Noite com Ele - Duskwood

By KamusDMO

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Ela só queria uma noite. Depois de tudo, a MC finalmente encontra Jake cara-a-cara - e o plano era simples: u... More

01 - A Espera
02 - Tentação
03 - A Briga
04 - Abraço
05 - Auto-convite
06 - Medo
07 - Problemas com Bloomgate
08 - !!!RECADO!!! (E aviso)
09 - Confiança
10 - Natureza Humana
11- Bom Dia
12 - Injustiça
13 - Problemático
14 - A outra face de Jake
15 - Um Pequeno Corte (+18)
16 - Desequilibrio
17 - Riso (+18)
18 - Jessy
19 - Simples Assim
20 - Duas-Caras
21 - Perdida
22 - Água negra, Lentes Rosadas
23 - O Jardineiro
24 - Entrelinhas (+18)
25 - Ela Sabia
26 - Agavea Azul
27- Meu Número
28 - Sazerac
29 - Fogo e Água
30 - O Paradoxo de Jake
31 - Corvos, Abutres e Lebres
32 - Onde Você Não Pode Seguir
33 - Fácil (+18)
34 - O Clique
35 - Ecos
36 - Ruínas
37 - Maya (Jake POV)
38 - Bugs
39 - Decifra-me
40 - Primeiros Erros
41 - Telepatia (+18)
42 - Vertigem
43 - Mais Perto (+18)
44 - Kriptonita
45 - Acordos Silenciosos
46 - Sem Descanso para os Perversos
47 - Crimes Não Registrados
48 - NULLFRAME.EXE
49 - O Corpo de Jennifer
50 - Necessidades Obscuras pt1
51 - Necessidades Obscuras pt 2 (+18)
52 - Cada Suspiro Seu
53 - Ponto Cego
54 - Entropia pt1
55 - Entropia pt02
56 - Entropia pt3 (fim de arco)
Brincando com Fósforos
58 - Glicerina
59 - A forma na Lama
60 - Os Homens de Duskwood
61 - Não Vai Colar
62 - Lições Paternas
63 - Adios
64 - Calmantes
65 - Sobrescrevendo Variável
66 - Três é um Número Redondo (+18)
67 - Dissonância
68 - Paranóia
69 - Notícia Boa/Notícia Ruim
70 - Violeta e Dourado
71 - Feral (+18)
73 - Como Água
74 - Interferência
75 - Vou suportar com você
76 - Rancor
77 - Sonhos Distantes
78 - Cassandra
79 - Na Mosca
80 - J versus J
81 - Tudo que Quero (+18)
Agradecimentos

72 - Plano D

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By KamusDMO

Esperei que os dois voltassem pra casa.

Jake nunca tinha se dado ao trabalho de avisar que estava bem por mensagem antes, e só aquilo já parecia um progresso pra mim. Phil disse que iria com a gente... só de pensar em nós três vivendo juntos, a minha pele já ficava eriçada.

Vamos fazer dar certo. Mesmo sendo complicado... eu sei que a gente consegue. O mais difícil eu já consegui: os dois poderiam se bicar pra sempre, mas no fundo já se gostavam muito mais do que queriam admitir.

Olhei para fora pela janela da sala, sem perceber o quanto queria que eles voltassem logo.

Me lembrei que Jake havia deixado o notebook na cozinha e fui até lá. Coloquei o meu nome em base 64 e a tela destravou.

O fundo agora era outra foto minha: eu estava toda travada, com aquelas roupas que escolhi só para chamar o máximo de atenção possível, quando o plano era que Jake hackeasse o celular da Millie no Aurora. O mesmo dia que ele deu aquele "show" no banheiro, com Phil na sala.

A lembrança me fez morder um sorriso e sacudir a cabeça. Tinha que dar o meu melhor pra me concentrar em encontrar o exame de DNA de novo, e também quem sabe mais alguma informação sobre a mãe de Jake. Quando de repente, notei uma coisa:

Eu nunca vi o rosto do Nathan.

Jake não se parecia quase em nada com a mãe, exceto pelos olhos claros e fundos. Peguei meu celular e procurei pelo ig da Hanna. Levei um tempo procurando. Tempo o suficiente para imaginar uma versão mais velha de Jake, talvez grisalho, de óculos... mas quando o encontrei, num post composto de uma sequência de fotos de família—- Uma festa de fim de ano-- joguei o celular de lado e esfreguei os olhos.

Não se parecem em nada.

Nada.

E agora?

Jake não tem mais ninguém de família...

Sempre achei que família problemática era melhor que família nenhuma.

É como estar preso em uma sala cheia de cadeiras, bagunçando o lugar. Você poderia juntar tudo e jogar fora... mas o que restaria ainda seria uma sala vazia.

E poucas coisas são melhores que o vazio.

Voltei para a sala e olhei pela janelinha da porta.

Eu devia ter ido com o Phil.

Andei de um lado pro outro, pensando em como aquilo poderia mudar a abordagem da Hanna sobre o Jake.

Mas se ela sempre soube... nada mudou. Não é como se ela fosse ser mais leal a um irmão do que a um cara que ela tá apaixonada...

Coitado do Thomas...

Mas pelo menos, se o Thomas souber... talvez ele também fique contra ela. É alguém a menos que já viu o Jake pessoalmente.

É uma vantagem.

Me sentei no sofá e apertei meu ombro, tenso.

Quando comecei a raciocinar assim? O Jake acabou de perder uma família que não era lá essas coisas, e eu aqui pensando em vantagens e desvantagens...

Um ruído metálico soou da porta dos fundos, e uma onda de alívio me atingiu. Eles tinham chegado e voltaram pela floresta.

Corri para destrancar a porta.

Eu nunca vou deixar você. Quis dizer pra ele. Não importa o que aconteça, nós vamos dar um jeito...

Mas quando arreganhei a porta de repente, os olhos que me encararam não eram os de Jake.

Surpreso e assustado, um homem de quase dois metros, e moletom de touca cobrindo metade do rosto na sombra escura- levantou a cabeça de leve.

Uma máscara de Guy Fawkes igual à que Jake usava como avatar quando conversávamos, anos atrás.

Usei toda a força para fechar a porta, mas o homem a segurou aberta. Corri para o quarto, onde Jake havia fechado a arma de David em uma gaveta.

Tá leve demais... Vazia? Cadê as balas?

Girei o corpo assim que senti o calafrio de alguém atrás de mim e estiquei o braço, apontando a glock 19 para um sorriso de plástico. Aquela já era outra pessoa. Este era da minha altura e magro demais nas roupas largas e escuras. Porém, o mesmo "uniforme" era o mesmo: máscara e moletom de capuz.

Contra um eu tenho chance. Mas dois? Com uma arma sem balas?

— Vocês querem o dinheiro de vocês de volta, não é? — Nervosa, acabei falando alto demais, mas decidi manter o tom para fingir que foi de propósito. — Vale a pena levar um tiro por isso?

O homem bem na minha frente inclinou a cabeça. O pescoço dele era fino e longo.

Deve ser o adolescente. O cara que se jogou na estrada pra emboscar o David.

O outro, mais alto e corpulento, estava apoiado no frame da porta. Esse moletom...? Pensei e desviei o olhar. Baixei o martelo da glock 19 e deixei o som metálico fluir pelo quarto. Não tem como ele saber que está descarregada.

— Se vocês acham que eu sou a chave só porque-- O hacker usou as minhas fotos no HD, fiquem sabendo: eu não consigo desencriptar nada sozinha. — Olhei de relance para o black hat maior, apoiado no frame da porta. A sombra da máscara atrapalhava demais a ler os olhos, mas ele parecia mais interessado no que eu dizia do que o adolescente. — MAS existe uma chave física. Um pendrive. Vou pegar, e ninguém se mexe enquanto isso, combinado? — Tateei a cômoda sem tirar os olhos do black hat que me encarava bem na minha frente.

Eu não tinha a chave comigo. Jake sempre a carregava com ele, então, pra ganhar tempo, pesquei no bolso da jaqueta o meu pingente localizador. Aproveitei pra olhar a gaveta. Jake tinha esvaziado os bolsos ali.

E eu usei o moletom dele aquele dia... quando peguei o bilhete úmido e abarrotado do banco da varanda.

— ...Estão vendo? — balancei o localizador no ar e depois fechei o punho, sem nunca baixar a arma leve e fria. — Mas eu só vou entregar se vocês saírem da casa. Não quero chamar atenção de ninguém com barulho de tiro, nem sujar as paredes de sangue. O lugar é alugado, sabe?

O black hat menor olhou para o colega no frame da porta.

— Mentirosa. — A voz soou rouca e abafada por baixo da máscara, então não consegui saber de qual dos dois a acusação veio.

— Tô dizendo a verdade. — ergui o queixo. — O Jake deixou pra mim na Iron Splinter. Não entreguei pra polícia porque também quero o dinheiro do HD. Mas pode ser só uma parte, já vocês tiveram todo o trabalho de roubar ele do David.

O Black Hat mais magro se curvou, deixando uma risada seca e assobiada vazar da máscara. Então deu um, dois, três passos na minha direção, mas continuei com o braço esticado, a ponta da arma encostando na bochecha rosada de plástico.

Ele sabe? Que a arma não está carregada? Como?

Tem que ter outro jeito de escapar. Ou pelo menos ajudar os meninos a me encontrar. Mas agora eu já havia mostrado o localizador! Vai ser como Jake disse; assim que eles identificarem o que o pingente realmente é, vão tomar de mim e me levar sem deixar pistas...

Nunca vou ver Phil e Jake de novo, não é?

Plano D então.

D de desespero.

— Eu só não atirei ainda porque quero o dinheiro. — Segurei o pingente com tanta força que os cantos do cubinho dourado machucaram a minha pele. Eu precisava de um milagre. Mas meu coração sabia que eu nunca esperava milagres. — Se não tem acordo... Ninguém vai ter chave nenhuma.

O quê cê tá...—- — o black hat mais alto deu um passo largo e desesperado para dentro do quarto, mas já era tarde.

Eu tinha jogado o localizador no fundo da garganta e engolido de uma vez, como se fosse um shot, gelado e amargo, com os cantos pontudos arranhando a garganta.

O black hat menor se assustou e prensou o meu braço contra a parede, me imobilizando enquanto o outro apertava o meu pescoço e forçava a minha mandíbula a se abrir.

A pressão dos dedos dele contra os meus dentes não era nada. Jake fazia pior com um carinho. Mas a proximidade daquelas mãos levantou um aroma amargo e terroso que eu conhecia por instinto.

Terra molhada e raízes de centáurea.

Então a lembrança do moletom estava certa.

— Eu menti. — minha voz saiu esganiçada — Isso é localizador. Se você me levar, todo mundo vai saber, William.

Os dois congelaram. William me encarou antes de olhar para o adolescente, que já deixava o meu braço escapar. Ouvi o suspiro pesado atrás da máscara, e William agarrou os meus pulsos.

— Mesmo se você estiver falando a verdade, -- o que seria bastante raro vindo de você -- um localizador não funcionaria no estômago. — William segurou as minhas mãos juntas entre os dedos, pegou uma fita prateada no bolso e colou meus pulsos juntos, partindo a fita com os dentes.

— Não é um localizador normal! — Eu disse, lutando o peso do ombro de William me prensando contra parede enquanto ele arrancava outra tira de fita prateada.

— Esse foi feito especialmente pra mim! Tô dizendo! Vão me encontrar em cinco minutos! — Ele colou a fita na minha boca, apertando a pele e minha nuca para me arrastar para fora.

Me joguei no chão, resistindo o quanto podia.

— "Cinco minutos"... Pega o celular dela! RÁPIDO. — Ele apontou para o adolescente, que saiu tropeçando do quarto para a sala. William agarrou o meu tornozelo e foi me arrastando até a lavanderia. No caminho, arranquei a gaveta da cômoda e arrastei a palma pelo bilhete de agradecimento de William.

Ele não se importou e continuou me arrastando pelo chão, até eu agarrar a perna da cama; no lado que Jake dormia. O chão rangeu alto com a força que ele me puxou contra a força com que me segurei, fingindo que só queria retardar o meu sequestro enquanto prendia o bilhete entre a madeira e o chão.

Quando um baque repentino e forte me atingiu direto no estômago. O black hat melhor tinha me chutado.

Aquilo sim, era ficar sem ar.

A partir daí, não lutei mais. Dor, choque, medo... fiquei arfando, encolhida quando William me tirou do chão, me carregou até a caminhonete e me jogou no chão do passageiro.

— E o Jammer? — Ele perguntou, e o parceiro deu dois tapinhas em um bloco preto retangular.

Eles têm um Jammer?

Eu devia ter pensado-- nisso antes...

Ouvi a partida alta e barulhenta da caminhonete velha, e o black hat colocou um saco de tecido no meu rosto.

Consegui manter a calma por três segundos—- Três. Antes de sentir o ar faltar, abafado com o tecido grudando no meu nariz e minha boca vedada. Me debati como um peixe fora d'água, apavorada com a ideia de me morrer sufocada por acidente antes do cansaço e o calor escaldante do chassi me deixarem tão letárgica quanto um paciente de hospital  entupido de anestésico.

Nem tive tempo de prometer nada a ele... 

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