O Início

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Aqui temos um diário. Talvez um diário aberto, ou não, talvez eu nem publique isto. De qualquer forma, voltemos ao início, o começo de tudo.
Eu tinha cinco anos quando lembro de ter assistido meu primeiro filme. Era uma tarde fria de Julho, minha mãe e eu assistíamos Crepúsculo, é estranho, eu sei, até irônico, porque com cinco anos você dá à uma criança um filme da Barbie, talvez um desenho, talvez Caverna do Dragão, mas nunca um filme romântico clichê.
Mas minha mãe não, minha mãe era diferente, a mulher mais apaixonada por clichês nesse mundo, sua vida foi um clichê. E assim, apresentou à mim todos os clichês que a literatura e a ficção puderam fazer, um a um, me fazendo apaixonar por todos eles.
Minha professora da Educação Infantil uma vez perguntou à minha sala qual desenho mais gostávamos de assistir. Todos responderam filmes e desenhos adequados à crianças, animações e afins, mas eu não, meu filme preferido era Crepúsculo, talvez Titanic, ou Um Amor Para Recordar, não era capaz de decidir.
Talvez eu coloque a culpa disso tudo em minha mãe, que fez das minhas primeiras lembranças meros clichês. A questão é que os clichês nem sempre são tão meros assim, eles se transformam em correntezas grandes e fortes, que te arrastam se você não souber o que está fazendo, e eu, na grande maioria das vezes, não sabia.
Você, caro leitor ou leitora, pode me julgar das maneiras mais cruéis possíveis, ou até pode ser boa pessoa comigo, tanto faz, porque o amor é questão de perspectiva, da forma que você enxerga, da forma que você quer enxergar, da forma que você precisa enxergar. E eu te provarei isso.
Talvez eu não te prove nada, você pode ler minha história e fechar este livro como fecha o caderno, como fecha a agenda, com total indiferença. Mas a indiferença é questão de conveniência, de sentimento, de prós e contras, você pode ser indiferente em relação à algo porque te convém, ou porque cansou de tentar. O sentimento mais intenso pode se tornar indiferente, e eu vou te provar isso. Talvez não prove, talvez prove. Enfim, vamos ao início.

Quando criança, meus ídolos eram Barbies, o maior estereótipo de beleza que já existiu, e qualquer menina de filme clichê que fosse injustiçada e humilhada, e dessa forma conseguisse ficar com o cara popular. O único problema disso é que eu cresci e me tornei uma pessoa completamente iludida com a vida, achando que eu poderia ser Barbie, ou que qualquer menino popular da escola olharia para mim. E se você, cara leitora, é como eu, sinto em te dizer, mas para nós só há sofrimento e eu também posso te provar.

Um dos primeiros livros sérios que li, sem ser diário de um banana, foi Capitães da Areia, um livro que narra a história dos Capitães da Areia, que viviam em um trapiche e enfrentavam a dura vida destinada ás crianças abandonadas de Salvador. De fato, é um livro muito bom, mas eu, cuja única coisa que sei fazer é me iludir por meninos que nunca poderei ter, me apaixonei por Pedro Bala, o personagem principal que em minha mente, é loiro e terrivelmente lindo, sonhei muitas noites com Pedro Bala, ele foi, de fato, o meu grande amor literário.

Alerta Spoiler: Ao longo da vida tive mais amores literários do que sou capaz de contar.

Fora da literatura, tinha a música, um grande meio o qual meninos bonitos que cantam bem e tem estilo fazem um enorme sucesso com as garotas, sabe aquelas garotas que choram por nunca terem visto seu ídolo musical na vida? Pois é, eu teria sido uma delas com estrema facilidade. E a propósito, meu primeiro ídolo musical, foi Justin Bieber, outro primeiro amor.

Alerta Spoiler: Sim, eu tenho apenas um coração, mas uma capacidade inenarrável de me apaixonar loucamente por pessoas que não tem a mínima ideia de que existo.

Com esses meros detalhes da minha vida, provo à você, leitor ou leitora, que minha vida amorosa enfrentará um caminho longo e tortuoso, portanto, se você quiser desistir e se poupar de querer descobrir meu endereço e me matar por minhas péssimas escolhas, essa é a hora. De verdade, não irei te julgar, você tem todo o meu apoio.

No entanto, se quiser tentar a sorte e descobrir o que acontece, comecemos com o meu eu de uns nove ou dez anos, já prestando atenção nos meninos e pensando se eles também prestavam atenção em mim.

Alerta Spoiler: Óbvio que não, aos nove, meninos têm mais medo de meninas do que de monstros, as meninas são seus monstros, e se eu tivesse entendido isso, tudo teria ficado mais fácil.

A princesa é abandonada nesse livroStories to obsess over. Discover now