28 de Agosto
Era de noite, eu estava em casa me arrumando para uma festa na casa de minha melhor amiga, Taila. Ela é super popular, e, consequentemente, também sou por andar com ela na nossa escola. Nós duas estudamos juntas, na High Froway. Uma escola bem conhecida na cidade em que nós vivemos. Os pais dela estavam viajando para uma cidadezinha no interior por uns dias, disseram que era algo à trabalho que eu não entendo direito sobre o assunto. Na verdade nem ela mesma sabe, diz que é algo haver com corretoria de imóveis. Aproveitei que meus pais também estavam fora visitando minha avó Zene e não precisei pedir autorização. Se eu tivesse pedido a resposta seria clara, consigo ouvir daqui. Minha mãe é meio dura comigo, ela quer que eu seja a garota perfeita que nunca comete erros, mas se ela soubesse do tanto de coisas que já fiz que ela não sabe... Já meu pai é um pouco mais tranquilo. Ele trabalha muito mesmo, e sinto o carinho dele. Acho que sou mais apegada à ele do que com minha mãe, mesmo sabendo que o jeito que ela demonstra amor é diferente.
Chegando lá, reparei que não seriam somente alguns amigos, como Taila havia dito. Estava lotado.
Era uma casa enorme, com dois andares. Não era atoa que ela era famosinha, com uma casa dessas quem não iria querer fazer amizade? Os pais dela eram muito ricos. Os dois têm contato com algumas celebridades, alguns chegam até serem íntimos. Eles trabalham na área do jornalismo, mais especificamente apresentador de TV.
Sentei no banco que dava para o balcão. Olhei para o lado e lá estava ela, em pé, dançando com umas meninas da mesma sala que nós, outras meninas nem haviam sido convidadas mas aproveitaram a oportunidade e se infiltraram na festa. Ela me parecia bem feliz, mesmo sabendo que todas aquelas pessoas que estavam ali à sua volta só queriam mesmo aproveitar a festa, nada a mais. Por mais que às vezes ela parece não ligar para nada, eu sei que ela se importa. Taila e eu somos amigas desde o ensino fundamental, muito tempo de amizade, e eu realmente poderia contar com ela para tudo. Reparei que ela iria subir para o andar de cima e puxei ela para perto.
-Sabe, você deveria prestar mais atenção à sua volta. Taila, quantas dessas pessoas que estão aqui você conhece?- Eu disse, minha fala ficou meio abafada por causa do barulho da musica que estava estourando.
-Ari, eu não ligo, só quero que todos conheçam "A garota que tem uma mansão e sabe dar uma boa festa"- Ela falou em um tom meio grosseiro, tendo que gritar no meu ouvido para eu conseguir ouvir. Ela saiu pisando forte subindo as escadas, provavelmente iria no banheiro retocar a maquiagem, como de costume.
Voltei e comecei a prestar atenção nas bebidas, que estavam penduradas do outro lado do balcão, onde tinha um cara servindo-as.
-Pelo visto está desacompanhada, certo?- Um cara do meu lado começou a puxar assunto. Não dei muita atenção, não tava afim de papo. -desculpe- ele continuou.
-Desculpe, eu só não estou muito afim de conversa hoje. Se é que você me entende.- Eu estava estressada com toda aquela agitação da festa, o som e tudo que estava à minha volta.
Um tempo depois, ainda sentada no banco, ouvi outro garoto tentando me cantar. Esse já era o terceiro, eu já estava de saco cheio.
-Olha aqui, você é um dos três garotos que ja tentaram me cantar hoje, então se por favor, você puder ficar quieto, eu vou agradecer, eu só não aguento mais, todo lugar que eu vou é a mesma coisa, uma menina não pode mais ficar sozinha que os homens já acham que elas estão carentes desesperadas.- não aguentei e explodi.
Continuei ali parada, enquanto o garoto, provavelmente apavorado e assustado com meu tom de voz, sumiu de vista.
Ja era a quarta dose que bebi naquele dia, ja tinha dado pra mim, eu queria ir embora. Não sou muito de beber, acho que por que não estou muito acostumada que fiquei meio tonta muito rápido.
Antes de ir, queria subir pra ir ao banheiro. Precisava urgentemente, não conseguia mais me segurar. quando cheguei lá, encontrei um corpo no chão. Não consegui reconhecer de primeira, mas estava claro quem era. Respirei fundo, tentei não enlouquecer. Senti vontade de gritar. Naquele momento meus pensamentos estavam desligados, tudo estava voltado aquele corpo no chão, com todo aquele sangue espalhado para todo lado.
Taila.
Ela estava morta.
Minha melhor amiga estava morta.
Como eu conseguiria superar tudo isso? Por um momento, o mundo parou. Eu não sentia mais aquela vontade desesperadora de urinar. De repente o mundo girou na minha cabeça. Várias lembranças vieram a tona. Taila não era uma pessoa incrivelmente perfeita, mas estava comigo em todos os momentos, bons e ruins. Era inacreditável o que estava diante dos meus olhos. Ela tinha sido assassinada? Ou foi um acidente? Tantas teorias vieram na minha cabeça, mas ainda não consegui entender como aquilo aconteceu. O que eu faria ali em diante? Quem seria minha melhor amiga? E tudo que eu sentia por ela? Eu à amava. Muito.
Parei de pensar sobre isso e me dei conta de uma coisa.
Eu estava na cena do crime.
Tive que descer correndo para não parecer suspeita de nada. Desci tão rápido que estava esperando só o tombo e sair rolando, mas felizmente não aconteceu. Eu realmente não era, e eu realmente não sabia como aquilo aconteceu, então tudo que fiz foi descer às pressas e corri, entrei no carro para voltar para casa. Procurei as chaves por todos os lugares até que me dei conta que esqueci junto com minha bolsa em cima do balcão. Saí correndo para ver se dava tempo antes que percebessem alguma coisa de errado com a anfitriã.
Consegui. Liguei o carro, e fui embora.
Cheguei finalmente. Ainda estava em choque. Mas eu não podia deixar ela ali no chão morta. Não consegui me conter, liguei para a polícia e denunciei a casa onde havia ocorrido o acidente. Se foi um acidente mesmo. Me bateu um medo de a policia me acionar como suspeita, sendo que eu estava em casa quando denunciei.
Fiquei nervosa e comecei a chorar loucamente. Meus pais não estavam em casa, confiavam em mim para cuidar de tudo sozinha. Eu estava nessa sozinha. E eu não sabia o que fazer.
Depois de um tempo, entre choros e soluços, acabei que peguei no sono.
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Suspeitos podem ser os criminosos
Mystery / ThrillerO que fazer quando você descobre que sua melhor amiga está morta? Ainda digo mais, e se foi um -homicídio-? Foi isso por que Aria Hasthings passou, ao chegar na festa da mansão de Taila Wokerson. Aparentemente tínhamos alguém que possuía segundas in...
