Café

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Rafael até hoje viveu, o que talvez o impeça de sobreviver.

No auge dos seus 25 anos, Rafael ostenta um cabelo encaracolado loiro, óculos redondos, tipo Harry Potter, um suéter azul e olhos azuis. Ele gosta de ir ao Starbucks e conversa com os amigos pelo face time quase todo dia depois das dez da noite. Eles falam sobre seus trabalhos, sobre o que vão fazer no final de semana e as vezes sobre os outros, mas Rafael não gosta de fofocas.

Naquela manhã em especial, no apartamento onde Rafael mora sozinho, ele decidiu tentar algo novo na hora do café. Antes de tudo ele moeu alguns grãos, desde que aprendeu a moer e aonde comprar, nunca mais conseguiu beber café em pó ou solúvel. Quando os grãos do dia estavam moídos ele ligou a cafeteira e foi para o banheiro escovar os dentes.

Os olhos de Rafael ainda estão vermelhos de sono, mas já passam das dez. Ele trabalha em casa desde que a quarentena começou. Como redator publicitário ele tem muito tempo ocioso. Contratar Rafael não é barato e ele prefere não ter muitos clientes ao mesmo tempo.

Sua escova de dentes tem as cerdas pretas e o cabo de madeira. A pegada é bem melhor que os de borracha, é o que ele diz. Quando termina limpa a pia com a mão e depois lava ela na pia. O mármore fica úmido, mas a cafeteira apita e ele deixa pra lá.

Da estante mais em cima, Rafael pega uma caneca branca com o interior preto. Do lado de fora tem um gatinho sorrindo e estrelinhas amarelas. Ele serve o café na xícara e leva a mão até o açúcar demerara que fica ali perto, mas decide tentar algo novo. Ele deixa o café preto, sem mais nada.

O primeiro gole é estranho, mas foi assim com a escova de dentes, os grãos e seu macbook.

A primeira coisa que Rafael faz com a xícara nas mãos é sentar à beira da sua escrivaninha lisa, feita de madeira bruta de demolição. Ela foi tão polida que ficou sem marcas. Na sua frente está o macbook fechado e o cabo do carregador está saindo de um buraquinho entre a parede e a escrivaninha.

Depois do segundo gole do café ele tira o iphone do bolso e, por coincidência, ele começa a vibrar. Na tela mostra que é o seu chefe, um cara simpático e careca, com óculos muito parecidos com os dele.

— Oi? — Rafael atende, ainda sonolento. — Tudo bem, posso ir sim — ele responde o chefe, já se levantando.

Rafael troca a xícara de gatinho por uma com a logo da agência para a qual trabalha a maior parte do dia. Ela é térmica e lacrada, o que ajuda na viagem. O macbook é colocado em um case e depois na pasta de Rafael que ele leva a tiracolo.

De carro a viagem até a agência deve levar pouco mais de vinte minutos. Rafael vive um pouco afastado do centro, ele prefere o baixo movimento do campo. Perto do prédio onde vive há outras casas, mas o movimento é baixo e todos são muito educados e se vestem bem.

FuanCerita yang bikin terobses. Temukan sekarang