ao lado de Gizelly.

O local onde a cerimônia deveria ser realizada foi um impasse, a Fazenda era o local perfeito mas os empecilhos judiciais eram demasiadamente grandes para não serem levados em consideração. Foi Gizelly quem deu a ideia de pedir ajuda a mãe de Rafa caso ela demonstrasse interesse em fazer parte dos preparativos do casamento. Rafaella ficou um pouco temerosa, não sabia como sua mãe reagiria a informação. Quando se casou com Rodolfo Dona Genilda foi muito solicita e cuidou de muitos detalhes com felicidade, mas não sabia qual seria sua reação ao seu segundo casamento, ainda mais com uma mulher, ainda mais nessas circunstancias. Ela já estava pronta a negar tal envolvimento da mãe quando Gizelly disse que queria muito que Marcilene estivesse viva para poder participar dos preparativos, então Rafa não teve como negar tal pedido, devia isso a Gizelly, pelo menos oferecer a mãe tal participação.

POV GIZELLY

Eu estava mais apreensiva pela tensão de Rafaella com a chegada da sua mãe do que a espera da reação da mulher em si. Ela estava ansiosa, eu até entendia seus motivos mas eu queria muito estar passando pela sua situação agora, ter a visita de minha mãe. Tentaria não pensar nesse detalhe e ser o mais agradável possível. Era sábado de manhã e estávamos eu meu apartamento, em breve nosso. Rafaella insistia para que escolhêssemos algum outro lugar, dando desculpas de querer algo maior ou em outra localidade, já havia usado até a desculpa de "talvez um lugar com a nossa cara ao invés de só a sua" mas eu sabia que todas as escusas eram seu desconforto em morar em um lugar que apenas eu tenha pago. Ela gostava de participar financeiramente das decisões e com as despesas do casamento não era diferente, eu estava enfrentando os mesmos problemas. Eu não me importava de maneira alguma em contribuir mais, afinal eu aceitei casar com ela e tudo que fosse meu também seria dela e vice versa, mas seu orgulho falava mais alto, talvez se a situação fosse inversa eu agiria da mesma forma. De qualquer maneira eu não pretendia mexer em um centavo que Alexandre havia deixado para mim, conquistei muitas coisas ao longo dos anos, ganhei alguns casos grandes que me renderam um bom guardado e claro, não vou ser hipócrita, muitos bens que conquistei no início da vida adulta tiveram dedo da família mas a partir do momento que eu sei que o dinheiro é sujo, não quero mais nada, nem a fazenda que tanto amo. Essa  será a parte que mais vai doer me desfazer, A Fazenda, tive belas lembranças lá. Enquanto pensava no futuro, pensei em meus amigos ao longo dos anos e muito em Marcela. Há muito tempo não nos encontrávamos a sós para conversar e ela fez parte da minha vida, eu tinha um carinho grande por ela, então resolvi lhe mandar uma mensagem a convidado para um almoço na próxima semana. A notícia que eu tinha ficado noiva ainda não tinha sido compartilhada com ninguém do meu ciclo de amizades e eu queria contar pessoalmente para cada pessoa, seria difícil assimilar por que muitos deles não conheciam Rafaella como minha namorada ainda, então seria um baque inicial mas que logo se acostumariam, me conheceram intensa desse jeito e são meus amigos assim, então não seria difícil entender minha intensidade. Meus pensamentos foram dissipados por ela.

- Pronta? – Rafa vestia um vestido rosa bebê de alcinhas rendado que parava antes de chegar ao joelho e sandálias caramelo. Ela me assustou ao chegar a sala.

- Quase, mas – Olhei no Relógio dourado em meu pulso – ainda são dez horas, elas só chegam meio dia.

- Eu não aguento mais ficar aqui!

- Eu sei amor – Levantei e repousei minhas mãos na sua cintura – ir mais cedo não vai fazer o avião chegar mais rápido – Rafa bufou e ajeitou a gola da minha camisa de botão.

- Vai assim? – Ela falou despretensiosa e depositou um beijo em meu pescoço, eu sabia que não havia sido proposital, eram seus nervos e sua busca por aceitação falando mas eu precisava indagar. Eu vestia uma camisa de botão florida, short jeans rasgado e estava descalça.

- Assim como Rafaella? – me afastei um pouco para encara-la.

- Você disse que estava quase pronta, só quero saber se vai assim para podermos ir – ela sabia se sair bem, filha da puta gostosa, mas eu era melhor.

- Ah sim, achei que estava criticando minha roupa – eu a provoquei.

- Claro que não amor, você tem bom gosto e fica linda com tudo que coloca – Mentirosa! Ela me abraçou e me beijou nos lábios sorrindo.

- Que bom! Vou só pegar minha Jaqueta de couro e meu coturno e já podemos ir.

- Que???? – Ela arregalou os olhos e eu gargalhei.

- Rafa está um calorão lá fora, eu vou só pegar uma sandália e passar um perfume meu amor, se acalma.

Eu terminei de me arrumar enquanto Rafaella parecia fazer um buraco no chão na sala de tanto que andava de um lado para o outro. Como se não bastasse seu nervosismo pelo encontro com sua mãe e o anuncio de nosso casamento, Genilda tinha ligado ontem à noite para a filha, para avisar que tinha medo de avião e que não queria viajar sozinha, perguntou se a filha se importava dela levar alguém, Rafa não se importou de imediato então sua mãe informou que levaria consigo uma amiga e sócia chamada Isadora. Assim que desligou o Telefone Rafa, que estava deitada ao meu lado na cama, buscou nas redes sociais a mulher e ambos nossos Gaydares quebraram na hora. Ela era alta, tinha os cabelos lisos e com luzes, parecia ter a nossa idade e em várias fotos do instagram Genilda aparecia, o que fez Rafaella ficar possessa.

A princípio Rafa buscaria sua mãe sozinha e elas teriam uma conversa a sós mas a vinda da outra mulher fez com que seus planos fossem por água abaixo, então eu iria junto. A ideia seria que eu distraísse a amiga da minha sogra para que as duas pudessem conversar e se tudo desse certo todas iriamos para o apartamento de Mari e Manu e teríamos um almoço tranquilo. Chegamos no aeroporto e ficamos esperando sentadas, bom eu estava sentada e Rafa fazia o seu mais recente ritual de tentar chegar a china através do chão.

(...)

- Meu Deus está muito atrasado esse voo – Agora era eu quem estava impaciente.

- Manu não para de me ligar, disse que está tudo arrumado lá. Mari teve um imprevisto e chegaria mais tarde, pelo menos assim dá tempo de todos comermos juntos – ela gesticulava.

- Vocês deviam ter deixado eu cozinhar! – cruzei os braços irritada.

- Não queríamos te dar trabalho e devíamos ter organizado um Jantar e não um almoço, já são 13h.

- Podemos fazer um jantar também! – logo me animei.

- Ai não da ideia Gi, não sabemos como vai ser aqui – murchei e enquanto conversávamos avistei a mulher que vimos nas fotos na noite passada.

- Rafa, chegaram – apontei com a cabeça e logo me pus atrás de Rafa.

A mãe dela estava radiante e sorridente, a mulher ao seu lado a guiava com a mão repousada em suas costas e eu achei meio estranho mas não comentei nada, me limitei a observar.

- Rafinha minha filha! – A mulher se aproximou de Rafa e abraçou apertado, a sua acompanhante tinha as mãos atrás das costas como quem tinha sido pega no flagra e eu me apressei a me apresentar para ela que disse seu nome, Isadora. Ficamos em silencio enquanto mãe e filha interagiam.

- Meu Deus você está tão maravilhosa minha filha! – a mais velha rasgava elogios.

- A senhora também está linda mãe! – Rafa disse se afastando do abraço para encara-la

- Oh Minha filha, estou tendo mais tempo para mim agora – a mulher afagou os próprios cabelos orgulhosa com um sorriso no rosto, passaram alguns segundos se olhando ate que lembraram de suas acompanhantes.

- Ah Mãe – Respirei fundo, chegou o momento – Essa é Gizelly Bicalho, Gizelly essa é minha Mãe Genilda Freitas.

- Prazer Dona Genilda – me apressei a responder e apertar sua mão mas a mulher me atracou em um abraço apertado.

- Oh que menina linda, Prazer Gizelly e Pode me chamar de Genilda que não sou Dona de nada minha filha – ela riu divertida – você trabalha com minha menina? – ela me olhou curiosa e com um sorriso encantador nós lábios , há se ela soubesse o que eu ando trabalhando em Rafaella...

- Oh Não. – respondi olhando de lado para Rafa que apenas tossiu olhando para a Mãe e Isadora.

- Ah – podia Jurar que Genilda tinha ficado roxa com Rafa encarando sua amiga – Essa é Isadora de quem te falei filha – vi elas se cumprimentarem, Rafa dar um sorriso amarelo e olhar a mulher de cima a baixo, fiz uma nota mental de comentar com ela sobre isso.

- Pode me chamar de Isa, Rafaella, Muito prazer finalmente conhece-la, sua mãe fala muito de você – a mulher olhou ao redor – Obrigada por me receber, sempre quis conhecer essa cidade.

- Igualmente Isadora! Fala bem eu espero. –  disse seca.

- Oh, muito bem – a mulher ficou um pouco constrangida e os ânimos tensos.

- O medo de voar, mãe , passou na companhia de Isadora? – Ela se virou para a mãe novamente e falou levantando uma sobrancelha, eu não estava acreditando que Rafa estava falando daquele jeito com a mãe.

- Certamente foi uma boa distração e eu nem vi o tempo passar – as duas sorriram cumplices , Rafa ficando vermelha e resolvi intervir.

- Então, não queria apressar, mas temos que ir e Rafa ainda queria conversar com sua mãe não é – olhei nos olhos da minha mulher e ela estava um pouco irritada.

- Sim, minha intenção era conversar com a senhora mãe – falou olhando para Genilda - mas já está bem tarde e Manoela nos espera para o almoço então que tal irmos e conversamos lá?

Fomos na frente guiando as duas mulheres até o carro e eu olhei por cima dos ombros para ver que as duas estavam em uma distância longe o suficiente para não ouvir nossa conversa.

- Que coisa Feia Rafa - falei sussurrando ao seu lado.

- O que? – ela desacelerou o passo.

- Você secou a menina de cima abaixo.

- Está com ciúmes?

- Logico que não, o jeito que você olhou para ela não me dá ciúmes nenhum, se um dia você me olha assim eu viro a mão na sua fuça! – ela soltou uma risada abafada.

- Essa é a mulher que estava com a toalha na cabeça aquele dia quando eu fiz a ligação de vídeo com ela  – não aguentei e ri, tapando minha boca para não sair alto.

- Para de rir Gi – ela pediu.

- Se elas forem namoradas qual o problema?

- Minha mãe é Hétero Gizelly – olhei para trás rapidamente e Isadora estava segurando no Braço de Genilda enquanto elas caminhavam rindo do próprio assunto, voltei meu olhar para Rafa.

- Eu também, você também, éramos!

- Minha mãe não tem idade para essas coisas!

-Pelo amor de Deus Rafaella não vai me fazer desistir de ter falado Sim para você né? Que pensamento retrogrado. – falei já me irritando.

- Ué Gizelly – ela disse confusa.

- Ué nada. Vamos, as meninas estão esperando! E la você trate de ter uma conversa franca com sua mãe, pelo amor de Deus – eu queria falar para ela parar com a picuinha e aproveitar a sorte que tinha de ter Genilda viva com ela, mas não queria jogar a carta de culpa assim, me limitei a entrar atrás no carro.

- Não vai na frente? – ela me encarou confusa.

- Sua mãe vai na frente né Rafaella – parecia uma boa hora para quebrar o clima pesado – além do mais não queremos que, no meio do caminho, elas não resistam e se peguem no banco de trás – não segurei o riso.

- Porra Gizelly – Rafa falou brava e se limitou a ajudar sua mãe com as malas.

Quando estávamos todas prontas para irmos, Rafa deu partida no carro, Isadora e eu estávamos no Banco traseiro, Rafa e Genilda na frente. Antes que ela colocasse o carro em movimento, levei meu corpo para frente , entre a porta do motorista e o banco me inclinei no ouvido esquerdo de Rafaela e disse.

- Você está imaginando não é Rafinha? – se ela não tinha tido a visão, agora teria.

- Vai se f....

Rapidamente recostei no Banco e olhei pelo retrovisor ela me fuzilando com os olhos e me xingando apenas com o mexer dos lábios.

(...)

POV RAFA

A sensação que tive ao ver minha mãe ali tão à vontade e feliz com aquela mulher não era a efeito que eu esperava ter. Claro que eu tinha pensado na possibilidade dela ter se envolvido com alguém e que essa pessoa pudesse ser uma mulher mas não sei por que aquilo tinha um efeito tão estranho em mim. Eu sentia ciúmes e medo por ela. A mulher devia ter a minha idade. O quão hipócrita eu estava sendo estando aqui pronta a anunciar para minha mãe que eu estava perdidamente apaixonada por uma mulher, que eu tinha pedido ela em casamento e queria sua participação nos preparativos e em nossas vidas assim como sua benção e só o pensamento dela poder viver algo parecido me fazia ter tal reação.

Gizelly tinha me repreendido e me feito pensar um pouco nessas questões e enquanto eu dirigia a caminho do apartamento das meninas, pensei que era apenas um baque inicial e que tudo iria ficar bem. Podiam estar se relacionando, Ok, eu teria que conviver com isso, ela merecia ser feliz assim como eu estava sendo ou podiam realmente ser somente amigas. Resolvi me concentrar no anúncio que faria a minha mãe, nossa conversa e também a surpresa que tinha para Gizelly, aquela que estava faltando.

O caminho foi silencioso, de vez enquanto eu olhava pelo retrovisor para então encontrar meu furacãozinho cantando errado com os cabelos ao vento e aquilo me acalmava, virei os olhos para Isadora e ela parecia estar bastante nervosa, talvez eu tinha bastante parcela de culpa nisso, minha mãe ao meu lado estava tranquila e cantava uma ou outra música também, em pouco tempo chegamos e eu já estava faminta.

(...)

Chegamos ao prédio e subimos pelo elevador.

- Mãe Lembra de Manu? – ela balançou a cabeça afirmativa enquanto entravamos no elevador - Então ela está morando temporariamente aqui com uma de nossas colegas de trabalho – eu não sabia se poderia falar sobre o relacionamento das duas, esqueci de conversar sobre isso com Manu e mesmo assim, não tinha falado nem do meu ainda – Vamos almoçar com elas e depois vou acomoda-las no apartamento que estou ficando, só não reparem pois vou entregá-lo semana que vem e já tirei algumas coisas.

- Você já vai se mudar de volta Rafa – minha mãe perguntou e eu e Gizelly nos olhamos.

- Vou mudar de apartamento mãe, conversamos lá dentro. – me voltei para ela e sorrimos uma para outra.

Bati na porta e ninguém atendeu, Bati novamente e uma voz distante gritou que podíamos entrar pois a porta estava destrancada, era Manoela.

- Meninas, chegam... – eu fui a primeira a entrar, minha voz morreu e tampei a entrada da casa com meu corpo.

- Ah não, o que é isso? Meus olhos !!! – tampei o rosto.

- O que Foi Rafa! – Senti Gizelly me empurrar e Graças a Deus minha mãe e Isadora ficaram no corredor.

- Tampa isso aí Mariana!

- Gente mas o que é isso – ela disse com a cara mais lavada do mundo, piscando os olhos. Olhei para Gizelly e ela estava com os olhos arregalados e com um meio sorrisos no rosto, parecia admirar todo a cena - Porra Gizelly .

Coloquei minhas mãos nos olhos da Gi.

- RAFA tirar esses dedos daqui - me estapeou brava e eu ficou Muito possessa.

- Você tem dois pesos duas medidas não é Bicalho, tem horas que não aguenta que eles saiam – falei me esquecendo de quem estava atrás de nós.

Foi a vez da minha mãe forçar a própria entrada.

- O que está aconte... Nossa! – Pronto, agora minha mãe também.

Mariana continuou TOTALMENTE PELADA andando do quarto até a área, pegou tranquilamente uma toalha e retornou.

- Mariana porra, já falei.

- o que Gente? - comecei a achar que ela realmente não via problema nenhum em andar do jeito que Deus a trouxe na terra.

- Você está Nua - não queria dizer o obvio mas já falando - eu, Gizelly e minha MÃE estamos aqui - arregalei os olhos firmando o rosto para que ela entendesse.

- A isso - ela fez uma cara despretensiosa e apontou para o próprio corpo - todas temos e além do mais, não quer ver estrelas, não olha pro céu! – Abusada!

Eu já abria minha boca para responder quando Manoela finalmente apareceu, entrou desprevenida pela sala com a cabeça baixa e quando subiu o rosto viu Mari nua.

- Meu Jesus Cristinho, Mariana do Céu coloca uma Roupa – ela quase gritou a última parte.

- A não você também? eu estou indo tomar banho vim pegar a toalha - ela falou como se fosse normal e percebi que para ela , era.

- Temos visita! Por que não se enrolou nela.

- Por que eu vou em enrolar nela se vou desenrolar para entrar no banho? E você não pareceu se importar com minha nudez ontem à noite. – Mari provocou Manu parando no meio da sala com as mãos na cintura.

- Pelo Amor de Deus Mariana - ela correu de encontro a mais alta, eu quis rir ao ver Manu correr com seu corpo pequeno tentando tampar o corpo esguio de Mari da visão dos demais.

Depois de toda a dança e provocações, apresentações foram feitas, Mari já estava devidamente vestida e nós seis estávamos na sala de Jantar, eu Manoela e Isadora éramos as constrangidas e mais quietas enquanto Mariana Gizelly e minha mãe engatavam um assunto ao outro enquanto tomávamos algumas bebidas.

O almoço havia chegado e enquanto as meninas colocavam a mesa, pedi para falar com minha mãe em particular, então nos encaminhamos para a varanda, meu coração parecia sair do peito.

A varandinha era pequena e tinha uma mesinha redonda com duas cadeiras de palha em volta da mesa, fechamos a porta de correr atrás de nós para privacidade, ficamos em silencio nos encarando e minha mãe foi a primeira a quebrar o silencio.

-Então minha filha, desde quando?

- Oi?

- Você e a Linda morena dos olhos castanhos – ela gesticulou sorridente e eu corei.

- Como?

- Rafaella? Sério? – Eu sorri.

- Estou perdidamente apaixonada e tenho plena certeza que encontrei a pessoa com quem vou viver o resto dos meus dias – soltei de uma vez, ela me encarou por alguns minutos e finalmente falou.

- Ela te faz feliz?

- Muito!

- Voce faz ela feliz?

- Acho que sim.

- Acha? – ela levantou uma sobrancelha.

- Tenho certeza que sim!

- Por que demorou tanto para me contar Rafa, eu sabia que algo bom estava acontecendo com você – ela me abraçou e eu retribui – estou feliz demais por você.

- Tem mais... – ela me soltou - Eu a pedi em casamento e vou me mudar definitivamente para cá – minha mãe arregalou os olhos.

- Que? Não está indo Rápido demais Rafaella?

- Minha Alma tem pressa, mãe. – sorri e ela também.

- Então espero que seja muito feliz minha filha – ela sorria genuíno e eu quis chorar.

- Tem mais uma coisa.

- Ai Meu Deus. Qual das duas está gravida? – ela disse divertida

- Que? – eu gargalhei – Não mãe, nem da ... - Não ia me explicar, esperava ser uma piada – Nos queríamos que – eu estava um pouco tímida em perguntar –Se você quiser participar dos preparativos.

Ela levantou de supetão e falou alto.

- Eu vou poder ajudar no casamento? Escolher os ornamentos, vestidos, CLARO que eu quero, eu tenho umas revistas de noiva, Meu Deus dois vestidos – ela arregalou os olhos com as mãos no rosto – VAI SER DIVINO! Já estou até vendo tudo aqui na minha cabeça, tenho que saber o estilo da Gizelly , o seu eu já conheço .... – eu já estava rindo da reação da minha mãe, ao mesmo tempo em que estava desesperada pela sua euforia ,que ia contra minha ideia de casamento simples, quando suas próximas palavras me cortaram na alma.

- A mãe dela também vai ajudar?

Contei tudo para ela, como nos conhecemos, o que rendeu lágrimas e palpitações quando lhe contei que eu quase fui explodida junto com Manoela, contei sobre a infiltração, sobre a operação , a família de Gizelly , a morte de sua mãe. Minha Mãe parecia estar assistindo a um filme de ação misturado com drama, hora arregalava os olhos ora chorava ou dava uns gritinhos incrédula. Foi a vez dela me contar quem realmente era Isadora em sua vida , eu apertei um pouco e ela me confessou que tinha sentimentos confusos a respeito da mulher e que ela passava algumas vibrações também conflituosas, elas tinham uma relação bastante próximas e eu achei que sairia dali dando um sermão em minha mãe por estar ficando com uma mulher da minha idade, mas na realidade sai dando dicas de como ela poderia se expressar melhor e ver o que aquele relacionamento significava para as duas.

Voltamos para o interior do apartamento onde as mulheres nos esperavam impacientes para comer.

Almoçamos em um ambiente agradável, Minha mãe colocou sua amiga a par das conversas, claro que deixou de lado o tópico da amizade das duas. Nem eu nem ninguém precisamos contar para minha mãe que Mari e Manu eram um casal, não depois da recepção calorosa que tiveram.

(...)

- Então Genildinha furacão vai ficar aqui e bagunçar o casamento!

- Vou pôr ordem em Tudo Manu.

- E você, não quer aproveitar e se casar também não – minha mãe, Gizelly e Mari sorriram e eu Vi Manu engasgar com a comida.

- Meu Deus – Manu disse em meio a tosse.

- Ai eu to emocionada, vamos todas nos casar, já penso um casamento Triplo – eu chutei Gizelly por debaixo da mesa mas errei a canela e acertei mariana.

- Triplo? – Isadora perguntou e agora quem se engasgava com a comida era minha mãe.

- O que foi Kalimann, por que está me chutando? – Mari disse me encarando feio.

- Eu só espreguicei, desculpa - disfarcei.

- Sei – me olhou desconfiada.

- Sério gente seria tudo né, imagina – Gizelly começou a falar e eu levantei rapidamente antes que ela falasse algo que pudesse deixar minha mãe roxa.

Bati o talher no copo chamando atenção para mim.

- Gente como todos sabem – falei em pé tomando a atenção de todos graças a Deus – Eu e Gizelly vamos nos casar, eu pedi e ela aceitou – sorri para ela que sorriu para mim – mas foi tão espontâneo que no momento do pedido eu não tinha um anel .

- Eu não importo com isso amor – Gi me interrompeu mas eu continuei.

- Mas agora eu tenho e – busquei as mãos de Gizelly para que também se levantasse – aqui na frente da pessoa que me deu a vida – apontei com a cabeça para minha mãe - eu quero te pedir oficialmente Gi , Aceita se casar comigo? – Tirei do Bolso uma caixinha de veludo com o anel que havia comprado essa semana.

- Se eu fosse você não ficava pedindo de novo , Gizelly é indecisa, pra dizer não , pouco custa – Manu disse e gizelly fez língua para ela.

- Claro amor – ela disse sorrindo, coloquei o anel em seu dedo o qual admirou muito – lindo!

Eu beijei seus dedos e sorri, escolhi algo simples pois o casamento seria em breve e logo o anel seria substituído mas eu queria fazer tal gesto, algo me dizia que ela gostaria disso.

- To aqui pensando pro Bolo de casamento de vocês quatro - minha mae disse divertida para implicar com Manuela – três policiais , uma advogada, balança da justiça, algema – eu arregalei os olhos e Gizelly riu.

- Genilda , So a Gizelly e a Rafa que Vão se casar, eu não!

- E mesmo Manoela? – mari disse divertida e Manu engoliu a seco.

- Não agora, Eh... – deu uma boa garfada da comida – gostei da algema – mudou de assunto, justo na algema.

- Gente , voces vão dar indigestão na Rafa falando de algema – Gizelly disse e eu quis mata-la.

- Por que? – todas disseram inclusive Isadora que estava mais calada antes, pois deveria ter ficado.

- Por que nos estávamos ...

- Gizelly fica quieta.

- Deixa sua noiva falar RAFAELLA.

-Mas Mãe - choraminguei

- Mas nada – Gizelly ria e prosseguiu.

- Bom , estávamos brincando com o objeto e eu meio que prendi ela na cama e perdi a chave – Gizelly ria e todas gargalhavam, menos eu.

- Por que não me chamaram – Manu disse em meio a gargalhadas e risos – eu poderia abrir, tirar uma foto claro e depois abrir - riu mais um pouco e minhas bochechas queimavam.

- Ah ta que eu ia deixar ela te chamar pra você me ver .

- Deveria – Gizelly ria mais ainda e eu queria me esconder.

- Pois é pensando bem deveria, assim a Gizelly não teria chamado O VIZINHO para desmontar a cabeceira né.

- Rafa eu te vesti antes - falou séria e eu só queria esquecer .

- Mesmo assim né Gizelly – todas as mulheres nos olhavam morrendo de rir – você acha que a desculpa de que eu estava limpando a algemas e ela travou, tinha colado?

- Ele é um senhorzinho inocente, não pensou nessas coisas.

- Com certeza não, Com certeza não Gizelly.

(...)

O resto do almoço seguiu tranquilo e gosto. Combinamos de nos encontrar no domingo então nos despedimos das meninas e fomos embora. Deixei minha mãe e Isadora no apartamento da PF e segui com Gizelly para sua casa, percebi que ela ria sem parar.

- Por que você está rindo Gizelly?

- To rindo de você preocupada com minha roupa sapatonica no início do dia – ela gargalhava agora, parecia tomar folego para concluir – E a Mari nem roupa estava usando e sua mãe só faltou chegar de xadrez dirigindo um caminhão.

Bem, eu mereci!

- Porra Gi, na cara não!

(...)

Estava deitada na cama aguardando Gizelly que estava tão feliz com o anel que havia lhe dado que tinha me prometido usar algo lindo e especial somente para mim essa noite, eu estava feliz pelo modo como minha mãe reagiu e como as duas tinham se dado muito bem, estava satisfeita com Isadora também, de certa forma era bom saber que ela estava cuidando da primeira mulher da minha vida de forma tão bacana, mas meus pensamentos logo se voltaram para a morena e minha futura esposa. Eu já ansiava por seu corpo junto ao meu quando meu celular tocou indicando que uma mensagem havia chegado. Levantei da cama para pegar o celular mas fui impedida por um par de mãos por trás.

- Onde pensa que Vai?

- Chegou mensagem, ia ver!

- Se for importante, ligam e além do mais acho que se você se virar, vai gostar mais da visão daqui.

Não esperei muito e logo avancei para beija-la, eu passaria a noite da minha forma preferida, com ela em meus braços, dando e recebendo prazer, a mensagem ficaria para depois.

De: Manu

Rafa, Você disse que ia entregar o apartamento essa semana então devem estar todas na casa da Gizelly né? Fez muito bem. Mariana me disse que Renato foi visto na cidade essa semana e nosso apartamento aqui , ele não conhece a localização, mas o seu era o ponto de encontro entre vocês, será o primeiro lugar que ele irá te procurar se resolver fazê-lo. Cuidado redobrado.

Beijos , adorei nosso almoço.
Ah sua mãe me paga, peguei Mari lendo sobre casamentos, eu tô fodida, me liga amanhã. Acho que vou ter que pegar emprestado o caminhão de mudanças :'(.

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Estrelinha favela!

Um cap simples pra ajudar na enfermidade de cada domingo. 😁😘

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