Mais um dia acordando, mais uma noite de pesadelo.
Era assim a minha vida desde que ela partiu há dois anos.
Eu não era mais o mesmo, nem a "minha" equipe de heróis, os Titãs. Todos nós sentimos a perda dela de alguma forma e eu fui o primeiro a demonstrar.
— Estou deixando a equipe para trabalhar sozinho em Bludhaven. Vocês podem escolher o novo líder. — Falei simplista. Pude ver a minha namorada, na época, Estelar encher os olhos de lágrimas enquanto Mutano retirava-se da sala de reuniões indignado, sendo seguido por Kid Flash. Ciborgue ficou atônito e a Moça-Maravilha encarava-me desacreditada.
Naquele dia, sabia que alguns dali iriam demorar a me perdoar. Sem contar que depois, aos poucos, os Titãs foram se desfazendo com cada um seguindo um caminho diferente.
Perdoe-me, meu bem... quebrei a promessa que fiz a você.
Sentia um certo remorso por tê-los deixado, mas não o suficiente para me fazer retornar. Eu não conseguia. Estar com eles e na Torre T lembrava-me dela. Tornava-se mais difícil esquecê-la, viver o presente. Era como se seu espírito vagasse por lá, em cada canto havia uma memória sua.
Acabei descobrindo precocemente que o problema não estava apenas ali, entretanto, também, em mim.
Pois, estando em Bludhaven ou mesmo em Gotham, a alma de Ravena estava comigo — guardada em minha mente e amada em meu coração. Era por isso que eu continuava a ter pesadelos com o dia da sua partida.
Rachel, ironicamente, morreu no mesmo dia que havia declarado o seu amor por mim:
— Richard, tem algo que quero que saiba... — começou em tom sério, chamando-me pelo meu nome verdadeiro. Passei a prestar atenção nela, que já estava em seu traje usual assim como eu. Estávamos partindo em missão. — Não tive coragem de contar antes por conta do seu relacionamento com a Estelar, mas vendo que talvez eu não volte mais — desviou o olhar do meu, dando as costas a mim, o que instigou ainda mais minha curiosidade e suspeita — sabe, faz alguns anos que sinto o que sinto por ti. Sempre te admirei, tanto como herói quanto caráter mesmo... pensava comigo mesma que, ás vezes, eu gostaria de ser uma heroína como você. E toda essa admiração aumentou e se transformou em algo novo quando ficamos mais próximos. — virou em minha direção novamente e fitou meus olhos com intensidade. Sentia-me hipnotizado por aqueles olhos ametistas. — Richard, eu acabei me apaixonando por você, e você não tem noção de como foi difícil pra mim te ver com a Estelar...! Afinal, Kory é minha amiga também. Então, acabei por aceitar que você amava-a e guardei pra mim meus sentimentos ao longo desses anos. — Disse afoita, fazendo meu coração quase sair pela boca por conta da sua sentença. Eu mal conseguia respirar! — E eu só queria pedir uma coisa nesse fim de mundo — referia-se a nossa missão, eu engoli em seco sem saber o que fazer ou dizer — poderia me beijar, Richard John Grayson?
Pisquei algumas vezes, desacreditado na pergunta. De repente, senti meu coração apertado em aviso a um mal pressentimento. Porém, ignorei.
— V-você... — não consegui formular algo coerente pois tinha o mal pressentimento, mais uma parte da consciência dizendo que eu não podia fazer isso por causa de Estelar, e mais uma parte querendo experimentar dos lábios róseos — realmente quer isso?
— Como nunca quis algo antes, Dick. — Pude sentir o quão desejosa estava e, de alguma forma, parecia que eu também queria e estava aguardando por este momento. — Posso? — Pediu aproximando-se mais de mim.
Ela não precisou dizer mais nada. Sem resistir, puxei-a pela cintura e a abracei de forma acolhedora. Quando senti que estava sendo retribuído, subi uma das minhas mãos até sua nuca e comecei a fazer carinho no local. Não pude mais segurar a vontade e levei o rosto até seu pescoço, sentindo seu cheiro de erva-doce. Inalei seu cheiro o mais profundamente que conseguia, sentia-me inebriado. Por instinto, puxei os fios da sua nuca delicadamente pra trás, expondo aquela região de pele ainda mais alva a mim. Beijei lentamente, ouvindo-a suspirar fortemente. Com isso, fiz uma trilha de beijos passando por seu queixo até chegar em sua boca.
— Aproveite, Rae... sinta bem nosso beijo. — Falei sussurrante, próximo dos seus lábios, o suficiente para fazer os meus roçarem a cada palavra dita. E sem aguentar mais, tomei-os pra mim! Beijei Ravena desesperado por seu sabor. Quando nossas línguas encontraram-se, senti meu corpo em choques e arrepios prazerosos. Nossas línguas bailavam sensualmente, explorando o espaço bucal alheio.
E enquanto aproveitávamos nosso primeiro e único beijo, eu não tinha a mínima noção do quanto, na verdade, já amava Rachel. Eu nem tive a oportunidade de dizer isso à ela...! E nem foi a pior parte.
O terrível daquele dia foi ter o sangue da única mulher, que me entendia de verdade, bem em minhas mãos. Rae faleceu em meus braços, assassinada por mim em prol de uma causa maior: manter as pessoas salvas do seu grande e maligno poder.
Mal sabiam as pessoas do peso que eu carregava...
Sempre foi difícil aceitar sua morte. Até porque é duro amar um cadáver. E agora que estou em frente ao seu túmulo, é complicado segurar as lágrimas presas por todo esse tempo.
— Oi, Rae... tenho que te contar uma coisa muito importante. — Comecei incerto, com as mãos dentro do sobretudo por conta do frio. Olhei para os lados para me certificar de que teríamos privacidade. — Acredita que me tornei pai? É, pois é... descobri recentemente — comentei meio perdido — Estelar ficou grávida bem na época da sua... morte... e eu não sabia — senti as lágrimas formarem-se no canto dos meus olhos — o nome dela é Mar'i, mas só não é Rachel porque fiquei sabendo da minha paternidade tem somente sete meses. — Falei emocionado, algo muito raro pra alguém treinado pelo Batman. — Porém, pretendo ser o melhor pai que eu conseguir, mesmo que eu não esteja mais com Estelar. — Observei a árvore próxima dali. Senti um vento frio bater com força em minha face e, por mais estranho que seja, senti-me acolhido.
— Queria poder ter dito a você que também estava apaixonado por ti, só não tive coragem de assumir, Rachel... — sussurrei em meio aquela ventania de início de inverno, rezando para que minhas palavras chegassem ao mundo dos mortos, diretamente aos ouvidos dela.
Porque mesmo que eu acordasse mais um dia seria como viver nenhum dia a mais... a vida já estava sem graça sem ela!
O engraçado é que por conta de toda essa dor silencioso que sinto que passei a perseguir mais bandidos e comecei a ser mais violento. Chegava com marcas por meu todo meu tronco, entretanto, aquilo era como uma anestesia para o que eu sentia. Lembrava-me que ainda estou vivendo, ou melhor, sobrevivendo. E eu sei que será assim daqui pra frente.
Com certeza, não irei amar uma mulher como amei Rae nas sombras!
_________________________________
Pretendia fazer algo mais elaborado, mas creio que a minha criatividade não cooperou muito 🤡🙂
Contudo, espero de verdade que tenham gostado dessa one, fiz com carinho.
Não sei se conseguem sentir a personagem e sua dor... porém, creio que me esforcei pra apresentar algo diferente a vcs.
Presentinho mórbido em homenagem ao dia 31, todavia, não consegui terminar a tempo! #VidaTriste
Deixem os comentários e as estrelinhas, caso tenham gostado. E compartilhem com os amigos, please!
Bjs de leão 💞
KAMU SEDANG MEMBACA
Um dia
Fiksi PenggemarSe havia uma morte mais difícil de superar do que a morte do seu irmão adotivo, Jason Todd, era a morte de Rachel Roth... Martirazva-se em demasia por algo que não teve opção de escolha. Afinal, Ravena fora sua grande paixão. Apenas descobriu tar...
