É óbvio que, para tornarem-se possíveis, os nossos sonhos dependem do que nos rodeia.
Mas eu sou um homem de custos — sem necessidade de esperar pelas oportunidades: eu próprio as crio. Certamente parece estranho, porque se eu as faço não precisaria de as agarrar. Mas as balas não valem quando apenas as compras. É preciso matar também.
Eu digo ao meu terapeuta que meu lado psicopata está falhando, e ele responde que estou doente só pelo facto de pensar nisso. Eu, por outro lado, acho que ele é quem precisa de um psicólogo.
Devia ter rido depois de tal pensamento, mas é um assunto sério. Tornamo-nos fracos por acreditar que a positividade é tudo.
Eu prefiro avaliar o lado negativo em cada detalhe. Assim, criarei o correto.
Correto era tudo o que não constava na minha lista de afazeres. Esta indústria é confusa — difícil dizer quem está contigo ou quem está tentando te usar. Então… parte por partes, eles são sujos, e você pode ser de volta. Eu realmente fui obrigado a pensar dessa maneira.
Minha pele é feita de pontos obscuros, como a minha mente. Eu conseguia ser um homem horrível a todos os custos; dado por dado, dependia do azar do outro para me sentir bem.
Quando atiro em cada um deles e sinto todos morrerem, eu me sinto aliviado, por finalmente ter conseguido meus objetivos. Não vou mentir: preferia estar fazendo outro tipo de coisa. Mas a vontade de esmagar quem me derrotou há muito me consome.
Houve um tempo em que fui diferente — encarando os olhos dos outros como os meus. Mas culpa e raiva tomam conta de você em apenas um dia. Eu tive que aprender isso durante toda a minha vida.
Onde terei jogado minha capacidade de odiar, minha idiossincrasia pessoal? Incrivelmente, era a única questão para a qual não encontrava resposta. Quer dizer… eu não ia admitir que ela tinha me mudado. Isso seria cometer um suicídio.
O amor parece inócuo, mas à medida que o aprofundamos nota-se que é totalmente o oposto.
Coloco esta opção sobre a mesa, olhando para o relógio e notando que já havia passado uma hora esperando por ela. Teriam voltado as suas incertezas? Ou algo aconteceu? Eu precisava daquelas respostas imediatamente.
Disquei o seu número. Ela não atendeu.
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Depois de quase duas horas de espera, eu sabia que não havia volta a dar.
Saio daquele restaurante que mais cheirava a agrado — coisa que mais detesto: vidas supostamente melhores que a minha — e eu ali, derramando angústias, pensando nas mil formas de a encontrar. Mas bem no fundo eu sabia que era uma decisão difícil para ela: ser feliz ou ter a vida que desejava.
São opções difíceis de decidir. Não são a mesma coisa. Mas, se escolhesse a primeira, estaria claramente se referindo a mim.
Dirijo até casa, sem vitupério algum, apenas imaginando a primeira vez que aquilo acontecera.
Chego, sento-me no sofá. Cotovelos sobre os joelhos, queixo sobre as mãos entrelaçadas. Desnorteado. Pensando em mudar algo, mas é estressante quando uma das partes desiste.
— Anthony, por aqui?! — indagou Hanna.
— Hanna, esta casa é minha! — berrei sem pensar duas vezes.
— Desculpe… mas não era suposto estar num jantar agora, senhor?
— Correto. Era! — o medo nos seus olhos tornava o silêncio ainda mais notável. — Pode me deixar sozinho?!
— Claro. Não gosto de o ver assim, apenas…
— Não se preocupe, Hanna. Eu já vou tratar disso.
— Eu entendo que gosta dela, mas não faça nenhuma loucura…
— Boa noite!!
Eu não estava em mim. Nunca ousaria tratar Hanna daquele jeito. Mas estava completamente desmemoriado de pensar.
Mais uma vez, via meu trabalho não dar frutos. Tentara entregar o coração a ela, mas cá estava eu, outra vez agarrado a uma taça de vinho, passando todas as memórias de como nos tínhamos dado. Bem ou mal… mas ao menos eu a tinha.
Tentei não me afundar mais do que já estava, mas falhei. Coloquei a mão no bolso esquerdo da calça e lentamente retirei a caixinha da aliança. Já era a segunda…
Eu a perdoei porque a magoei de verdade. Agora era ela quem me magoava. Mas, às vezes, o amor pode ser aquilo que nos une. E, às vezes… o amor nos separa.
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O AMOR QUE NOS SEPARA -PARTE 1
RandomNos perguntamos quão forte o amor pode ser ,que por vezes não sabemos que o mesmo pode ser a razão do fim Os finais felizes nos fazem sorrir Mas será possível os mais tristes serem a decisão mais correta?! Se o amor é uma oportunidade,quantas chanc...
