Eu sou Veronica, mas conhecida como Nikka, tenho 24 anos e agora me encontro distribuindo curriculum pelas ruas movimentadas de São Paulo.
A alguns dias atrás eu fui meio que “excluída” da família por finalmente admitir minha sexualidade, oque me fez muito bem e leve. Por esse tal motivo, eu tive de sair da casa alugada dos meus pais e fui demitida do trabalho onde minha mãe era chefe.
Está um calor infernal e eu estou na frente do ponto de ônibus, doida pra chegar em casa, tomar um banho e esperar ansiosamente que alguma empresa me ligue com a ótima notícia de que eu estava contratada.
Agora, eu estava morando com uma amiga minha, que mal ficava em casa já que arrumou um namorado novo.
O ônibus na qual eu precisava simplesmente me ignorou e seguiu caminho, e aquilo me fez ficar ainda mais brava pois meus sapatos estavam me machucando e eu só queria tira-los ali mesmo.
Peguei uma presilha e amarrei meu longo cabelo por achar que seria melhor, mas falhei, pois agora o sol batia fortemente na minha nuca.
Havia senhoras ao meu lado conversando, pareciam fofocar sobre um tal de Will e ao lado das senhoras havia uma criança que não parava de berrar por um brinquedo.
Novamente um ônibus que eu precisava se aproximava, mas dessa vez o motorista parou. Por minha sorte o ônibus não estava tão cheio quanto eu imaginava, e eu consegui arranjar um banco vazio ao lado de uma mulher que parecia cansada, pois cochilava com o pescoço encostado no vidro da janela. Me sentei ao lado da mulher e coloquei meu fone tentando ignorar aquele ônibus quente e que se enchia a cada parada. Agora com o ônibus bem mais cheio, ao meu lado ainda estava a mulher que dormia e as vezes acordava, do meu outro lado, em pé um homem que fedia a cigarro e eu já estava cada vez mas perto de casa. Após chegar ao meu ponto, me espremi pelos outros passageiros e consegui sair.
Caminhei por alguns minutos até a casa na qual eu estava vivendo nos últimos longos e cansativos dias.
Vi que havia uma carta, ao meu nome, mas não tinha escrito o nome do remetende, achei bem estranho aquilo, mas decidi deixar a carta em cima da mesa para depois ler.
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Verônica recebe uma carta
Storie breviVerônica foi a minha mais bela obra, onde eu coloquei minhas ideias depois de letras maiúsculas e antes de pontos finais, foi uma obra na qual me toca a cada verso e que representa diversas pessoas LGBT+ que saem em um transporte público na tentativ...
