Prólogo

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— Rápido, não quero ver mais você na minha frente!

— Calma, senhor. Estou acabando de juntar as minhas coisas. – A jovem loira que levava mais coisas que eram possíveis em seus braços tentava segurar o choro, humilhada.

— Que coisas? Eu deveria ficar com tudo pelo tempo que você não me paga o aluguel.

— Tenha um pouco de compaixão! – Ela desajeitadamente com uma grande bolsa pendurada num braço e uma pequena mala ao lado, tentava colocar suas poucas coisas, que ainda estavam no chão, dentro da bolsa.


Balançando o braço com vigor e apontando para fora da casa o homem respondeu-lhe.


— Você não teve compaixão para comigo quando parou de me pagar, então saia!


Enquanto a mulher descia a pequena escadaria que tinha na frente do sobrado de cores pastéis com uma mala com poucas coisas que acreditava ser de valor e que ela precisaria, uma mulher ruiva se aproximava do local enquanto fazia sua caminhada matinal. E curiosa, afinal, quem arruma confusão em plenas 8h da manhã de um domingo?

Indignou-se com a forma que o homem tratava a mulher, como ele se atrevia a fazer tal coisa? Ainda mais uma mulher grávida, independentemente da situação, ele deveria tratá-la com respeito.


— Se apresse, Joana! Ou perderei o horário da missa!


A ruiva se aproximou com os lábios em uma linha e não conseguiu segurar a própria língua.


— É este claramente um exemplo de cristão que não precisamos no mundo!

Os dois imediatamente se voltaram para a mulher ruiva que acabara de chegar.

— Não se meta em um assunto que não é seu! – Respondeu o homem ainda rude.

— Como professora que sou, é assunto meu se for o caso de falta de educação, que foi exatamente o que eu acabei de ver aqui.

— Ora sua! - Ele foi interrompido antes de tentar falar qualquer coisa a mais.

— Algum problema, querida? – Um homem loiro muito bonito se aproximava da mulher ruiva.

— Este homem amanheceu faltando com respeito com todos, Paulo!


Paulo apenas mirou o homem que lhe olhava como se estivesse com o rabo entre as pernas.


— Espero que não tenha ofendido minha mulher!

— C-claro que não a ofendi! – O homem se confundiu com o que falava. Poderia ser ótimo contra uma mulher, mas não contra um homem.

— Obviamente é um caso de um homem que só sabe ser macho na hora de tratar com mulheres e que na hora que um homem de verdade lhe confronta, sai correndo com medo. – A mulher ruiva ainda praguejava enquanto olhava o homem com os olhos semicerrados.


Joana apenas observava a interação, aliviada, suspirou, por não ouvir mais os gritos do seu senhorio (agora ex-senhorio).


— Eu nem a conheço, senhora! – Ele tentou se justificar.

— Graças a Deus! Eu que não queria ter contato com alguém que trata mal uma grávida.

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