Prólogo

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Os galhos do carvalho arranhavam a vidraça da minha janela como grandes garras. Já fazia alguns anos que eu não vinha para casa da minha avó e após a sua morte, o local parecia assombrado e tenebroso. O quarto em que eu estava era o mesmo em que sempre ficava quando vinha passar as férias aqui, só que nessa noite me sentia vigiada e essa sensação não é a melhor para se sentir quando se está deitada na cama tentando adormecer.

– Filha, precisa de algo para ir dormir? – Minha mãe apareceu na porta, provavelmente ela estava checando tudo antes de ir para sua cama. Eu não queria parecer uma criança com medo de bicho papão, até porquê isso é apenas fruto da minha imaginação, mesmo que dentro de mim algo esteja gritando para eu correr.

– Não, obrigada! Estou desacostumada com o quarto, só isso. – Ela curvou a cabeça, como se estivesse me estudando.

– Entendo! Talvez devesse contar carneirinhos. – Ela sorriu – Tente dormir um pouco, filha. Gostaria que descansasse bem para aproveitar ao máximo seu primeiro dia de aula. – Não faço ideia do que ela quis dizer com aproveitar ao máximo. Sem dúvida, os pais não tem noção de como funciona o último ano na escola.

– Não se preocupe, daqui a pouco o sono vem e vou dormir como uma pedra, como sempre. – Ela sorriu e apagou a luz do abajur, deixando apenas a claridade da lua que iluminava a janela e a do corredor que entrava pelo quarto através da porta.

– Então está certo. Bons Sonhos, Querida. – Ela fechou a porta lentamente enquanto eu me despedia da luz que era isolada pela madeira. A casa não era tão nova, então mesmo com a porta fechada consegui ouvir seus passos ressoando pelo assoalho do corredor se afastando do meu cômodo.

Ouvi sua porta ranger do outro lado e poucos minutos depois o silêncio havia tomado conta da casa. Agora eu estava finalmente sozinha, deitada na minha cama, pressionando com força minhas pálpebras contando ovelhas em Klingon, tentando dormir e não me concentrar nos sons externos.

Infelizmente, os galhos da árvore sacolejada pelo vento estavam cada vez mais barulhentos, arranhando, raspando e martelando como se quisessem perfurar a janela. Bufei e cobri meu rosto com uma almofada, segurando firme para abafar os sons.

Para total perda da minha paciência nada havia dado certo, pois o reboliço seivoso queria provocar a ira dos deuses. Bem que um desses galhos poderia ser podado por um raio de Zeus. Cogitei a ideia de sair do quarto e dormir na sala e talvez amanhã pedir meu pai para cortar a bendita galhada ranhosa.

Abaixei a almofada e olhei para a janela detestando com toda minha força Jedi aquele som horrível. Meu rosto empalideceu e meu corpo gelou quando vi uma silhueta alta parada dentro do meu quarto.

Alguém entrou aqui!

Sem saber se me movia ou gritava, optei por ficar imóvel na cama. Na verdade, estava tão chocada e apavorada que não acredito que seria capaz de fazer qualquer outra coisa. A sombra não se mexia, mal parecia respirar.

Próximo da janela, ele me observava fixamente e nem se quer assemelhava-se a algo físico, apenas era uma sombra imóvel, escura e terrível.

Espantada com a visão, me forcei a agir. Levantei-me da cama lentamente, liguei o abajur e a sombra desapareceu, então somente podiam ser vistos os mesmos galhos rumorosos. Fui até a janela com o coração batendo nas costas para verificar se aquele que estava poucos segundos atrás no meu quarto, esperava do outro lado um segundo momento para entrar na casa. Para a minha surpresa, a janela continuava trancada.

Como alguém entraria sem abrir a janela?

Abri e me apoiei com cuidado para não me machucar nos benditos galhos e meus olhos foram atraídos para a reserva do outro lado da pista. Um arrepio correu pela minha espinha e pânico me fazia estremecer. A mesma sombra apareceu ao longe, na entrada da reserva, olhando atentamente a minha janela e tão perturbadora quanto poderia ser.

Esse foi o quarto dia, a quarta noite após a mudança. Nunca mais deixei de me sentir vigiada neste local.

Linguagem artistica criada para os filmes de Star Trek.

Garota da LuaWhere stories live. Discover now