Au revoir, maman.

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Era uma manhã nublada de sábado quando Rafaella dormia profundamente em sua cama espaçosa que já não era mais tão espaçosa assim. Além de si e Rodolffo, as três crianças buscavam um espaço para se aconchegarem perto da mãe. Laura estava completamente em cima da barriga da mineira e Maria Luiza estava entre o casal. João Pedro estava do lado do pai, quase caindo da cama. O despertador da mulher tocou indicando o início daquele dia. Era sábado, sim, mas tinha compromissos relacionados ao trabalho. Rapidamente desligou o som insuportável do aparelho na tentativa de prolongar aquela cena tão bonita ao seu redor, mas Laura não só era idêntica à sua ex-mulher como tinha os mesmos hábitos: tinha o sono muito leve.

L: Mamãe? - disse a pequena, coçando os olhos e bocejando.

R: Oi meu amor, dormiu bem? - falou em um sussurro, recebendo um aceno positivo como resposta. - Vamos lá pra fora com a mamãe? - outro aceno e a mulher pegou sua filha, já não tão pequena assim, no colo e foi para a cozinha fazer algo para comerem.

Adentraram a cozinha e Rafaella deixou a menina sentada na cadeira enquanto fazia waffles para as duas. Sabia que Laura queria falar alguma coisa, pois estava balançando freneticamente os pezinhos cobertos por uma meia de unicórnios.

R: Lô? Quer me falar algo? - ainda de costas para a menina, a mãe sentia que a filha estava lutando para pedir algo.

L: É... hoje eu posso passar o dia com a mamãe? - a voz doce saiu quase como uma súplica, e a mineira mentiria se dissesse que não se sentia incomodada com esses pedidos súbitos.

R: Você sabe que esse final de semana vocês vão ficar comigo, Laura. É o aniversário do tio Rodolffo amanhã. Vai ter festa aqui em casa. - revirou os olhos.

A menina permanecia em silêncio desde que a última frase havia sido proferida pela mãe mais velha. Ela sabia que não havia escolha, então abaixou a cabeça e só levantou quando o seu prato com waffle e geleia de morango foi colocado na sua frente. Era a geleia favorita de Bianca. Não era mistério para ninguém o quanto as duas eram idênticas tanto fisicamente quanto comportamentalmente.

R: Por que você quer ficar com sua mãe hoje? - o tom de voz sério da mineira intimidava a menina, que deu de ombros, dando mais uma mordida no seu café da manhã. - Eu estou falando com você, Laura Andrade Kalimann.

L: Não sei, mãe. Eu queria ficar um tempo com ela e com a tia Clara um pouco, por que não? - escutar "tia Clara" era bem que matar Rafaella, as meninas gostavam infinitamente mais da namorada de Bianca do que do pai do irmão delas.

R: Hum, porque esse final de semana é meu. Amanhã é o aniversário do Rodolffo e... - foi interrompida pela menor de idade.

L: Eu volto pra casa amanhã, então! Peço para a mamãe me trazer de volta. Deixa, mãe! - a voz já saía com tom de birra e o bico se formando era quase o maior ponto fraco de Rafaella.

R: Não, Laurinha... eu já disse que não! Segunda-feira vocês vão para lá e vão passar a semana com ela, não é? Você quer me deixar sozinha?

L: Não, mãe! Eu deixo a Malu com você... e além disso, tem o JP e o tio Rodolffo.

R: Não adianta discutir comigo, minha filha. A minha resposta é não. - disse, já impaciente. - E vê se come logo que eu preciso sair para fazer umas fotos e pensei se de repente você não gostaria de ir comigo...

L: Eu não vou com você! - a menina elevou o tom de voz, entrando num estado de birra que a mãe conhecia bem.

R: Laura, então você fica... eu não vou ficar aqui discutindo com quem não entende o que eu tô falando! - levantou de uma vez, assustando a criança. - Por que você quer tanto ir? - indagou, com os braços cruzados abaixo dos seios.

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