Manhã de Halloween

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Acordei com os raios solares batendo em meu rosto. Eles atravessavam a janela aberta do nosso quarto iluminando o cômodo. Soltei um muxoxo em protesto. A brisa do outono também entrava pela janela, causando um arrepio no meu corpo que estava coberto por um lençol branco. Braços quentes e fortes me envolviam. Sorri de olhos fechados. Eu estava confortável.

Abri os olhos com preguiça e esperei eles se acostumarem com a repentina claridade. Tentei me virar para frente de Peeta com um pouco de dificuldade por seu braço pesado e forte estar em cima da minha cintura. Com todo o cuidado para não acordá-lo, me virei. Seu rosto estava calmo e sereno. Seu peito subia e descia com tranquilidade. Fiquei admirando os traços do meu marido por certo tempo. O sol também batia diretamente em seu rosto, mas ele não pareceu acordar com isso.

Observei seu cabelo, instantaneamente coloquei minha mão entre eles e os acariciei. Meus olhos vagaram por todo seu rosto. Quando o sol batia nele, seu cabelo, sua sobrancelha e seus cílios loiros adquiriam um tom dourado. Eu perdia o fôlego somente de admirá-lo. Podia ficar horas fazendo isso.

Me sentei na cama com cuidado, calcei minhas pantufas e vesti meu robe. Eu não queria acordá-lo, de modo que destranquei a porta em silêncio e caminhei em direção à cozinha. Eu prepararia o café para nós essa manhã.

O corredor estava repleto de desenhos e enfeites. Havia teias falsas pelas paredes e aranhas emboladas nelas. A escada não era diferente. Bruxas, fantasmas e abóboras compunham a decoração da casa. Hoje era Halloween, Peeta e eu fazíamos questão de enfeitar a nossa casa com o máximo de decoração possível para os feriados e datas comemorativas. Ele era criativo, de modo que nosso lar sempre ficava decorado na medida certa e com os enfeites mais incríveis. Era um dos que mais atraiam as crianças para pegar doces.

Encontrei um Buttercup idoso dormindo no sofá da sala, o acariciei e olhei ao redor. A brasa da lareira ainda estava quente.

- Hoje é Halloween, Buttercup. Está animado? – recebi um miado em resposta.

Chegando na cozinha, parei em frente ao balcão e pensei no que eu prepararia. Peeta sabia o quanto gostávamos dos seus pães de queijo, então ele deixava uma quantidade considerável no congelador de casa, só para eu ter o trabalho de assar. Eu não era boa com massas.

Coloquei mais de uma dúzia para assar no forno, fui até a geladeira dar uma olhada. Nosso café da manhã era constituído geralmente por panquecas com mel e mirtilos, mas nos dias especiais, fazíamos com calda de chocolate e morangos. Massa de panqueca eu sabia fazer mas Peeta atingia o ponto perfeito. Então eu apenas lavei os morangos. Depois resolvi preparar a mesa.

Separei os pratos, copos e talheres. Coloquei cada qual em seu respectivo lugar à mesa e peguei os guardanapos temáticos de Halloween. No centro, havia um vaso com um pequeno buquê de Prímulas Noturnas. Peeta fazia questão que essas flores sempre estivessem em nossa casa. Sempre que o buquê murchava, ele ia até a floresta colher mais e fazer outro. Tirei o vaso e o coloquei na bancada, precisava trocar a água das flores.

Enquanto eu colocava os ovos na frigideira, antes de ligar o fogo, senti mãos firmes em minha cintura, elas deslizaram até braços estarem enlaçados nela. Meu coração errou uma batida. Senti um queixo se apoiar nos meus ombros.

- Bom dia, amor – me cumprimentou com a voz rouca.

- Bom dia- sorri – Dormiu bem?

- Com você? Sempre. Mas não fiquei nada contente em não acordar com você do meu lado.

- Eu resolvi descer e começar a preparar o café. Não quis te acordar, você estava cansado – ele chegou exausto da padaria ontem - Eu imaginava que você acordaria quando percebesse que eu não estava na cama – brinquei. Era sempre assim, para falar a verdade. Nos acostumamos a dormir um com calor do outro, e quando a cama esfriava, acordávamos quase que instantaneamente.

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