Dream Girl [COMPLETO]

By Helenayaraaraujo6

8.3K 1.3K 759

Depois de anos lutando para conseguir realizar seu sonho de ser uma cantora reconhecida, Daniela Keisting se... More

Prólogo
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Bônus Taylor Harper
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Bônus Taylor Harper
Capítulo 29
Capítulo 30
Capítulo 31
Capítulo 32
Capítulo 33
Capítulo 34
Capítulo 35
Capítulo 36
Capítulo 37
Capítulo 38
Capítulo 39
Capítulo 40
Capítulo 41
Capítulo 42
Capítulo 43
Capítulo 44
Capítulo 45
Epílogo

Capítulo 1

530 56 15
By Helenayaraaraujo6


- Vamos levantar bela adormecida! O dia hoje será bem cheio. - disse Flávia com seu bom humor matinal que, apesar dos vários anos de amizade ainda me irritava um pouco. Ela escancarou as cortinas do hotel, deixando toda aquela claridade adentrar o quarto quase queimando meus olhos. Eu sempre me perguntava como alguém pode ser feliz às 7hrs da manhã? É humanamente impossível! Cobri meu rosto com a coberta e me virei para o lado oposto. Porém sabia que Flávia Viana não se daria por vencida e como nosso ritual matinal, assim que me viro ela puxa minha coberta, me fazendo bufar. - Foi dormir tarde de novo, né? - exibia aquele sorriso triunfante sabendo que eu não iria conseguir dormir de novo.

- Fiquei no estúdio até às 3hrs gravando algumas demos. Por isso eu mereço dormir mais um pouco... - recostei na cama de novo rezando que algo tocasse no coração da minha querida amiga e agente, mesmo sabendo que isso não iria acontecer. Flávia era extremamente chata com horários e prazos.

- Mas é lógico que não! Preciso lembrar de que você hoje tem cabelereiro, manicure, depilação, maquiador e figurinista? Levanta logo! - disse saindo do quarto enquanto atendia um telefonema no celular.

Sentei na cama ainda tentando me situar no tempo e espaço. Finalmente esse dia havia chegado. Eu, Daniela Keisting, estava concorrendo ao Grammy de melhor álbum e melhor cantora. Esfreguei os olhos, passei a mão pelo meu cabelo, ainda um pouco embolado pela pequena noite de sono. Levantei, abri a imensa porta de vidro que dava para a grande sacada do hotel e me debrucei. O clima daquela manhã estava surpreendentemente agradável, apesar das noites de chuva anteriores. O dia já tinha começado de maneira espetacular com o céu azul, sem nenhum traço de nuvens no céu e estando ali, com aquele clima meus pensamentos se perderam. Foram parar naquela menina insegura que deixava seus pais, com um violão nas costas atrás do seu sonho para se aventurar em um outro país.

Apesar do dia bem cheio, eu me senti um tanto anestesiada enquanto mil pessoas mexiam em mim, no meu cabelo, nas unhas, massagem e tudo o que uma concorrente a um prêmio dessa magnitude tinha direito. Mas tudo o que eu conseguia pensar era em como a minha vida havia mudado tanto, tanto. A vida fez com que eu tivesse que me readaptar inúmeras vezes ao longo desses meus 26 anos. Sair do Brasil, me mudar para um país totalmente novo, me adaptar a Tulsa, me readaptar ao Brasil, voltar ao país que já não era novo, mas em outras circunstâncias em um novo estado, longe de todos que eu amava. E agora estava tendo que me adaptar novamente à mudança. Sair de Nova Iorque, que tinha se tornado meu lar nos últimos 6 anos para ir para Los Angeles. Foi uma escolha pensada no meu bem estar, na minha sanidade, poder estar mais perto da natureza, morar perto da praia, ter nem que fosse um pouquinho a mais de privacidade. Eu posso dizer que mesmo ter me tornado expert em mudanças, estava um pouco cansada de sempre ter que me readaptar a uma nova experiência, mesmo tendo sido eu mesma a ter me proposto isso. Quando me dei conta, durante os meus devaneios e viagens ao centro de Danny, estava eu com meus cabelos loiros levemente cacheados que caíam pelos meus ombros, dentro de um Givenchy prateado com uma imensa fenda lateral, mangas compridas e um grande decote nas costas. Eu tinha escolhido um vermelho porque achava que é a minha cor, mas entre a minha paixão por vermelho e a paixão da Flávia por fendas, já se sabe quem ganhou a disputa. Essa parte era incrível, como podiam me transformar a ponto de eu não parecer em nada com a reclamona que teimava em levantar de manhã. Eu tinha os melhores maquiadores e cabelereiros da face da terra. Escondiam muito bem minhas noites mal dormidas sendo no estúdio ou em uma boate e arrumavam meus cabelos que muitas vezes tinha preguiça de lavar. O sonho de qualquer uma... mesmo não conseguindo me mexer muito bem com aquele vestido sem deixar algo à mostra demais no tapete vermelho.

Adentrar aquele teatro e ser conduzida até o meu assento foi uma das sensações mais lindas e loucas que já tive. O dia inteiro eu me senti saudosa demais, mas naquele momento eu estava diante do meu presente. O que eu sempre quis, sempre sonhei, sempre rezei antes de dormir, estava realmente acontecendo. Meu trabalho estava sendo levado a sério. Eu não era mais uma iniciante com longas pernas e um belo par de seios que dançava enquanto cantava e que apenas tivera muita sorte. Com meu segundo álbum eu acreditava que havia conseguido consolidar meu trabalho e pensar que a mídia medíocre dizia que minha carreira terminaria no primeiro álbum, deviam estar arrancando os cabelos agora. Afinal, olhem onde estou agora!

Ganhar as duas categorias era muito mais do que eu esperava. Eu já estava nas nuvens somente em concorrer. Mas ganhar? Eu não estava cabendo em mim de tamanha felicidade.

- Eu gostaria de agradecer primeiramente a Deus e a minha família por poder estar aqui hoje. Por confiarem em mim e deixarem que aos 18 anos eu viesse pra cá em busca do meu sonho. E acho que no final das contas eu não estava tão louca, não é verdade? - disse bem nervosa tentando descontrair enquanto quase deixo cair a estatueta de tanto que minhas mãos pingavam de suor.

- Quero agradecer a todos que participaram da gravação desse álbum. Ao meu produtor, que aceitou meus momentos de insanidade e transformou tudo isso em belas canções. Obrigada a todos que me ajudaram a chegar até aqui, à academia por votarem em mim, aos meus amigos pela paciência, e aos meus fãs por fazerem de mim a cantora de vocês!

Quase não consigo conter as lágrimas que insistem em me queimar os olhos. Desço do palco com a sensação de estar pisando em nuvens, de que nada daquilo era real. A única coisa capaz de me trazer à minha realidade era minha sandália que insistia em esfolar o meu dedo mindinho.

Troquei de vestido colocando o vermelho, finalmente, mais confortável onde eu conseguia me mexer como um ser humano normal. Era um vestido que apesar de ser tomara-que-caia, eu me sentia à vontade para dançar que nem uma louca pelo resto da noite comemorando aquele dia inesquecível no after party. Reencontrei vários amigos e colegas de profissão, me acabei na pista de dança e no champanhe. Fui levada de volta ao hotel por volta das 5h da manhã com os sapatos nas mãos, o cabelo desgrenhado tamanho o suor, um pouco tonta, mas com um sorriso que ninguém e nem as 3 horas de sono que eu teria até pegar o avião seriam capazes de tirar de mim. Eu estava plena!

Após dormir apenas algumas horas eu estava acabada. Com olheiras iguais as de um panda, com os pés doloridos, e uns arranhões nas costelas resultado das pedrarias do vestido. Mas ainda estava feliz. Entrei no avião depois de falar e tirar fotos com alguns fãs. Mantive os óculos escuros para não assustar ninguém e parti em direção a Miami. Não consegui dormir no trajeto, então Flávia também não dormiu enquanto descrevia para ela como tinha sido minha grande noite, os tombos, as gafes, e as pessoas que tinha encontrado. Flávia apesar de sonolenta me deu toda a atenção.

- Você não tem noção de como eu gritei quando falaram o seu nome, Danny. Você sempre se esforçou tanto pra chegar até aqui, e conquistar tudo isso. Quem diria que há anos atrás, nós duas limpando mesas em Manhattan estaríamos em um jatinho particular agora? - riu de maneira um tanto nervosa. - Eu quero dizer que sou muito feliz por poder fazer parte disso e sou muito grata por tudo o que você fez e faz por mim. - Flávia se virou para a janela e eu soube que ela se transportou para aquela época, em que as coisas não eram muito fáceis para nós e ainda piores para ela.

-Hei... - sentada no banco ao lado dela segurei sua mão com força, o que fez ela olhar para mim de novo. - Eu que sou grata por ter você nessa jornada que é tão linda e tão louca ao mesmo tempo. Não sei o que eu faria sem você. - sorri para ela. - E quanto ao passado, deixemos ele lá trás, que é o lugar dele. Ok?

- Ok. - ela segura minha mão com toda a força que consegue e não precisa dizer mais nada.

Conseguimos dormir um pouco durante o resto da viagem até aterrissarmos em Miami. Eu, Flávia e minha equipe chegamos e fomos almoçar no restaurante do hotel em que nos hospedamos. Tivemos que deixar para "turistar" no dia seguinte, pois por conta da premiação não pude chegar um dia antes do show, coisa que gosto de fazer para me ambientar ao lugar, poder cuidar os detalhes dos shows com calma e poder aproveitar as cidades e países que visitava. Mas nem sempre conseguia fazer isso, pois às vezes estava em uma cidade em um dia e logo depois já estava voando de novo para outro lugar. É ruim, eu não gostava, achava que ficava impessoal demais, não tendo contato com as pessoas a não ser nos shows, com os lugares, com a cultura local. E apesar de amar estar no palco, saía de uma cidade como se não tivesse estado lá de verdade. Essa é apenas umas das discussões recorrentes, que vez ou outra tenho com Gerry, meu empresário.

Minha relação com Gerry posso dizer que vamos do céu ao inferno em segundos. Sempre nos demos muito bem, compartilhamos muitas vezes das mesmas ideias, mas o que mais me irritava era ele me tratar como se eu ainda fosse aquela garçonete em Manhattan que ele descobriu, cuidou e cercou para que eu pudesse ser tudo o que eu poderia ser, mas sinto também que ele cuidou para que eu fosse o que ele sempre idealizou. E por um tempo por mim estava tudo certo, mas sentia que não era mais aquela garota que só queria uma chance de mostrar o seu trabalho e também não sabia se ainda queria ser cuidada por alguém, em qualquer sentido que fosse.

Nessa minha corrida de um país a outro, na maioria das vezes acabava sendo minha própria companhia, entre o vai e vem de tanta gente ao meu redor, o que me permitia que eu conseguisse perceber as mudanças acontecendo aqui dentro. Mas Gerry ainda fazia questão de cuidar de todos os aspectos da minha vida profissional e por algumas vezes da pessoal também.

- Não, eu disse que não ia usar esse body mais, ele pinica demais. Não consigo me concentrar no palco com ele. - disse enquanto Mary, minha estilista separa os figurinos que seriam usados no show daquela noite. O body prata era lindo, com um belo decote em formato V com detalhes em pedras, mas só de olhar para ele eu já me coçava inteira.

- Mas o Gerry disse que esse seria o figurino principal da turnê! Foi caríssimo, Danny! - diz Mary segurando o body no cabide tentando me convencer a mudar de ideia, fazendo-me encarar aquela peça de beleza traiçoeira.

- Se o Gerry faz tanta questão, ele que use. Vai combinar com os olhos dele. - disse virando-me para o espelho iluminado do camarim, enquanto Steve terminava de fazer os cachos no meu cabelo. Mary me olhava ainda sem saber o que minha resposta queria dizer, ou o que ela deveria fazer com o body. - Guarde Mary. Eu não vou usar. Fique tranquila, com o Gerry eu me entendo depois.

- Danny, meia hora e você entra. O público já está impaciente. - disse Flávia entrando no camarim segurando sua prancheta de um lado e um tablet do outro enquanto falava com outra pessoa no microfone. - Ok, ela está quase pronta. Nós não temos culpa se liberaram o camarim depois do horário que pedimos. - esbraveja.

Com a ajuda da Mary escolhi 3 figurinos para usar durante o show. Um body vermelho bem justo com mangas curtas. Um vestido longo violeta com renda nas mangas até a cintura e um macacão branco sem mangas com calça comprida. Todos bem justos, minha marca registrada. Vestindo o primeiro, saí do camarim para me encontrar com os músicos para fazermos nosso pequeno círculo onde todos de mãos dadas nos tornávamos um só, uma só energia. E falávamos palavras encorajadoras uns pros outros terminando com um grande abraço em grupo. Eles eram minha família. As pessoas que eu passava a maior parte dos meus dias, e eu não poderia ter escolhido músicos melhores. Sempre embarcavam nas minhas loucuras de mudar um arranjo horas antes de um show.

Quando todos estavam em suas marcas, posicionei-me naquela pequena placa de metal que me elevaria até o palco. Com o microfone na mão agradeci ao universo mais uma vez por poder fazer o que eu mais gostava no mundo, cantar, me apresentar para pessoas, tocar pessoas.

Ao subir vagarosamente enquanto a banda iniciava os primeiros acordes escutei as pessoas gritarem meu nome e ali, tinha todo o combustível necessário para repetir para mim pela milésima vez: "Hoje eu farei o melhor show da minha vida.".

Obrigada por me acompanhar até aqui. Não se esqueçam de deixar o votinho! Até o próximo capítulo. ;)

Continue Reading

You'll Also Like

46.5K 7.1K 90
Donatello Enrico é o filho mais velho dos mafiosos mais temidos da Itália, um homem bonito, galanteador e mulherengo, ele é uma pessoa muito intelige...
116K 7.6K 47
Justin Bieber é um homem de relacionamento fechado com dinheiro e poder. Tudo se trata apenas de negócios. Amor e afeto são sinônimos de fraqueza...
47.1K 9.6K 100
Livro contendo meus devaneios literários, poemas, experimentos, e pontas soltas da alma, aqueles pedaços que não encaixam em lugar nenhum do quebra c...
260K 15.2K 45
O rei dos Titãs era Cronos. Detalhe da obra Saturno ( 1636 - 1638 ) de Peter Paul Rubens apresenta o titã Cronos devorando um de seus filhos. Após 10...