A sensação de nostalgia, nunca me abandonou... O tempo nunca foi tão irônico. Com o passar dos dias notei que aquela era minha nova realidade... Naquele lugar eu iria escrever as novas páginas da minha história, não sei o que o futuro me reserva, mas estarei preparada.
Sydiane
______________________________________
Desço as escadas correndo e ao passar pela cozinha vejo a minha mãe e o pirralho do meu primo tomando café, e é óbvio que eu não ia sair sem me divertir um pouco.
--- Lagartixa, valeu pelo cinquentinha. - Digo na maior cara de pau mostrando ao meu primo a nota de cinquenta que eu havia roub.... Pegado emprestado, da carteira dele.
--- De novo não!... - Diz resmungando. - Tia a senhora vai deixar ela me assaltar desse jeito?
--- Dani, você não é mais uma criança... - Shiii eu sabia que lá vinha bronca.
--- É emprestado, depois eu devolvo, tchauzinho. - Digo e saio correndo.
--- Se você devolvesse mesmo o que pega eu estaria rico! - Ouço Breno gritar de dentro da casa.
--- Irritante. - Digo pra mim mesma bufando, enquanto atravesso até o ponto de ônibus, que pra minha alegria era bem próximo a minha casa.
Breno era o filho da melhor amiga da minha mãe, Tia Clara. Elas se conheceram no ensino médio e logo se tornaram inseparáveis. Pouco tempo depois Tia Clara se casou com o Roger, logo o Breno nasceu. Minha mãe não fala muito sobre isso, mais disse que a partir do dia do nascimento do filho, Roger tornou a vida da minha tia um inferno por algum motivo.
Ela faleceu em um acidente de carro quando Breno tinha cinco anos. Desde então nunca mais ouvimos falar do Roger, só sabemos que havia ido para o exterior, desde então, ele nunca mas retornou. Breno veio morar conosco uma semana depois, pois não conseguiu se acostumar a viver com avó - a mulher que aparentava na época ter por volta dos quarenta e nove, deixou apenas o menino na porta da minha casa e foi embora. Desde então fomos criados como irmãos, a nossa relação sempre foi "boa", as briguinhas se tornaram o nosso passatempo preferido.
--- Dani?...Dani? - Ouço alguém me chamar enquanto cutuca o meu ombro.
--- Ah?
--- Você vai perder o ônibus, mulher! -- De volta a realidade vejo minha amiga Cleury me encarando e se segurando para não rir da minha cara.
--- Sem comentários Cleury, sem comentários .... -- Digo enquanto pegamos o ônibus em direção ao centro de Nova Orleans.
Já eram quase cinco da tarde quando descemos do ônibus e fomos direto para o ginásio de futebol. ( O futebol não era nem de perto a nossa motivação para estar ali).
--- Vamos Cleury, estamos atrasadas! -- Digo olhando ela, que estava logo atrás de mim.
--- Estou indo!
Logo chegamos ao grande ginásio na entrada só havia o porteiro e dois seguranças, o som estridente da multidão ecoava por todo o prédio. Entregamos nossas identidades, ainda não éramos de maior, eu ainda tenho dezessete e a Cleury faz dezoito mês que vêm; mas pelo menos neste tipo de local podemos entrar, sem problemas.
Sentamos em uma arquibancada que ficava próxima ao corredor e esperamos alguns minutos até que os jogadores começaram a entrar no campo. A partida foi bem interessante, vi Cleury saltar do banco gritando quando Dyan fazia um gol. Ele era dois anos mais velho que ela e estava com o cabelo loiro levemente bagunçado, sua camisa vermelha do time não estava mais tão limpa. Depois de finalizar o gol, Dyan se vira em nossa direção e manda um beijo para Cleury.
A partida logo terminou e fomos para o corredor do alojamento, onde esperamos Dyan sair. Estava muito movimentado, os jogadores chegavam todo suado, necessitando de um banho. Ao olhar em um relance para o final do corredor algo chama a minha atenção, ou melhor especificando, alguém.
--- Cleury... Cleury? - Digo cutucando
--- O quê?
--- Olha só aquilo....! Que perfeição. Um, dois, três, quatro, cin...co...
--- O quê você está contando Dani? - Pergunta ela olhado para a mesma direção que eu. --- Fala sério Daniele Brighton, pare de contar os bíceps do cara!. - Diz quase gritando ao meu ouvido.
--- Shiii... Não me atrapalhe. - Digo retornando a minha contagem. --- Cinco, seis, sete, oit... --- Digo enquanto desço para o viés do short do cara, que com certeza já havia notado o que eu estava fazendo. --- Oito gominhos, aí meu bom Deus!. - Eu não sou obcecada por isso, okay? Só que desde a época em que sai do ensino fundamental procuro alguém com oito gominhos no bíceps, normalmente só encontro seis, porém eu tinha esta meta um pouco fora do comum.
--- Precisa da minha ajuda, princesa? - Ouço uma voz grave e suave ao mesmo tempo, ao olhar para o dono daquela voz. Ele era alto, tanto que eu mal alcançava seu ombro, seus cabelos eram castanhos em um tom escuro, pele morena e seus olhos beiravam um cinza. Ele era lindo. Percebo que fiquei parada muito tempo ali, observando.
--- Aah...
Fico ali, parada, abduzida por algum extraterrestre da beleza.
--- Jordan, dá pra vestir uma camisa e parar de ser exibido? - Diz a estraga prazeres da minha amiga.
--- Claro só um instante. - Ele ri e enquanto olha para mim e logo se afasta. Segundos depois retorna vestindo uma camisa preta com o nome Adidas estampado.
--- Quem é você?
No instante em que eu iria responder, ouso a voz de Dyan logo atrás de nós.
Alguns minutos depois Dyan e Cleury me deixaram em casa e foram para a casa de campo passar o final de semana.
Sexta feira - A tarde
Ligação on - Cleury
- Dani, eu e o Dyan vamos dar uma festinha amanhã, e eu gostaria que você viesse. O Dyan convidou quase metade do time de futebol e eu não quero ficar aqui sozinha no meio de tanto testosterona. Vem?
--- ... Não sei se é uma boa ideia, tenho que estudar para as provas finais.
--- Claro que tem, e eu também, mas são só dois dias, por favor? Já liguei para a sua mãe e a única exigência dela foi você levar o Breno junto.
--- Levar o Breno? Ele não irá me deixar em paz, se o levar.
--- Claro que vai, além do mas... O Jordan também virá.
Assim que ela cita o nome, um filme da cena de hoje mais cedo passa por minha mente.
--- ... Ele vai trazer a irmã dele também. Dani? Alô, está me ouvindo?.
--- Ahn? Estou sim, tudo bem, estaremos lá amanhã.
______________________________________
KAMU SEDANG MEMBACA
Você Mudou? Ou Foi Eu?
RomansaTic Tac, Tic Tac.... O ponteiro do relógio não para, por que então parece que a minha vida parou? Ele é alguém de quem eu nunca consegui me afastar com facilidade. Sempre a algo que me puxa de volta. Sei que ao final desta história, um de nós, sair...
