Notas sobre Luke 🎼

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Era tarde da madrugada quando acordei para ir ao banheiro, dificilmente isso ocorria, mas a ansiedade para o grande show no final de semana corria pelas minhas veias e isso me afetava por completa. Os rapazes não dormiam, afinal são fantasmas e por isso passavam a madrugada perambulando pelas ruas iluminadas de Hollywood, lembro de uma vez Alex comentando que esse é o melhor horário da noite, pois as almas predominam os lugares e assim ficava mais fácil diferencia-los dos corporeos.

Fiquei alguns segundos olhando minha aparência no espelho da parede, debruçada na pia eu passava uma das mãos pelo rosto e demarcava cada marca presente nele. Isso prendeu minha atenção por um tempo antes de minha cabeça retornar aos pensamentos diários, como a escola e o Luke. Era incrível o quanto ele se fazia presente em tudo, isso não me incomodava, já superei o fato de eu literalmente estar apaixonada por uma assombração, mas o que me doía era saber que eu nunca sentiria sua pele, como sinto a minha agora, estava prestes a apagar a luz e ir para a cozinha quando fui interrompida da minha melancolia por um barulho no assoalho.

- Shhh, Julie deve estar dormindo - ouvi em sussurros no tom do Reggie.

- Ei! - murmurei ainda dentro do banheiro com a porta aberta, flagrando os três fantasmas parados, como se tivessem congelado em um filme de terror - São 3 horas da manhã...O que fazem aqui?

- Porra, que susto - Luke revirou os olhos, dirigindo-se a mim e sorrindo - A gente não queria te acordar...foi mal.

- É...só estávamos, sabe? Assombrando a casa - Reggie faz um movimento com os dedos em direção ao rosto de Luke, fazendo um círculo com a boca - uhhh

- Se eu não estivesse morto, eu desejaria estar depois de ver isso - Disse o Alex, em tom irônico.

- Cacete, vocês sabem que meu irmão levanta o tempo todo e que ele sabe de vocês, é tão difícil ficar na garagem? - Perguntei nervosa, deixando-os no lugar onde estávamos e, com passos leves para não acordar meu pai, caminhei até a cozinha, onde dei de cara com o Luke sentado na bancada - Ahh, você não se cansa de me assustar?

- qual é...você deveria agradecer - Ele se levanta, indo até a geladeira e a abrindo para mim - muitas garotas desejariam ser atormentadas por um fantasma lindo como eu.

- Muito convencido - semicerrei os olhos, não tirando-os do outro par que me encarava - como sabe que eu viria para cá?

- Bom, você sempre faz um sanduíche quando está nervosa...- Ele coça a nuca da cabeça - Vamos arrasar sábado, Julie...não precisa se preocupar.

- eu sei, eu sei...mas - o menino logo me interrompeu, balançando a cabeça negativamente.

- não se preocupa...agora vai deitar, esses sanduíches ainda vão te matar - ele disse, encarando-me docilmente. Sorrio de canto e o vejo se teletransportar, dando espaço para que eu terminasse o que estava fazendo.

Depois que comi, coloquei as coisas na geladeira e voltei para o quarto, rolava de um lado para outro da cama e o sono não vinha, decidi então compor um pouco, meus pensamentos estavam loucos para serem gravados no papel. Deitei-me novamente, de brusso, já com um caderno e uma caneta, deixando que sonetos baixos escapassem dos meus lábios. Já tinha escrito quase que um verso inteiro quando me lembrei de Perfect Harmony, que esperava por uma melodia a dias.
Não demorei para pegar outro papel e abrir o aplicativo de piano que havia em meu celular, conforme a letra passeava em minha cabeça, a partitura ia se formando, em tom de sol, que me lembrava a voz do guitarrista em cada nota que compunha a música. Quando terminei, não me contive a escrever no final "para Luke". Talvez um dia eu poderia entregar isso para ele, talvez eu ainda tivesse esperanças de tocar seu rosto.

Canção Final Stories to obsess over. Discover now