Capítulo 1

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Aos 5 anos, eu tive pela primeira vez a noção de consciência de que a minha vida seria diferente de qualquer outra. Aos 7 anos, percebi que os meus colegas de sala já estavam vivenciando as suas primeiras experiências, enquanto eu não. Aos 8 anos, descobri que não poderia brincar com as crianças da minha rua. Aos 9 anos, infelizmente criei a noção de que nunca poderia ir para as festas de aniversário das minhas amigas, pois da forma que fui criada, acabou sendo impossível acreditar nessa possibilidade. Aos 10 anos, troquei de sala e tive a descoberta de que nessa idade a maioria dos alunos já iam para a escola sozinhos, porém eu nunca pude.

 Aos 11 anos, as pessoas me convidavam para fazer coisas simples, como ir até a casa delas em razão de executar um trabalho da escola, contudo, meus responsáveis jamais me deram a permissão para ir. Aos 12 anos, eu era convidada para festas e "sociais" do meu círculo de amigos, no entanto, jamais tive a oportunidade de participar. Aos 13 anos, a maioria dos adolescentes estavam dando seu primeiro beijo, namorando e coisas do tipo. Novamente eu não me encaixava nesse padrão. Aos 14, 15 e 16 anos, me tornei uma pessoa basicamente tímida, que sempre teve vergonha de interagir com qualquer um, sem nenhuma experiência sobre a vida, com dependência emocional e com sonhos imensos, baseados em um universo em que eu estivesse longe de casa. 

Hoje, com 17 anos, eu ainda sou assim, todavia, felizmente meus pais afrouxaram as rédeas e agora possuo uma liberdade maior para sair, entretanto, permaneço sendo a única adolescente divergente da maioria. Moro em uma cidade pequena, chamada Angatuba, no interior de São Paulo. A população é composta por gente fofoqueira e que deseja cuidar da vida alheia a qualquer custo. Para minha felicidade, as escolas de ensino médio daqui são bem precárias e eu acabei optando por estudar em Guarabá, uma cidade vizinha, um pouco maior em termos de território e com o dobro de habitantes da minha. 

Perdida em meus pensamentos, acabo me assustando com o barulho da porta abrindo.

- Filha, levante agora ou você vai se atrasar e perder o ônibus. – diz minha mãe rapidamente e logo saindo do meu quarto. 

Depois desse aviso, me levanto, visto uma roupa qualquer, dou bom dia para minha gata, Melinda e saio correndo até o ponto. Ao chegar, avisto minha melhor amiga, Melina e a abraço de surpresa.

- Oi princesa, pensei que você fosse faltar hoje. – ela diz e me abraça de volta. 

- Não, só acabei me atrasando mesmo. – eu digo, já adentrando o ônibus. 

- Você está animada para essa volta? Depois das férias maravilhosas que tivemos em julho. 

- Definitivamente não, vai ser a mesma coisa de sempre.

- Ai Alexia, você é sempre tão pessimista. Existe a possibilidade de entrarem alunos novos e você vai acabar se interessando por um deles. 

- Nada haver Mel, não tenho tempo para isso, pois você sabe que eu quero me dedicar aos meus estudos para passar em um faculdade bem longe de casa, okay?

- Okay, sua chata - Mel diz e sorri para mim. 

Durante um tempo, eu e Mel ficamos conversando e rindo pra caramba, mas por fim, ela sempre acaba dormindo. Aproveitado a oportunidade, comecei a observar as paisagens pela janela e todos que adentraram o ônibus. Até que em um dos pontos, surgiu um garoto que eu nunca tinha visto antes, ele aparentava ter a minha idade, tinha olhos castanhos, cabelo ondulado e também castanho, era alto, branco e possuía uma tatuagem no braço esquerdo, o que eu particularmente amo. Naquele momento eu não consegui parar de encara-lo, ele realmente tinha chamado minha atenção, mas não só a minha e sim de todos os passageiros. Felizmente, ele não percebeu o quanto o encarei, apenas se sentou no banco atrás do meu e assim eu acabei percebendo que aquele retorno às aulas seria diferente de qualquer outro.  

Pela Primeira Vez, LivreHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora