Lembranças de uma Infância

147 7 3
                                        

As últimas recordações que eu tenho da fazenda da minha madrinha é de quando eu tinha dez anos, eu sempre ia lá passar minhas férias escolares, e apesar de algumas intrigas de crianças com Alfonso lá eu vivi momentos que nunca esquecerei.
Acordar com a madrinha Ruth me chamando de "fresquinha" e fazendo cosquinhas na minha barriga foi uma das maiores lembranças, o cheiro de café que impregnava no olfato de quem acordava lá e o cachorro Rob que corria atrás do leiteiro logo de manhã são coisas que eu jamais poderia esquecer.
Apesar da família Herrera ser um pouco mais humilde e com grandes pessoas trabalhadoras, estar lá ajudando a ordenhar as vacas renovava a alma da Anahi criança.

A minha família tem mais condições que a Herrera, mas quando meu pai precisou de ajuda antes mesmo de eu nascer o pai de Alfonso foi o primeiro a lhe ajudar e essa ajuda fez com que eles se tornassem grandes amigos e meu pai presenteasse o senhor Pedro e sua esposa como meus padrinhos.

Foi um mês de discussão com meus pais para voltar ao México, eles queriam que eu voltasse lá depois de sete anos sem dar as caras, e não é porque eu não gostaria de ir, e sim porque quando completei dez anos meus país decidiram se mudar do México para o Brasil, eles foram pra lá umas duas vezes depois que nós nos mudamos e eu não tive tempo de voltar por causa dos estudos, e voltar lá depois de longos anos na minha cabeça seria inconveniente.

Mas tudo isso foi irrelevante já que agora estou no carro dos meus país indo direto para o aeroporto.

Rio de Janeiro - 2019 12:36

- Any, se você não gostar é só ligar para nós que vamos te buscar. - Minha mãe com ar de maternidade me falou.

- Mas também não é o bicho de sete cabeças filha, é apenas dois meses, lembra de como você gostava de ir lá quando era pequena? - Meu pai falou olhando para mim no banco de trás e sorrindo tentando me passar um ar de que seria divertido e eu apenas revirei os olhos.

- Eu gostaria de lembrar vocês que já não tenho mais nove anos, coisas que eu achava graça quando era pequena hoje em dia não faço questão. - Bufei colocando meu fone de ouvido.

Eu via eles gesticulando e conversando, mas não dei muita bola e segui o caminho até o aeroporto emburrada.
Não que eu não quisesse estar indo pra lá, mas também não queria deixar meus amigos e Diego aqui.

Amor: Linda, boa viagem, sempre que tiver oportunidade me envia mensagens, irá passar rápido e eu estarei aqui te esperando como sempre, te prometo e te amo!.

Eu não sei aonde criei coragem em aceitar essa viagem, Diego pode até achar que está me ajudando enviando essa mensagem, mas a única coisa que essa mensagem me trouxe foi a vontade de sair correndo do carro e ir direto para os braços dele.

Diego foi um grande amigo meu aqui no Brasil, quando entrei na escola ele foi quem me ajudou a fazer amizades, foi quem me ensinou muita coisa sobre o Brasil e os Brasileiros, eu devo muito a ele, foi em 2017 que fui pedida em namoro e claro, meus pais adoravam ele e aceitaram e admito, a pior parte de tudo era ficar longe dele, dos meus amigos e obviamente do conforto dos meus pais.

Quando chegamos no aeroporto meu pai pegou minhas três grandes malas no porta-malas do seu carro e me ajudou a levar até às esteiras, minha mãe já estava com os olhos cheios de lágrimas.

Vôo com destino a Cidade do México partindo em 15 minutos.

Foi quando recebemos o último chamado que a minha mãe caiu no choro e admito que meu coração ficou em pedaços.

- Filha, o tio Pedro estará te esperando no aeroporto lá na cidade do México, mas logo vocês partem a Monterrey - Meu pai ia me dando as instruções enquanto minha mãe só sabia chorar

The Farm Stories to obsess over. Discover now