A mala em que eu estava presa cabia confortavelmente quatro pessoas. Era muito espaçosa. Só havia a mala e os bancos do motorita e do carona. Havia dois homens. Pude saber pelas vozes que conversavam.
Bati com os pés na porta mas não consegui abri-la. De repente, a porta da mala abre enquanto o carro ainda está em movimento. Não pude acreditar. Era Enzo. Senti uma sensação de alívio mas senti meus olhos arregalarem de surpresa. Comecei a tentar falar mesmo com a boca tapada então ele murmurou:
- Ssshh! Você quer que percebam?- ele estava tentando me desamarrar.- Pronto. Consegui.
-Como você...
- Não importa agora. Precisamos sair daqui.- me interrompeu.
Falávamos baixo. O carro estava em alta velocidade. Estava com medo de qual seria a ideia de Enzo para escapar.
-Temos que pular.- ele disse.
- O quê? Você pirou. -não pude acreditar.
- Olhe bem para o que eu vou dizer. Só há essa saída. Lá fora é uma área de floresta. Teremos que esperar um momento em que a velocidade baixe um pouco.Quando pularmos, eles vão perceber. Então teremos pouco tempo para correr para a floresta. Não olhe para trás ok?
Assenti. Ele claramente percebeu meu espanto. Esperamos o momento certo para pular e então pulamos. Quase não senti o impacto pois Enzo me abraçou e protegeu minha mão.
Quase ao mesmo tempo o carro parou e as portas abriram. Corremos para a floresta. A luz da lua fez com que não ficássemos completamente cegos no meio da mata. Não olhamos para trás. Só fugimos. Os homens corriam atrás de nós pois podíamos ouvir a perseguição na mata.
Só paramos quando tivemos certeza de que tínhamos despistado eles. Então ele me disse arfando:
- Não sei quantas vezes... vou ter que te salvar.
- Obrigada- sorri- Como você...conseguiu fazer isso?- eu disse quase sem conseguir falar.
- No mesmo momento em que você saiu do meu quarto eu fui atrás de você. Fui até seu quarto pesir desculpas e ver se estava tudo bem com você. À propósito... desculpe-me pela sua mão.- sua expressão era de arrependimento.
- Está perdoado. Mas eu não estava no quarto. Como me achou?
- Ouvi a porta da entrada batendo. Corri e vi eles te colocarem dentro do porta-mala. Consegui subir no carro sem que eles percebessem e me agarrei na parte de cima que para minha sorte tinha dois ferros. Segurei neles. Até que eu conseguisse um jeito de abrir o porta malas.
- Você precisa me ensinar essas coisas.
- Depois. Agora temos que sair daqui. - disse levantando-se
- Nessa escuridão?
- As estrelas vão mostrar o caminho- apontou para o céu.
- Você sabe se guiar por elas?
- Sim. Vamos.
Depois de algumas horas caminhando, finalmente enxergamos a cidade no final da trilha. Só com as luzes dos postes pude perceber alguns cortes em Enzo. Foram provocados pela queda. Então eu disse:
- Meu Deus! Você está muito machucado. Vamos para o hospital agora!- puxei ele mas ele não saiu do lugar.
- Você não deveria se preocupar. Eu cuido disso. Olhe.- Enzo apontou para um construção exuberante. Era o palácio de Versalhes.- Consiga um lugar para se hospedar. Tome cuidado. De manhã, você vai entrar lá e conseguir o que puder. Lá funciona um museu. Fale com o responsável. Tome isso.- ele me entregou uma faca.
-Ok. -Fui sem nem olhar para trás. Mas eu sentia uma vontade imensa de ir junto com com ele. Cuidar dele assim como ele fazia sempre comigo.
Depois de andar alguns minutos eu cheguei exausta a um hotel. Era muito tarde mas tive a sorte de ser atendida. Pedi algo para comer, paguei a hospedagem e fui dormir. Meu despertador tocou bem na hora. Eu tinha que visitar o palácio cedo.
Depois de colocar uma roupa que cobrisse meus arranhões da noite passada, eu estava pronta para descobrir mais sobre meu passado. Vesti uma blusa vermelha, uma calça jeans e sapatos pretos de salto. E meu colar, é claro.
Chegando no palácio fui atendida por um homem velho e muito elegante que acreditei ser o responsável pelo museu.
- Olá! Meu nome é Albert. Em que posso ajudá-la?- curvou-se diante de mim para me cumprimentat.-A exposição ainda não está aberta para visitantes. A senhorita chegou um pouco cedo para ...- ele parou de repente de falar quando observou a rosácea do meu colar.
- Sou Aimeé. Muito prazer. Na verdade eu não vim por causa do museu. Gostaria de saber de sobre... esse colar.- segurei-o- Ele foi entregue para mim quando criança mas até agora não consegui saber o que ele significa. Alguns documentos que tenho me truxeram até aqui. Espero que alguém possa me ajudar.
- Deixe-me vê-lo- Albert apontou para meu pescoço.
Após alguns segundos analisando a peça ele arregalou os olhos e concluiu:
- É verdadeiro. Pela primeira vez vejo a rosácea verdadeira.- ele parecisa cheio de satisfação.- Pensei que não viveria para vê-la. Venha comigo Aimeé. Tenho algo que vai gostar de saber.
Passamos por corredores imensos. O luxo prevalecia naquele lugar. Entramos em uma sala. Fiquei impressionada com a decoração em ouro e cheia de pinturas. Albert então me explicou:
- Essa é a câmara do rei. Esses quadros foram escolhidos por Louis XIV. As lareiras datam de Louis XV.
- Impressionante.- eu estava sem palavras.
- Fez a coisa certa em vir aqui senhorita. A história do seu colar é uma lenda que costumáva-mos contar por aqui. Olhe. - Ele apontou para um dos quadros. Havia uma linda mulher com o meu colar pintando em seu pescoço- Ao que parece é uma lenda viva.
- Não posso acreditar. De quando data a pintura?- eu estava sem fôlego.
- É de 1702. Diz a lenda que ela era uma mulher da nobreza. Todos admiravam sua beleza na época. Inclusive o rei. Ela tinha muito dinheiro e assim como os outros nobres acredita-se que ela tenha escondido sua fortuna. E que a chave para essa fortuna é esse colar. Só esse colar vale uma fortuna. Tem um valor material enorme por causa das pedras preciosas e também histórico por ter pertencido à essa moça do quadro.
- Não sabem o nome dela?
- Não. A única coisa que se sabe é que ela casou-se com um camponês. E deu o colar para o primogênito. Dizem que eles viveram um amor jamais conhecido pela nobreza. Os nobres da é poca casavam por dinheiro e eles se casaram por amor.
- Bela história. Mas não é bem isso que eu esperava.
- Eu sei. Ainda não terminei.- ele afastou o quadro daquela mulher e atrás havia a marca do meu colar. Ele me entregou o colar e pediu para que eu o encaixasse ali e girasse.
Quando abri havia uma pequena caixa vermelha. Parecia ser muito frágil.
- Essa caixa deve pertencer a você. Assim como o colar pois ele nunca deve ter caido em mãos erradas. Isso não é o tesouro dela mas acredito que seja a única coisa nesse palacio que sirva em sua busca.
-Obrigada.-Albert me conduziu até a saída e deu uma última olhada no colar.
Estava muito curiosa para saber o que havia dentro da caixa mas resolvi esperar por Enzo. Afinal ele também fazia parte disso tudo.
Eu estava caminhando por uma pequena rua e carregando aquele pequeno objeto vermelho quando de repente sinto alguém me seguir. Começo a ficar nervosa pois eu estou fazendo a segurança da caixa e a minha ao mesmo tempo. A rua está deserta. Procuro desesperadamente por uma saída. Olho para trás e vejo uma figura vestida de preto andando cada vez mais rápido. Começo a correr e a olhar para trás a cada três segundos. Alguém bate frontalmente comigo pois vinha na outra direção. Era um deles. Ele agarrou a caixa mas eu segurei. Entramos em uma briga corporal pela caixa. Consegui pegar a faca e rapidamente golpeá-lo. Foi fatal. Peguei seu revólver e apontei na direção do comparsa mas ele tinha fugido. Dei um jeito no corpo e fui embora.
Consegui chegar no centro de treinamento. Estava cansada de tanto correr. Enzo me esperava no meu quarto quando abri a porta.
- Como estão seus ferimentos?- olhei para seus braços enfaixados, o que me fez lembrar de tirar meus curativos minha mão já estava bem melhor.
-Melhores. Achou alguma coisa?- ele parecia cansado.
- Isso.- entreguei a caixa.
Ele analisou cuidadosamente o objeto e então me perguntou:
- Onde isso estava?
- Atrás do quadro de uma mulher linda na câmara do rei. O quadro data de 1702.
Quando abriu a caixa nós dois ficamos perplexos. Nunca tínhamos visto uma joia tão linda. Toda feita com diamantes que pareciam refletir várias cores.
-Meu Deus.- ele disse- Isso é a tiara de Amélia.
-Como você sabe o nome dela?- fiquei curiosa.
- Meu avô Mathias me disse que ninguém sabe se a história dessa mulher é verdadeira. Seu nome é Amélia Francesca Savary. A história que se conta é que ela foi um amor de Napoleão Bonaparte. Ele deu a tiara para ela como símbolo de amor verdadeiro. Ela não gostou do presente e nunca usou. Na verdade, ela só casou muitos anos depois e teve alguns filhos com um outro nobre. Chamava-se Louis Carlos Friant. Seja como for, aquele quadro não é de 1702. É da época de Napoleão.
- Ela usou esse meu colar para guardar seu tesouro.- eu disse fascinada pela história.-O homem que me atendeu no palácio que disse.
- Aimeé Savary, teremos que visitar o túmulo de Napoleão.
-O quê? Por quê? -eu disse rindo pois ele deduziu um de meus sobrenomes.
- Por que aqui tem um pequeno bilhete, pegue.- ele disse me entregando.
Espero um dia poder guardar o maior dos tesouros que você tem a oferecer para mim. N.B
-É claro que ele está falando do amor dela não é?- eu disse.
-Ele morreu primeiro do que ela. Ela era muito esperta. Com certeza lá deve estar o próximo passo para encontrar o tal tesouro. Além do mais olhe isso- ele me mostrou o número 1 no verso do bilhete- acho que acabamos de desvendar o primeiro segredo da rosa.
*** Espero que gostem desse capítulo. Foi feito com carinho. Me digam suas opiniões. Vou procurar melhorar sempre. Beijos amores ❤️!!!