Capítulo Único

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Neji não gostava de ficar bêbado.

Ora, é claro que ele não gostava: beber era coisa de estúpidos. Perder completamente o controle de si mesmo? Rir descontroladamente? Chorar como um condenado ou sair abraçando todo mundo? Simplesmente patético.

Pensava nisso sentado no sofá da sala de sua casa... Enquanto sua adorável prima – e mais recentemente namorada, para a felicidade dele – colocava um copo de dose de vodka em sua boca, virando-o perpendicularmente.

– Hinata-sama... Eu não consigo entender por que você me quer ver bêbado – ele resmungou depois de afastar o copo, mantendo uma expressão séria apesar do líquido estar queimando em sua garganta.

– Você sabe o porquê. – Ela provocou, mas depois sorriu gentilmente: – Eu quero que você se solte um pouco, nii-san. Você concordou em tentar algo diferente.

Ele tinha concordado. Mas agora quase se arrependia. Tentou argumentar:

– Eu já estou... Solto.

– Você mora sozinho. Estamos no seu apartamento. São onze da noite. Começamos a namorar há duas semanas... O que você acha que deveria estar acontecendo agora?

Neji conseguia sentir a vodka o deixando mais desinibido. Se forçou a focar na parte de seu cérebro que continuava sã:

– Devíamos estar dormindo, porque amanhã é quarta-feira e trabalhamos.

Hinata revirou os olhos, sorrindo de leve:

– Viu? É disso que estou falando. Você nem está com a mão no meu ombro nem nada. Não somos mais apenas primos, nii-san. Você pode tocar em mim agora. Onde quiser, na verdade...

Ele enrubesceu, e rapidamente fingiu esfregar as têmporas para disfarçar:

– Acredito que eu a tenha tocado bastante neste último sábado...

– Foi ótimo. – Ela concordou. – Mas poderia ter sido muito melhor se você não estivesse tão tenso. Quer dizer, na primeira vez que você perguntou se estava tudo bem, eu disse que sim. Você não precisava perguntar outras quatorze vezes.

Neji bufou.

– Bem, desculpe se eu me preocupo com o seu bem es-

– Ei! – Hinata largou o copo de vodka sobre a mesinha na frente do sofá e colocou uma das mãos no ombro do namorado. – Eu sei que você se preocupa. E eu amo você por isso.

Neji revirou os olhos, enrubescendo ainda mais. Ainda não tinha se acostumado com os dois falando abertamente sobre seus sentimentos.

– Mas você está se preocupando demais. Você pode se soltar, sabe... Pra... – Ela passou uma das coxas sobre o colo dele. – Transar comigo.

– Hinat- – Ele tentou, ao sentir o peso dela sobre seu colo. Ela tinha devidamente se sentado ali, e estava se debruçando na direção de sua orelha.

O quê? – Ela sussurrou.

Neji suspirou audivelmente. Ele sentia como se estivesse cometendo um ato criminoso.

Hinata se afastou para acariciar o rosto dele.

– Não há nada de errado no que estamos fazendo... – Ela esperou que os olhos dele encontrassem com os dela. – Está tudo bem. Ok?

Ele sentiu seu coração acelerar com a fala. Ele queria aquilo, é claro que queria. Mas realmente não conseguia relaxar. Sabia que a primeira vez dos dois tinha sido um desastre completo, por mais que ela tentasse reconfortá-lo. Não tinha o menor orgulho disso, mas não sabia o que fazer. Se culpara por anos por estar apaixonado por ela, e agora ela estava ali, a seu alcance. Era surreal demais para que ele se acostumasse tão ráp-

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