Amargos Segredos [Completo]

By robertasell735

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Toda pessoa tem direito a uma segunda chance? Theodore Issac nasceu órfão ficando à mercê do mundo. Graças... More

Sobre o Livro
Prólogo
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 29
Capítulo 30
Capítulo 32
Capítulo 33
Capítulo 34
Capítulo 35
Capítulo 36
Capítulo 37
Epílogo
Agradecimento

Capítulo 31

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By robertasell735


Stanley, Idaho - 20 de Janeiro de 2014.

Lilian há muito tempo não se importava com sua aparência. Seu brilho esvaiu no dia em que perdeu o filho a última coisa que se interessava nesse momento era como o seu cabelo estava e dessa forma os prendeu como fazia todos os dias. Colocou seu uniforme de garçonete, meias calças grossas, a galocha, seu casaco pesado, cachecol e gorro e saiu para rua enfrentando a neve e seus fantasmas.

Chegou um pouco atrasada. Ainda não estava habituada aos horários do transporte público, uma vez que seu carro permanecia retido pela polícia desde o acidente. Correu até o fundo da loja trocou os sapatos, guardou o casaco junto com sua bolsa, não entendia porque a carregava. Talvez mais pela força do hábito do que uma necessidade.

Arrumou o rabo de cavalo que havia se desfeito pelo uso do gorro, respirou fundo como sempre fazia e adentrou o salão. Instantaneamente um meio sorriso apareceu em seu rosto, pegou o bule de café e começou a servir as mesas. Definitivamente esse não era o seu turno. 

— Querida, devia colocar ao menos um batom nesses lábios o seu rosto é tão pálido. — Lilian ouviu a voz irritante da funcionaria mais velha da casa  reclamando novamente sobre a sua aparência.

— Hábito noturno, Doris. — Lilian responde tentando se controlar ao máximo — É melhor trabalhar da forma menos atraente possível na madrugada para evitar investidas desnecessárias. — seguiu com sua explicação para com a outra que não lhe deu ouvidos.

Lilian detestava essa intromissão de Doris sobre a sua aparência e também sobre a forma como trabalhava. Desde que chegou a esse turno a mulher olhou Lilian de cara feia e não dava trégua.

— Apenas lembre-se: Não está mais no turno da noite.

— Sim senhora.

Doris não gostou da vinda de Lilian para o seu turno, já o comandava a tempo demais. As outras garotas já estavam dentro de seus moldes fazendo tudo da forma como ela gostava e já no primeiro olhar que deu em Lilian há dois dias sentiu que com esta não seria da mesma forma.

— Respira Lilian e não discute que o dia passa logo e enfim vamos para casa. — Maggie a garçonete mais jovem da casa tinha apenas vinte anos. Lançou um sorriso acolhedor para Lilian e correu atender o Sr. Walter um dos clientes mais antigos e habituais da lanchonete.

E foi o que Lilian fez, respirou fundo, não queria arrumar confusão principalmente com a funcionária mais antiga e também seria por poucos dias logo seu caro seria liberado e poderia voltar para o esquecimento e escuridão de sua madrugada.

Aquele sol todo chegava a lhe dar ânsia de vômito, pois podia ver a felicidade fingida nos rostos das pessoas. A noite não era assim. Nela podia ser visto as verdadeiras faces que aqueles raios de sol camuflavam.

Já estava próximo do final de seu turno quando o barulho daquele sino irritante tocou e pela porta passou um homem que sempre destoava dos outros. Não era apenas por causa do seu tom de pele, o que chamava atenção naquele homem era seu jeito altivo e onipresente.

Todas as três garçonetes o avistaram procurando um local para sentar. Maggie estava mais próxima, porém entendeu a olhada de Doris e a deixou que o atendesse. Lilian que estava atrás do balcão permanecia imóvel com seus olhos verdes retidos naquele homem que a intrigava.

— Acorda! —  Doris estala seus dedos e tira Lilian do transe — Anda logo com esse pedido não faça o homem esperar!

Lilian corre para fazer o que havia sido solicitado, algo bem simples, apenas um pedaço de torta de frango. Cortou e colocou com todo cuidado no prato. Quando ia fazer menção para Doris servir viu que estava entretida em uma mesa, então muda de estratégia.

— Maggie! — Lilian chamou à colega baixinho.

— Sim! — a moça veio toda animada, Lilian havia trocado apenas meia dúzia de palavras com ela nesses dias.

— Poderia me emprestar o seu batom?

— Hã? — Maggie ficou surpresa com aquele pedido. — Claro, toma aqui. — tirou o pequeno cilindro do bolso de seu uniforme e entregou à ruiva.

– Obrigada. — Lilian pegou com pressa e passou da melhor forma que conseguiu.

Lilian foi tomada por uma ansiedade incompreendida. Tanto que sentiu seu estomago revirar, não de uma forma ruim, mas boa, fazia muitos anos que não tinha essa sensação a última vez que algo parecido aconteceu foi quando conheceu seu ex-marido.

A ansiedade era tamanha que nem se deu conta da cor do batom, apenas o passou e devolveu a Maggie. Pegou novamente o prato com a torta e foi em direção ao homem sentado próximo a grande janela de vidro.

— Aqui está o seu pedido, deseja mais café? — a voz de Lilian não estava firme como de costume, dava para sentir toda a sua ansiedade e nervosismo.

— Que horas você sai? — em contra partida a de Theo vinha cheia de certeza.

— Daqui uma hora. — Lilian responde sem pensar.

— Tudo bem. Vou te esperar.

— Desculpe... — Lilian faz uma pausa tentando lembrar-se do nome do homem — Dr. Isaac, mas por quê?

— Lilian! — Doris interrompe a conversa dos dois olhando com a cara fechada e apontando para outras mesas com os clientes devidamente servidos e satisfeitos.

— Melhor voltar ao seu trabalho. Não quero lhe prejudicar.

Theo estende a caneca para que Lilian colocasse de mais café e assim ela faz e segue na sua ronda sem sentido pelo salão.

— Tira esse batom ridículo! Está parecendo uma vadia. — Doris encontra com ela duas mesas mais a frente e a repreende.

— Uma hora fala para colocar batom, agora que coloquei estou parecendo uma vadia. — Lilian murmurava baixinho até que viu com clareza seu reflexo no espelho e percebeu que usava um batom vermelho demais para aquele horário e ambiente — Como que na Maggie não fica assim tão chamativo? — limpou a boca com um guardanapo.

Aquela uma hora pareceu uma eternidade para encerrar. Theo assim que terminou a sua torta pagou a conta e esperou Lilian do lado de fora. Também estava ansioso com essa proximidade. Assim que a viu quando entrou na lanchonete sensações a muito adormecida voltaram. Buscou alivio nos cigarros. Hábito difícil de largar. Esse ele nem tentou desistir.

Já estava no seu quarto quando pode ver a ruiva saindo do seu local de trabalho e caminhando em sua direção do outro lado da rua.

— Finalmente, acabou! — Lilian chega ao encontro de Theo encostado em sua caminhonete.

— Parece exausta. — Theo sorri para a moça a sua frente apagando o cigarro.

— E estou. Esse turno é muito mais corrido e agitado do que estou acostumada.

— Qual é o seu turno?

— O da noite. Fico aqui até de madrugada e depois da meia noite fica praticamente deserto.

— Não acha perigoso? — Theo olhava Lilian atentamente.

— Não. É apenas solitário. — os dois ficam alguns instantes se olhando até que Lilian quebra o silêncio — O que gostaria de falar comigo? Aconteceu alguma coisa? A polícia lhe procurou novamente?

Theo volta a sorrir o que era inevitável para ele. Estava encantado, ou melhor, completamente enfeitiçado por ela.

— Não. Eles não me procuraram novamente. Apenas fiquei preocupado já que não apareceu no seu retorno. — Theo faz uma expressão de desaprovação para Lilian que entendeu o que ele insinuou — Sofreu um acidente muito sério. A batida em sua cabeça foi brusca e precisamos ficar de olho nisso. — Theo aproximou-se dela inclinando seu rosto para baixo ficando assim quase da mesma altura que aquela mulher pequena e frágil.

Digamos que Lilian não era assim tão pequena ou frágil como se supunha. Sua altura estava dentro da média como o seu peso É que perto de Theo um homem com mais de um e noventa de altura  Lilian parecia uma garota indefesa que precisava de proteção.

— Não devia estar usando os cabelos assim amarrados... — Theo continuou — Ainda mais dessa forma tão apertada. Isso lhe dará dor de cabeça e temos que evitar isso a todo custo. — sem pestanejar passou com seus longos braços pelo rosto pálido de Lilian e suas mãos habilidosas soltaram a amarra de seu cabelo.

Nesse instante o fascínio de Theo ficou evidente. Seus olhos brilharam assim que os cabelos ruivos de Lilian desceram emoldurando o seu rosto e caindo sobre seu ombro. Theo via essa cena em câmera lenta quase conseguindo escutar o barulho do contato das mechas com o casaco de couro marrom de Lilian.

— Agora sim, muito melhor. — Theo a olhou de um jeito que Lilian não saberia explicar.

— Realmente aliviou a pressão da minha cabeça. — Lilian dizia a verdade.

A pressão havia ido embora só que agora todos os seus músculos estavam contraídos involuntariamente perante aquele gesto de Theo ao ter libertado seus cabelos. E aquele olhar logo em seguida foi desconcertante. Lilian tentava puxar em sua memória se alguém já havia olhado desta forma e não conseguiu recordar.

O que Lilian quis naquele momento foi se entregar aquele desejo que crescia por entre suas pernas e ia invadindo aceleradamente. Quis se enroscar no pescoço daquele gigante e deixar que aqueles lábios carnudos a centímetros do seu rosto a tomassem por completo e então seus corpos entrelaçarem em uma dança e só se soltassem até que a última musica desse mundo fosse tocada. Então a voz daquele homem a fez despertar do seu devaneio.

— Prometa que irá amanhã até o meu consultório para que possa lhe examinar da forma apropriada? Ou terei que fazer uma consulta a domicílio?

— Você faz consultas a domicílio?

— Por você eu faria.

Ao dizer aquilo Theo deixa Lilian completamente envergonhada e sem saber o que responder. Agradeceu internamente a interrupção de Doris.

— Lilian! — Doris havia acabado de sair da lanchonete e interrompe a conversa dos dois — Quer uma carona?

— Não, obrigada Doris... — Lilian olha para a colega e depois para Theo que havia se afastado e voltou a encostar na caminhonete — Pensando melhor... Aceito sim. Até mais, Dr. Isaac.

— Até amanhã, senhorita Stall.

Sem muito rodeio Theo entra em sua caminhonete da partida e some da vista das duas moças.

— Você o conhece? — Doris perguntava intrigada.

— Mais ou menos. Ele foi o médico que me atendeu quando sofri o acidente, queria saber como estava.

— Atencioso demais da parte dele não acha?

— Um pouco. — Lilian esboçou um sorriso. Doris tinha razão quanto aquilo — Ele apenas me viu aqui e quis saber como estava. Eu não voltei no retorno que havia sido agendado então...

— Querida... — Doris não deixa Lilian terminar a frase — Isso não é comportamento típico de um médico, geralmente não nos dão a mínima ele veio até aqui por outro motivo.

— Que isso! Foi apenas porque me viu aqui e então se lembrou do acontecido e quis saber como estava. — Lilian tentou desconversar.

— Lilian, ele não é cliente. Essa foi a primeira vez que ele entrou na lanchonete e só tem um motivo para ele ter feito isso, esse motivo é você. E se fosse apenas para saber como você estava não teria esperado lá fora por todo esse tempo.

Lilian ficou muda. O que poderia responder? Também sentiu que o médico foi até lá apenas para vê-la. Pode soar como prepotência, mas não tinha outra explicação. O trabalho dele fica no meio do coração de Stanley e a sua residência não teria a menor possibilidade de ser para aqueles lados. E se ele não era cliente como Doris mencionou não tinha mesmo outro motivo senão ela. 


xXx

Não esqueçam de deixar seu voto e comentários!  

Uma pausa nas tragédias (por enquanto) e seguimos com o que aconteceu após o acidente. Lilian não foi no retorno e Theo sentiu-se na obrigação de saber como a moça estava. O que vai acontecer? Saberemos nos próximos capítulos! Beijos e um bom Domingo! 


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