i really need to recharge myself

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eu realmente preciso me recarregar.
não, não estou sendo insensível, mas minha bateria mental, e social, estão esgotadas por ser sua esponja emocional durante tanto tempo.

Naturalmente estou absorvendo as emoções de quem está por perto; eu realmente só preciso de um pouco de proximidade e talvez algumas conversas curtas pra entender do que aquela pessoa se trata. Não é algo que eu precise me esforçar, apenas acontece, não é uma habilidade porque eu nunca tive a opção de escolha. E onde eu estou querendo chegar é que, por não ter a opção de simplesmente ignorar o que você tá sentindo, eu vou te ajudar involuntariamente, e, nossa, você sempre pensa: “Olha, essa pessoa tá me escutando. Estou me sentindo escutado, então vou continuar a falar.”

Falar e falar.

Nunca sobre coisas boas.

Até que sua boca canse de falar.

E eu acho que o único jeito de te ajudar, já que não posso resolver seus problemas, é me entregar a você completamente. Deixar que você faça bom proveito da minha personalidade “Bom Ouvinte”, e se isso te ajudar, ficarei feliz.

Mas cansa.

Isso me drena completamente. Porque eu estarei sempre escutando você, o tempo inteiro, sem ter tempo de receber o mesmo favor de volta.

O mundo se torna apenas entregar e nunca receber.

Então, se eu posso apenas receber, deixe-me recarregar as energias sozinha.

Você reclama dizendo que estou sendo insensível porque há uma semana atrás estava me contando sobre sua doença de quando tinha 4 anos e agora eu só falo "oi, tudo bem?" E acabou nossa conversa. Reclama que eu mudei e que não esperava de mim.

O que você quer quando só você pode falar? Me doarei sempre pra ajudar, mas eu espero o mesmo em troca. Não é ser egoísta, é ser racional. Ninguém aguenta uma pessoa que só sabe falar de si mesma.

Nem mesmo eu.

Já que eu não posso simplesmente bater a porta do meu quarto e ficar lá por uma ou duas semanas me recuperando psico e fisicamente, eu não vejo problema em trancar minha mente e deixar que se recupere aos poucos até que minha bateria esteja cem porcento.

Talvez eu seja mesmo insensível, mas é só talvez.

••••

370 palavras mais sinceras que já escrevi provavelmente em toda a minha vida, cada uma delas escritas em 03/10/20. Parece que já faz um século. E, sinceramente, não me lembro para quem se tratava. Era sobre todos e também sobre ninguém. Entretanto, desconfio do motivo de um texto tão doloroso pra mim – consigo ler e sentir de novo o que sentia enquanto escrevia, lembro que queria socar alguém no rosto e gritar, mas fui escrever; a pessoa, no caso, uma melhor amiga. Nossa amizade era bem fervorosa desde 2018 e conforme 2019 chegou, o laço aumentou, se tornou mais forte e éramos inseparáveis, brinco que namorávamos no estilo skinship¹, não nos largavamos ou perdíamos qualquer oportunidade de estarmos juntas seja na casa dela, na minha, na rua até de madrugada, chamada de voz mesmo depois de passarmos cinco dias inteiros ao lado da outra, brigas por ausência e promessas para o futuro e apesar da grande ligação cansamos. Ou melhor (pior): eu cansei.

Não sei explicar. Cansei. Não a odiava e nem enxergava aquele tédio repentino dela como estar de “saco cheio”, só sabia que sempre que acordava e via as mensagens dela de manhã “bom dia, dormiu bem?”, “vem pra cá hoje?”, “vamos ver filme de novo!”, “quer ir comigo no mercado?” me deixavam de cara feia. Ainda que não respondesse com ignorância ou rudeza, não me mostrava menos incomodada com aquilo, aquela frequência repente havia se tornado irritante, a intensidade daquele laço estava começando a apertar demais o que não parecia extrapolar meus limites e nem nada, estava começando a ser uma merda diária que eu não aguentava mais o fedor.

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