Ainda lembro de como tudo começou...
Era 2012, Um dia depois do "apocalipse" que era pra ter acontecido. Realmente não se pode acreditar nessas pessoas que inventam de prever isso, não entendo o propósito.
Bom, eu tinha 10 anos na época e pra mim foi assustador, imagina uma criança que sonhava com um futuro grande pela frente saber que de uma hora para outra todo o seu sonho ia acabar, não só ele como o mundo. Enfim, a inocência.
Pra mim esse dia foi bem estranho, mais estranho do que para outras pessoas, eu passei o dia ouvindo sussuros, sons de bombas, vi coisas estranhas e ouvia gente gritando de dor, Foi horrível. Comentei com meus pais sobre isso e eles falaram que era apenas ansiedade por ouvir tanta coisa das pessoas. Naquele dia meus pais sabiam que eu não conseguiria dormir, então me deram um calmante natural, um chá que me faria dormir bem a noite toda.
Então logo depois de jantarmos, eles me deram o chá e me puseram na cama. Eu fechei os olhos e foi bizarro o quão pouco tempo levou para eu cair no sono. Naquela noite tive um sonho estranho, sonhei que estava num lugar onde tinha apenas uma estrada e ao lado da estranha um campo com uma única árvore grande no meio. E não importava o quanto eu corria nessa estrada, sempre dava no mesmo lugar, era como se não tivesse fim. Eu olhava para os lados e só via isso, até que de longe percebi um garoto indo em direção a árvore.
Tive a ideia de chamá-lo para que ele me explicasse que tipo de lugar era aquele.
- Oi! - falei alto mas ele não ouviu.- OIIIII! Eiii!
Ele se virou mas eu não conseguia enxergar o seu rosto.
- Oi! - ele respondeu com a voz suave. - Quem é você?- ele respondeu.
- Sou a Eve e você?
- Me chamo Levin, você mora aqui?
- Não, não sei que lugar é esse... Pensei que você soubesse.
- Ah eu cheguei aqui ontem, não sei como mas cheguei. - disse Levin.
Fui andando em direção a ele para conversar mais de pertinho, mas quanto mais eu me aproximava o sonho ia mudando de forma e logo eu tinha acordado.
Quando acordei me senti um pouco mais alegre, a ansiedade tinha sumido. Me levantei e senti uma estranha vontade de comer Panqueca doce, mas eu nunca curti muito panqueca doce. Pedi minha mãe pra fazer pra mim e ela não entendeu e riu já que eu nunca pedia isso. Mas ela fez, e quando comi foi uma das melhores sensações do mundo. Eu não sabia explicar aquilo, mas comi umas 7 panquecas naquela manhã.
Passei o dia me sentindo bem, até que depôs das 17:00 me veio uma dor forte de cabeça e eu não sabia explicar pois não havia feito nada para causar dor. Nem estresse eu tinha passado.
Então me senti muito cansada e dormi sem perceber no sofá de casa.
Sonhei que estava no mesmo lugar, dessa vez deitada em baixo da grande árvore que se encontrava no campo. De longe via o menino na estrada correndo.
- Levin! - gritei o nome dele acenando com as mãos pra cima, ele nem sequer virou o rosto.
Me aproximei da estrada e ele estava lá correndo sem parar sem sair do lugar. Entrei na estrada e o toquei no ombro.
- Levin, O que houve? - quando o toquei ele se virou pra mim.
- Eve... Oi. - respondeu com um sorriso leve e meio forçado.
- por quê tá correndo? O que aconteceu?
- Eve, eu não consegui sair daqui como você saiu hoje de manhã, eu tentei achar um caminho, andei esse campo inteiro e tudo que eu conseguia ver era mato, céu e estrada. Não tem jeito de sair daqui, Eve. - respondeu triste.
- Mas isso é um sonho não é? Eu me lembro de acordar...
- Pra mim isso tá bem real, eu quero ir pra casa. - ele sai da estrada. - vamos sentar ali, tô cansado. - ele vai em direção a árvore.
- ah, claro.- sigo ele e me sento ao seu lado.- Levin, você se lembra
onde estava antes de vir pra cá?
- Não, não lembro de nada.
- ah, sinto muito. - pensei um momento que aquilo iria ser só mais um sonho qualquer então não dei muita importância, apenas fiquei ali com ele.
- ah, obrigada pelas panquecas, eu não sabia que poderia fazer isso. - disse e sorriu pra mim.
Continua...
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Nosso Refúgio
Teen FictionDepois do falso apocalipse de 2012, Eve começa a sentir a presença de um garoto peculiar. Os dois começam a dividir dores e outras sensações até o momento que ele pergunta: "Você quer me conhecer?"
