Eu estou doente...
Uma doença que, na minha situação, dinheiro nenhum é suficiente para curar. Nenhum tratamento existe, tampouco uma cura.
Essa doença atinge, a princípio, minha mente e vai se alastrando, com extrema velocidade, por todo meu corpo e coração. Eu sinto constantes dores, no corpo e na mente, e por isso não conseguia organizar minha casa. Ela se tornou um caos. Fui demitido do trabalho porque sequer tinha forças para levantar todo dia de manhã. Minha família sequer se preocupava comigo, isso desde o dia que me assumi.
A vida não tinha mais cor e quando descobri que eu teria apenas mais vinte e quatro horas de vida, foi como apertar o gatilho.
E, de tudo que eu poderia fazer naquele dia, eu escolhi ele.
Eu sequer me dei conta de quando peguei o carro e fui até onde eu sabia que ele estava, parando um pouco distante da grande entrada. Falei com o porteiro e logo me vi andando pelos longos corredores. Quando cheguei no meu destino, eu fechei os olhos e apenas esperei.
E quando menos esperei, senti a presença de alguém em minha frente.
Eu sabia que era ele, conseguia sentir e eu nunca o confundiria com outra pessoa.
Ao abrir os olhos, o sorriso fora inevitável nos meus lábios e meu coração se aqueceu quando eu percebi que para ele não foi diferente. Ficamos sorrindo um para o outro, pela primeira vez, depois de muito tempo.
Eu sequer esperei muito tempo para pular em seu braços, envolvendo meus braços em volta de seu pescoço. Ele demorou para raciocinar o que tinha acabado de acontecer, mas logo envolveu minha cintura num abraço forte e caloroso. Eu senti um arrepio na espinha quando ele inspirou profundamente próximo ao meu pescoço e depositou um selar casto na epiderme do local.
Eu senti tanta saudades.
— O que você está fazendo aqui? — sua voz saiu abafada, mas consegui distinguir o tom surpreso. — Você deveria estar em casa... vivendo sua vida.
Quando as lágrimas encharcaram meus olhos, eu não consegui impedi-lás de transbordar e um soluço doloroso cortou minha garganta. Preocupado, ele desfez o abraço para me olhar nos olhos, mas eu não queria me afastar. Fazia tanto tempo que eu não o sentia, tanto tempo que não nos víamos, que eu sentia que poderia definhar se ficasse mais um segundo distante dele.
Por isso uni nossas testas, sentindo o carinho que ele fazia com os polegares na minhas bochechas magras pela falta de nutrição. Ele enxugou minhas lágrimas silenciosas e eu respirei fundo, engolindo o nó doloroso da garganta. Ergui minha cabeça para olhá-lo nos olhos e senti meu coração palpitar, pois nunca vi ser mais lindo que ele.
— O que houve, gatinho? — retornou a perguntar.
Respirei fundo, falhando algumas vezes por conta do choro preso, antes de eu dizer:
— Eu estou doente.
Eu funguei me afastando para me sentar no chão, encostando as costas doloridas na parte sólida do local. Abracei meus joelhos, como se nada pudesse me afetar enquanto eu estivesse naquela posição, mas eu sabia que não era verdade. E então ele se sentou do meu lado, e eu não hesitei em apoiar minha cabeça em seu ombro, fechando os olhos quando ele me abraçou de lado.
— Eu só tenho mais vinte e quatro horas de vida — eu disse num fiapo de voz.
Ele se afastou e eu ergui a cabeça, o olhando confuso. Ele me encarava preocupado e levemente afobado, provavelmente se perguntando como poderia me ajudar. Mas eu não tinha mais salvação.
YOU ARE READING
até que o dia acabe...
Fanfiction"Essa é a história de uma pessoa que tinha tudo, mas que só desejou uma coisa quando descobriu que só tinha mais vinte e quatro horas de vida..."
